"Nesse
mundo, fora do alcance da visão de nós que vivemos
no norte global, um complexo sistema de pilhagem obrigou mais de
noventa países a adotarem programas de 'ajuste estrutural'
desde os anos 80, ampliando como nunca o fosso que separa ricos
e pobres. É um processo balizado de 'construção
nacional' e 'boa governança' pelo 'quarteto' que domina a
Organização Mundial do Comércio (Estados Unidos,
Europa, Canadá e Japão) e o triunvirato de Washington
(Banco Mundial, FMI e o Tesouro americano) que controla os mais
ínfimos aspectos das políticas governamentais nos
países em desenvolvimento. Seu poderio resulta em grande
medida de uma dívida impossível de pagar, que força
os países mais pobres a entregar 100 milhões de dólares
diariamente a credores ocidentais. O resultado é um mundo
no qual uma elite de menos de um bilhão de pessoas controla
80% da riqueza da humanidade. Os promotores disto são as
corporações transnacionais dos meios de comunicação,
americanas e européias, proprietárias ou gestoras
das principais fontes mundiais de notícias e informação.
Elas transformaram boa parte da 'sociedade da informação'
numa era da mídia na qual extraordinários recursos
tecnológicos possibilitam a constante repetição
de informações politicamente 'seguras' que sejam aceitáveis
para os 'construtores de nações". (do
livro "Os novos senhores do mundo", do jornalista australiano
Jonh Pilger, editora Record) |