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"O monoteísmo detesta a inteligência, virtude sublime que define a arte de ligar o que, a priori e para a maioria, passa por desligado. Ela torna possíveis as causalidades inesperadas, mas verdadeiras: produz explicações racionais, convincentes, apoiadas em raciocínios; recusa toda ficção fabricada. Com ela, evitam-se os mitos e as histórias para crianças. Não há paraíso depois da morte, não há alma salva ou condenada, não há Deus que sabe tudo e vê tudo; bem conduzida, e de acordo com a ordem das razões, a inteligência, a priori atéia, impede todo pensamento mágico. Os detentores da lei mosaica, das baboseiras crísticas e de seus clones corânicos compartilham a mesma fábula sobre a origem da negatividade no mundo: no Gênese (III, 6) - comum à Torah e ao Velho Testamento da Bíblia cristã - e no Corão (II, 29), encontra-se a mesma história de Adão e Eva num Paraíso em que um Deus proíbe a aproximação de uma árvore ao passo que um demônio convida à desobediência.