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"A religião provém da pulsão de morte. Essa estranha força obscura no fundo do ser trabalha na destruição do que é. Onde algo vive, se difunde, vibra, move-se uma contraforça necessária ao equilíbrio que quer deter o movimento, imobilizar os fluxos. Quando a vitalidade abre passagens, escava galerias, a morte se ativa, é seu modo de vida, sua maneira de ser. Ela corrompe os projetos de ser para fazer o conjunto desmoronar. Vir ao mundo é descobrir o existir para a morte; existir para a morte é viver dia após dia a redução da vida. Só a religião dá a impressão de deter o movimento. De fato, ela o precipita... Voltada contra si, a pulsão de morte gera todas as condutas de risco, os tropismos suicidas e as colocações em perigo de si mesmo; dirigida contra o outro, produz a agressão, a violência, os crimes, os assassínios. A religião do Deus único esposa esses movimentos: trabalha pelo ódio a si mesmo, pelo desprezo do próprio corpo, pelo descrédito da inteligência, pela desconsideração da carne....eração da carne, pela valorização de tudo o que