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Versão monoteísta do mito grego de Pandora, a primeira mulher evidentemente comete o irreparável, e seu ato espalha o mal por todo o planeta. Esse enunciado, em tempos normais muito adequado para engrossar as fileiras dos contos ou das histórias para dormir em pé, teve conseqüências consideráveis para as civilizações! Ódio das mulheres e da carne, culpa e desejo de resipiscência, busca de uma impossível reparação e submissão à necessidade, fascínio pela morte e paixão pela dor - oportunidades de ativar a pulsão de morte. O que há no dossiê dessa história? Um Deus que proíbe ao casal primordial o consumo do fruto da árvore do conhecimento. Evidentemente, trata-se de uma metáfora. São necessários os Padres da Igreja para sexualizar essa história, pois o texto é claro: comer esse fruto desvenda e permite distinguir o bem do mal, portanto assemelhar-se a Deus. Um versículo fala de uma árvore desejável para adquirir inteligência (III,6)...