QUEM MATOU CATARINA E ALEMÃO


Como sempre contamos
com a inestimável
colaboração do
Movimento Subterrâneo
de Apoio aos Marginais.
   
Foi numa tarde de verão, quando Catarina e Alemão estouravam um bagulho na redondeza, que a vida veio acertar as contas com eles. Algumas crianças se divertiam nas ruas com seus carrinhos de brinquedo quando dois motoqueiros se aproximaram rapidamente e dispararam alguns tiros em direção a Catarina e Alemão. Ambos morreram na hora, sujando de sangue a rua da molecada. Ninguém sabe ao certo a razão do crime, mas motivos não faltam. A primeira hipótese remete a vingança pessoal de antigas intrigas. Catarina e Alemão costumavam desfilar seus ‘berros’ nos ouvidos alheios a fim de mostrar quem é que manda na zona. Também era prática dos dois alguns socos e pontapés nos manés metidos a malandro. Dentro desta hipótese cabe um bom número de vizinhos vítimas da dupla há anos. Outra hipótese se baseia na concorrência de outros traficantes. Desde que Madureira, o ‘patrão’ de Catarina e Alemão, foi preso, a zona ficou sem a guarda do chefe, facilitando a ação de um outro bando para tomar a boca de fumo. Entretanto o tráfico hoje praticamente não existe mais, o que diminui as chances dessa suspeita.
 
E a última hipótese, a menos provável, trata-se de queima de arquivo e tem dois suspeitos: Madureira ou a polícia. Mas não tem muito fundamento, pois eles eram, além de cães de guarda, os melhores amigos de Madureira; e a polícia não costuma executar bandidos em plena luz do dia e na frente das crianças. Pode-se dizer de Catarina que ele sempre teve uma índole de bandido, enquanto que Alemão parece mais o bom moço que não teve melhores oportunidades de vida. Alemão é mais um dos milhões de brasileiros que deixou a pequena cidade natal para tentar a sorte na capital. Sem dinheiro que pudesse pagar um aluguel, Alemão e seus dois irmãos mais novos ocuparam um terreno vazio de um morro e aos poucos foram construindo o barraco de morar. Vender os bagulhos do Madureira era um serviço bem mais rentável e prazeroso do que trabalhar como pedreiro. Com Catarina de colega de trampo, Alemão conheceu outros serviços interligados ao tráfico de drogas. Os mais comuns eram assaltar ônibus e roubar bois de sítios vizinhos. O mais raro dos crimes só aconteceu uma única vez e, como não deu certo, nunca mais se repetiu.
   
       
         
 
       
 
Este espaço está aberto
a todas modalidades
de escrituras marginais.
"Quem matou Catarina
e Alemão" é mais uma
colaboração de Arlei Arnt.
 
       

           
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