Todo conceito tem uma história. Todo conceito tem partes integrantes
de outros conceitos. Da globalização à aldeia
global de McLuhan. Da aldeia global à noofesra do padre Teilhard
de Chardin e ao conceito de convergência da Era
Digital. Todo este link foi construído a partir do texto Digibesteiras,
pó de pirlimpimpim e o formigueiro humano,
de Tom Wolfe no livro Ficar ou não ficar, editora
Rocco. A partir daí, reli toda a obra de McLuhan e o livro O fenômeno humano, de Chardin, cujo significado
e importância só agora consegui ter um entendimento. (W.U.)
1. O conceito de convergência
sondas ao espaço ou conseguindo, pela Internet, comunicação
e informação instantâneas entre pessoas ao redor do mundo. O planeta
encolhera, envolto numa membrana eletrônica. Ninguém na Terra estava
a mais de seis cliques de computador de qualquer outra pessoa. A
Era Digital estava rapidamente
tornando obsoletas as fronteiras nacionais, os limites municipais
e todos os outros antigos conceitos geográficos. E o mesmo acontecia
com os mercados regionais, os pools de mão-de-obra e as indústrias.
O mundo se unificara online. Só havia agora uma "região", que se
chamava o Universo Digital.
Dessa crença simpática surgiu o conceito de convergência. Ou talvez
eu deva dizer dessa fé, já que a origem do conceito é religiosa; católica, para se
específico. O próprio termo "convergência",
tal como usado na Era Digital, foi cunhado por
um padre jesuíta, Pierre Teilhard de Chardin. Outro ardoroso católico,
Marshall McLuhan, propagou essa mensagem por todo o mundo intelectual
e deu ao Universo Digital seu primeiro e memorável
nome: "a aldeia global". Milhares de sonhadores ponto.com dedicam-se
hoje a amplificar essa mensagem, sem ter a menor
idéia de sua origem".
O texto completo Digibesteiras,
pó de pirlimpimpim e o
formigueiro humano esta
no livro Ficar ou não Ficar,
onde Tom Wolfe investiga
a origem da expressão
usada pelos jovens
americanos. Reúne também
alguns de seus ensaios
mais importantes. A partir
deste texto procuramos
fazer o roteiro sugerido
relendo McLuhan e
Teilhard de Chardin.
"O cenário era o Museu Suntory de Osaka, no Japão: um auditório
tão pós-modemo que chegava a ser chocante. Na platéia havia centenas
de estudantes de arte japoneses. Tratava-se da abertura de uma exposição
com obras de quatro dos maiores ilustradores americanos do século
XX: Seymour Chwast, Paul Davis, Milton Glaser e James McMullan,
o núcleo central do afamado Ateliê Pushpin de Nova York. A exposição
intitulava-se Pushpin e Além: O Famoso Ateliê que Transformou o
Design Gráfico. Em cima do palco, cintilando com a fama global,
os americanos tinham todas as razões para se sentirem maravilhosos.
Sentado diante deles havia um intérprete. O diretor do museu começou
sua apresentação em japonês, e fez uma pausa para a tradução do
intérprete:
- Nossos convidados de hoje são um grupo de artistas americanos
oriundo da Era Manual.
O diretor começou a falar de novo, mas os convidados americanos
já não estavam ouvindo. Estavam concentrados em processar aquela
frase de abertura. A Era ManuaL... a Era Manual... A frase ricocheteava dentro
dos seus crânios quicando nas pirâmides de Betz, zunindo pelos corpora
callosa, e alojando-se nas áreas de Broca e Wernicke de seus cérebros.
De repente todos sacaram. Aquelas centenas de jovens japoneses,
olhando para eles das cadeiras do auditório, viam-nos não como visionários
na fronteira do futuro mas como velhos mamutes lanudos que, sabe-se
lá como, haviam escapado das névoas de um passado pliocênico e caído
ali no Museu Suntory... Eles formavam um time de relíquias que inexplicavelmente
ainda viviam, ainda respiravam... Eram sobras...
da Era Manual!
Que maravilha. Quisera eu saber japonês e poder conversar com aqueles
estudantes, que examinavam o espetáculo primero que tinham ali.
Eram todos filhos da aurora da - é preciso dizê-lo? -
Era Digital. Ilustrações manuais, "à mão livre"? Fora
muita coragem daqueles velhotes perseverar quando dispunham de tão
poucos recursos. Atualmente, na Era Digital,
os ilustradores utilizavam o que mais? - o computador digital. Criar
imagens a partir do zero? Que expressão mais pitoresca e antiga,
"do zero", e que conceito pitoresco e antigo... Na Era Digital,os ilustradores "formatavam"
imagens já existentes em formas alteradas na tela digital. O próprio
conceito de pós-modernidade baseava-se na utilização universal do
computador digital... quer a pessoa estivesse formatando ilustrações,
sintetizando música, enviando
Pensar é sempre seguir a linha de
fuga do vôo da bruxa. (Deleuze e Guattari)