Hiroito de
Moraes Joanides

Hiroito de Moraes Joanides nasceu em Morretes, Paraná, em 1936 e veio para São Paulo com a família em 1948, onde estudou e trabalhou em diversos lugares. Aos 21 anos, foi acusado pela morte de seu pai, barbaramente assassinado com golpes de armas brancas. A aproximação com a Boca do Lixo, que até então tinha um caráter de divertimento e que era tão comum aos rapazes da época, torna-se necessário refúgio para o jovem que se tornou um personagem notável nas páginas policiais. Magro, grandes óculos, aparência frágil, com uma cultura rara naquele ambiente, Hiroito conquista espaço e respeito na Boca pela violência e pela inteligência com que travava suas relações. Com a exploração de seus feitos pelos meios de comunicação, principalmente os jornais, a figura de Hiroito extrapola os limites da Boca e ganha notoriedade, fazendo com que sua fama cresça até que se promova uma caçada ao homem que ficou conhecido como o rei da Boca do Lixo. Preso, Hiroito escreve este livro em que sua história se mistura com a formação, o auge e a decadência da Boca. Morreu em 1992 na cidade de São Paulo.
 
O livro "Boca do Lixo", de Hiroito é editado pela Labortexto. Tem um prefácio do jornalista César Alves, de fevereiro desse ano. Na verdade trata-se de uma reedição, cujo texto original foi publicado na década de 70. Sua leitura possibilita, termos uma visão comparativa da evolução do chamado submundo. O avanço da selvageria capitalista acabou com a malandragem e com as "bocas". É um retrato da São Paulo dos anos 50/60. Do tempo do pacau (porção de maconha) e da pichicata (uma grama de cocaína). A malandragem usava navalha e ter uma mina na zona era uma coisa romântica. Brasil caipira fora do mercado.
 

Uma homenagem
de pontodevista
a todos os velhos
malandros