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"Não sei como aconteceu com os outros artistas, os pintores com seus pincéis, os escultores com seus cinzéis, os gravadores com suas goivas. No entanto posso assegurar que nós, fotógrafos, desenvolvemos uma enorme e saudável relação de afeto com nossas câmaras fotográficas. Certamente porque elas estão permanentemente por perto, ao alcance de nossas mãos. Não podemos nos afastar. Estão sobre a mesa de trabalho, dentro da mochila, na bolsa a tiracolo e quase sempre bem pertinho, colada em nossos rostos ou pendurada no percoço, roçando o coração. E, se porventura, for uma Leica, é caso de paixão. Não é para menos. Foram essas câmeras miúdas, que cabem na palma de nossas mãos, que libertaram os fotógrafos pioneiros - Cartier-Bresson, inclusive, da ditadura dos equipamentos enormes, obrigatoriamente apoiados em um pesado tripé. Daí, descobriram a rua. Podiam caminhar livremente pelas calçadas e fotografar ao mesmo tempo, surgindo assim (...)