No texto A longa aventura da reportagem, Marcos Faerman (1944/1999) fala de sua
formação como repórter. Das suas leituras, de seu começo na Última Hora gaúcha.
Fala dos "veios poderosos de uma navegação por Júlio Verne podem nos levar a
outras viagens literárias, que vão nos ensinar alguma coisa fundamental no jornalisno,
que nada tem a ver com os manuais de redação, esses mais ligados a
uma visão castradora da imaginação e do texto jornalístico."  


 
O livro organizado por Adáulio Dantas, Ed. Senac, reúne textos de alguns dos mais importantes repórteres do país. A longa aventura da reportagem é o texto do Marcão. Nele o autor fornece um conjunto de pistas para a construção de uma teoria ou de uma história da reportagem como gênero literário. O texto começa assim: "Todos os grandes repórteres que conheci - muitos deles pessoalmente, outro devorando suas biografias ou memórias - eram ratos de biblioteca ou caçadores de tesouros perdidos em sebos labirínticos, como alguns de Porto Alegre, ou aqueles da Praça da Sé, em São Paulo..."
 
 
 
O repórter e sua perplexidade. O repórter tem diante de si a realidade. A realidade é a indagação a ser feita. A realidade é a natureza e os outros homens. Como entender o que nos rodeia? Como entender os conflitos, as mentiras aparentes, as verdades ocultas? Que instrumentos usar no momento da descoberta? Que instrumentos usar na hora da revelação? Marcos Faerman
 
   

Este livro do Marcão reune textos publicados, originalmente, no Jornal da Tarde e no Versus. São textos escritos entre 1974/77. Em As palavras aprisionadas estão reunidas algumas das idéias que ele tinha sobre o exercício da profissão de jornalista. São onze pequenas notas. Numa delas Marcão se perguntava sobre o que vinha a ser "o texto objetivo". A pergunta: "Que texto é este ? Onde nasce e com que cresce esta técnica?
 
O jornal Versus foi um dos mais importantes da chamada imprensa alternativa da década de 70. Um jornal de reportagens, idéias e cultura. Estas são as capas dos dois primeiros exemplares. Marcão cria o Versus quando se afasta de outro alternativo importante, o Ex. O primeiro número é de outubro de 1975. Como ele próprio dizia: "era um jornal que fazia cultura como forma de ação política". Uma característica de todo o trabalho jornalítico desenvolvido por Marcão era o bom gosto gráfico. Valorizando a forma, numa equilibrada fusão de elementos: "jornalismo, fotografia, desenho, histórias em quadrinhos, literatura, poesia".
   
"... por mais desanimado que às vezes se fique dentro da
profissão, há sempre a oportunidade de que ao dobrar a
próxima esquina se encontre uma história que nos dará a
satisfação intelectual de descobrir e transmitir
aos nossos leitores algo de realmente novo e digno de nota".
Do jornalista norte americano Kim Willenson,
repórter durante muito tempo do The Washington Post.

Esta revista foi uma das inúmeras tentativas do Marcão de fazer um jornalismo independente.
Este exemplar de
Singular e Plural
é de
março de 1979. Marcão assina
o texto Histórias, na página
de abertura. Como sempre, dá
uma demonstração
do quanto era antenado
para o que estava acontecendo.
       
Onde e como nasceram estas idéias de objetividade e neutralidade?" Uma das respotas: "A linguagem da imprensa norte-americana se disseminando pelo mundo. A expansão de um Império e das linguagens que o justificam". Naquele tempo Marcão já usava a expressão Império.
       
         

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