"O uso da cannabis, tanto para fins religiosos quanto para outros, mais informais, de alteração da mente, abunda em todo o continente africano. Embora ninguém tenha sido capaz de fixar uma data da origem, a inalação informal e ritual de fumaça de cannabis é anterior à chega dos europeus. Conhecida sobretudo como dagga, a cannabis é um sacramento e um remédio para os pigmeus, os zulus e os hotentotes. Nos tempos antigos, a Etiópia era conhecida como a 'Terra do incenso' - isso num país ainda renomado por seu potente haxixe. O cristianismo etíope, em que o uso da cannabis é comum, é anterior até á formação da Igreja católica romana. É possível, porém, que o uso da cannabis pelos cristãos etíopes no culto tenha origem ainda mais remota. A Igreja Copta Sião da Etiópia conserva uma prática eucarística baseada na cannabis que seus membros mais idosos atribuem, através da tradição oral, a seus ancestrais de antes da era cristã. Quando nativos dessa região foram levados para a Jamaica como escravos, levaram consigo sua espiritualidade ligada à cannabis, possivelmente lançando as sementes para sua adoção pelo movimento rastafari de nossos dias. No final do século XIX, os balubas, uma tribo banto que conquistou grande parte do Gongo Belga, usou a dagga para unficar os diversos povos subjugados. Tendo primeiro destruído ostensivamente os objetos religiosos tradicionais das tribos capturadas, o chefe Kalamba substituiu-os pela dagga para promover a harmonia e a cooperação entre elas. Na África contemporânea, muitas pessoas mantêm em suas casas salas especiais onde se fuma kif enquanto histórias, danças e canções são transmitidas às novas gerações."

   
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de cultura
   
   


   
(texto do "Grande
livro da Cannabis",
de Rowm Robinson,
da Jorge Zahar
Editores)