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angústia da falta e a certeza da morte são traços
constitutivos da economia e da dor a que se referiu Freud. A economia
da dor freudiana manifesta-se de forma subliminar ou com uma alegoria
na obra artaudiana. A morte inscrever-se-á como metamorfoses
psíquicas materializadas em peças, pinturas, filmes,
livros, surrealismo e drogas. É nessa direção
que Dumoullié nos convida a entender as manifestações
da morte na obra artaudiana: 'Artaud definiu a experiência
da arte como uma (investigação da morte) cujos meios
são: a poesia, o sonho, o inconsciente e as drogas. (...)
Tal é a dinâmica paradoxal na qual esta submetida a
obra de Artaud, e que determina alguma das questões que ele
coloca: a qustão do eu, do corpo, da escritura, do cinema,
da pintura. ' Aliás, essas metamorfoses têm sido comum
a vários outros artistas. Destacaremos a obra 'Aurélia'
de Gérard de Nerval como expressão desesperada de
canalizar os tormentos da morte em objetos para vida e para a arte.
(...) Gérard de Nerval inscreve a morte como geradora da
própria vida e a arte apresenta-se como expressão
simbólica e mediadora de seu tormento. Encarando a máxima
nietzcheana de que frente ao peso da verdade - acrescentaríamos
a morte como a maior das verdades do homem - existe a arte para
não perecermos, diáriamos que, em Nerval, se manifestam
expressões imaginárias de que um ser-para-a-morte
no sentido atribuído à morte por Morin como 'embriaguez
para o devir'. Se a morte é constitutiva da vida e se a obra
não deverá ser separada da vida nas acepções
nervalianas e artaudianas, então suas obras são alegorias
vivas de suas próprias circunstâncias da própria
vida do artista". (págs. 36/37) |