"Este livro foi escrito a partir do relato de um oficial do Exército brasileiro que atuou na linha de frente do combate à guerrilha do Araguaia (1972-1975). Planejada e organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), a guerrilha foi a tentativa mais consistente da esquerda de desenvolver a luta armada numa área rural, no caso, a região do Baixo Araguaia, entre o sudeste do Pará e o norte de Goiás, hoje Tocantins. O PC do B pretendia instalar ali 'comitês populares' 'e, a partir deles, formar um amplo movimento camponês que derrubaria a ditadura militar, deflagrando, concomitantemente, uma revolução que levaria ao poder um 'governo do povo'. O oficial é Lício Augusto Ribeiro Maciel, um pacato senhor que, apesar de seus 74 anos, ainda ministra cursos de navegação a vela no Rio de Janeiro. Pára-quedista, ele foi reformado com a patente de tenente-coronel engenheiro de Comunicações. À época da guerrilha, era major-adjunto do Centro de Informações do Exército (CIE), lotado no Escalão Avançado do gabinete do ministro do Exército, em Brasília. Seu nome de guerra era 'Dr. Asdrúbal'. Os tiros do major e de seu grupo de combate mataram quatro guerrilheiros — três em confronto e um que faleceu depois.
 
Lício Maciel também atirou na perna de uma guerrilheira. Ela revidou com dois tiros. Um deles atingiu seu rosto e o derrubou. Os militares que estavam com ele a fuzilaram na hora. Até hoje, 30 anos depois de a guerrilha ter sido derrotada, o Exército e as outras Forças Armadas que participaram das operações mantêm silêncio sobre sua atuação nos quase três anos em que durou o conflito. Não há sequer informações oficiais sobre o contingente empregado e o número de militares mortos. O silêncio militar continua mantido, mesmo sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. O governo recorreu, recentemente, da decisão judicial que determinou 'a quebra de sigilo das informações militares relativas a todas as operações realizadas no combate à Guerrilha do Araguaia'; a informação, à Justiça, de 'onde estão sepultados os restos mortais' dos guerrilheiros; 'o traslado das ossadas, o sepultamento destas em local a ser indicado' pelas famílias, e 'as informações necessárias à lavratura das certidões de óbito'. A decisão, de 30 de junho de 2003, foi da juíza Solange Salgado, da 1a vara da Justiça Federal do Distrito Federal, em ação movida desde 1982 pelo advogado e deputado federal do PT Luiz Eduardo Greenhalg, em nome dos familiares dos mortos".
 
   
Este é um livro
reportagem de
Luiz Maklouf Carvalho, editora Objetiva. Do
mesmo autor de "Mulhere
s que foram à luta
Armada", prêmio
Jabuti de livro
Reportagem de 1999.
 


Trecho inicial de apresentação do livro , escrito pelo próprio autor, em março de 2004.

       

Mais um pedaço da história da guerrilha do Araguaia.