Glamour ou a estética do colonialismo

Passei parte da manhã em um café do Bom Fim (POA). Uma mesa equilibrada. Metade de jornalistas da nova geração e a outra metade da velha. Tenho feito, frequentemente, a conexão. Para não fugir à regra, todos falando sobre jornalismo. Lá pelas tantas, um deles (nova geração) diz de forma direta: não gosto das fotos do Sebastião Salgado. Silêncio na mesa. Fico super atento. Até pelo fato de  que este é um ex-aluno dom o DNA da profissão. E segue dizendo o principal motivo. São imagens perfeitas, tecnicamente irretocáveis, verdadeiros quadros, uma glamorização dos pobres, marginais (dos que estão à margem), excluídos; e as de caráter, nitidamente, etnográficos obedecem à estética colonialista. Não tem nenhuma diferença expressiva de como os colonialista retratavam fotograficamente e em seus desenhos, os “primitivos”. Esta é a razão para agradas, amplamente. Imagens de marginais (dos que estão à margem) que não incomodam. Lindas. Seguiram-se várias observações. Da antiga geração estudo uma boa história. Diz ele, escutei um relato de uma antiga editora de cultura de tal jornal. Ela, como fotógrafa, super ligada ao Xingu presenciou a chegada do Sebastião Salgado  com sua equipe. Conta vários detalhes quem esta pessoa, a relação delas com os povos da região, a importância no jornalismo e alguns aspectos da presença do famoso. Destaco um detalhe deste relato. O famoso estava fotografando um índio pescando; e após algumas fotos se dá conta de que o indígena está com um imenso relógio de pulso. Todo produzido. Pede para que o índio tire o relógio e depois de muitas tratativas, desiste. O índio não aceitava tirar o relógio. Não lembro o valor citado que ele (o fotógrafo famoso) teria pago para realizar a série. Uma puta grana. Este velho jornalista, após ressalta a limpeza técnica das fotos, também, expressou concordar com as observações do mais jovem. Retornei para a “caverna” com a  alma mais serena. Não estão, completamente, foram de propósito algumas das coisas que tenho pensado e sobre as quais tenho rabiscado algumas linhas, nos últimos dias.
(escrito em 22 de março de 2014 e abro, assim, o índice OPINIÃO como teste) 

This entry was posted in Sem categoria.

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

*
*