| "Não
podemos contestar a coerência da definição de
Stefan Zweig, que dizia que os livros são "um universo
diversificado e perigoso". É, entretanto, um universo
que nunca nos trai. A idade dita nossos gostos e lapida nossa percepção.
Em cada período da vida, as pessoas procuram e descobrem
coisas diferentes num mesmo livro — lembro-me nitidamente
do que esperava de 1 Mont-Oriol, de Maupassant, aos dez, quinze,
vinte, quarenta e aos cinquenta anos. Tornando-nos adultos, reconhecemos
a grandeza indiscutível de Púshkin; e a maturidade
traz a compreensão do modesto, mas importante lugar que ocupam
os romances de Zoia e Balzac. Acontece que erramos na escolha de
livros, lendo milhares de páginas que não valem o
tempo gasto. Os livros são como pessoas; eles podem decepcionar
ou envolver. Na vida de qualquer homem alfabetizado há sempre
um livro que desempenhou um importante papel em seu destino. Frequentemente
não se trata de uma obra de um gênio reconhecido, mas
de um ordinário romance de um modesto escritor. Um livro
que influenciou duas gerações soviéticas foi
O moscardo, de Vóinitch; para mim foi o romance Aquilo que
nunca aconteceu, de V. Rópchin, que li em 1918 e que mudou
minha vida. Até hoje, não sei porque, lembro-me de
cor de várias passagens dessa obra. Livros são a melhor
coisa que temos em nossas vidas; eles são nossa imortalidade.
Eu lamento nunca ter tido minha própria biblioteca".
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