Cartier-Bresson,
1946.

Foto de
Beaumont
Newhall.
 
Reproduzimos parte da entrevista de Christian Tyler com o fotógrafo Henri Cartier-Bresson, publicada na Gazeta Mercantil, em março de 1996. A perspicácia do fotógrafo, que não gostava de aparecer, é perceptível num sutil jogo de palavras. Atualmente, dedica o seu tempo ao desenho, sua antiga paixão.
     
     
 

Por que você dá tão poucas entrevistas? "Porque elas soam como um sistema policial. De verdade. Pois o jornalista faz a pergunta e, mesmo que não esteja, de forma alguma, tentando ser desagradável, ele não se expõe." É uma via de mão única. "Sim, como um interrogatório policial." Ou como um fotógrafo. "Heim?" Ou como um fotógrafo, repeti. Ele riu. "É isso mesmo!", disse, dando uma estocada no próprio peito como se quisesse dizer "touchê". Um fotógrafo pode tirar uma foto e ir embora, eu disse. "Sim, mas nós também damos algo. Vocês também. Nós roubamos para dar aos outros. Mas eu gosto de conversar, de trocar ponto de vista..." "Eu treinei, durante toda a minha vida para passar desapercebido, com o objetivo de ver melhor", disse ser uma celebridade, era um empreendimento incômodo, embraçoso, perigoso e sem sentido. Ele se descreve como um anarquista étnico e libertário, palavras que não significam o mesmo na Inglaterra do que na França e na Espanha. "Ser conhecido como um fotógrafo é uma espécie de poder, e eu não quero esse poder. Eu não mereço. Não." Mas você não se orgulha do seu trabalho? "De forma alguma. Nós estamos falando de desenhos. Para mim, a fotografia é um desenho instantâneo. É como ser um caçador. Mas alguns caçadores...
 

 

   
Foto de Martine Franck, mulher de Cartier-Bresson.