direita troglodita partiu para a ofensiva
“Então vou te pedir um favor. Diga ao Serra que, se ele quiser encerrar a carreira política com dignidade, que pare com essa bobagem de achar que eu vou censurar a Internet. Eu também sou criticado na Internet e não tento controlar.” Um recado do Lulinha.

Sempre existe uma chance do cara encerrar a carreira com dignidade. Com o passar do tempo vai ficando cada vez mais distante esta possibilidade se o próprio cara é uma cascata. Ele como um todo é uma invenção.

Tudo indica que os aliados do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação) vão perder as eleições, tanto no plano estadual como nacional. O Partidão da mídia está colocando todas suas suas fichas para assegurar uma representação lobista no Senado.
Na lista dos 30 que não foram para a RBS,do primeiro time
Em Deriva cruzei com um velho jornalista. E ele me contou que a Paula, uma das melhores repórteres das últimas gerações da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) tinha ido trabalhar no “Estadão”. Fiquei feliz com a notícia. Mais uma aluna, primeiro time com DNA da profissão , que não passou nem nas proximidades de uma porta da RBS. Está salva!
Ainda vou conseguir ser visceral. Radicalmente contundente. Sei que posso dizer muito mais. Mas estou sob censura.
Um caso raro. Boris Kossoy pensa e escreve sobre fotografia e fotografa. Faz as duas coisa com a máxima competência. Tem um texto crítico e elegante. E fotos maravilhosas. “Boris Kossoy – fotógrafo”, é um livro da Cosacnaify. Muito bom o capítulo “O caleidoscópio e a câmara”, do próprio Kossy, assim como a conversa com Paulo César Boni.

“Como foi seu encontro com fotografia?
Kossoy – Foi em razão de uma câmara que ganhei por volta de 1954 ou 1955, quando eu tinha treze ou quatorze anos. Uma câmara de fole que tenho até hoje. Fiz com ela minhas primeiras fotos. Ela está meio acabada… Não é possível ler nem o nome, nem a marca… Imagine que a velocidade ia até 1/125.”
Se tivesse a oportunidade de entrevistá- lo, entre outras tantas perguntas, teria a curiosidade de saber quantos prêmios ele coleciona. Claro que seria uma pergunta completamente imbecil diante de tantas coisas interessantes de se aprender com ele. Mas seria uma curiosidade com o espírito comparativo que todo jornalista deveria ter.

“A noiva” (da série Viagem ao fantástico). Franco da Rocha, SP, 1970

“Surpresa na estrada” (da série Viagem pelo fantástico). Periferia de SP, 1970
boêmia sob controle decreta sua própria morte
Porto Alegre é uma cidade reacionária. Com uma zona de boêmia (?) absolutamente controlada por diversos mecanismos repressivos. Tudo que existe de mais à extrema-direita em termos de ordenamento das pessoas. Michel Foucault escreveria uma tese. Nada de barulho. Bares fechados a partir das 22 hrs. Comparativamente com a Lapa a Cidade Baixa é uma piada. Está mais para local apropriado ao bundismo. Palco de exibição do aparato policial, com regulares operações de visibilidade; política de relações públicas, visual. Espetáculo para o showrnalismo. Outras áreas da cidade, com movimento quase idêntico, onde também não ocorre nada de grave, o policiamento é insigniticante. Os jornalões da mídia corporativa estão de costas, insisto, para a cidade real. E a hegemonização destas subjetividades de extrema-direita fica por conta do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações). De Zerolândia, do jornalismo da opinião isenta de Zero Hora. Sempre do mesmo lado, a extrema-direita. O número de traficantes presos dobrou desde 2006. A violência não diminuiu. Os setores mais arejados estão procurando diferenciar o usuário qualificado (o cara que compra uma paranga, tira uma bera prá fumar e vende o resto pros amigos) e o grande traficante. O maior número de prisões é de mulheres. O reacionarismo continua impedindo uma grande e aberta discussão sobre o tema. E assim, vão jogando mais e mais pessoas nas Prisões da Miséria. Jornalistas, com raríssimas excessões, estão literalmente de costas para o país real. São os maiores criminosos. Fazem de conta que não estão vendo nada. Esta grande rede de conivências corporativas começa nas faculdades de comunicologia.
Não gosto de marcar posição dizendo que é a minha opinião como jornalista que exerce a profissão nos últimos 40 anos, que tem uma história de militância política por 45 anos, sendo quase dois de cadeia; e, por último, com o exercício de quase 20 anos como professor de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS). Não reivindico a verdade. Apenas uma pequena parte. Com a idade cultivo dúvidas. Sou contra o diploma da hipocrisia. A grande reportagem de hoje é um release da Polícia Federal.
o quilombo dos silva
está sob ameça, policial.
Bairro Três Figueiras, PO.
O título expressa a minha opinião. Livro de fotografia é muito caro. Nos “sebos”, livraria de usados, estes também são vendidos quase que pelo preço de novos. O estado de conservação em geral bom. A procura é sempre grande. É preciso ser um “garimpeiro” dedicado para encontrar alguma coisa interessante. Já consegui várias preciosidades. Alguns Cartier-Bresson foram comprados nos sebos. Em uma dessas Derivas encontrei “Paisagens do Quotidiano – encontros de fotografia”, edição inglês/português,de 1988, do Museu Antropológico, de Coimbra, Portugal. O livro em formato pequeno impede uma boa reprodução de algumas das fotos que ocupam duas páginas. Foi adquirido – a primeira vez – em janeiro de 2000 em Lisboa.

A foto da capa é de Johannes Bakes. Ele nasceu em Essen, na Alemanha, em 1958. Vive e trabalha em Berlim como fotógrafo.

Foto Antônio Júlio Duarte. Nasceu em Lisboa, Portugal, em 1965. Também trabalha como fotógrafo.

Foto de Gabrielle Basilico. Nasceu em Milão, Itália, em 1944. Trabalha em Milão.

Foto de Hannah Strkey. Nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1971. Vive e trabalha em Londres. Já teve alguns livros publicados.

Foto de Joseh Koudelka. Nasceu em Boskovice, Checoslováquia, em 1938. Vive e trabalha como fotógrafo em Paris, na França. Nenhum destes fotógrafos têm 50 prêmios.
O fotojornalismo atual, dos jornalões da mídia corporativa é muito pobre, sendo que o local (tipo ZH) chega ao nível da indigência. Tem editor mandando o fotógrafo “produzir” a melhor foto para aquilo que o jornal ”quer dizer”. Cenografia, cascata, fotocampana é o cardápio-show da alienação cotidiana. É a minha opinião como professor de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) , com 4o anos de exercício da profissão. 45 de militância política e com um pequeno nível leitura. Graças aos bons deuses nenhum prêmio. Fotografo o cotidiano de Porto Alegre desde 1972, após um período de quase dois anos na cadeia, quando retomo a atividade de jornalista.
estou na contramão
continuo gauche
vou morrer gauche
“Uma derrota definitiva do diabo (por inconcebível que seja) seria uma catástrofe cósmica irrediável. O mundo se dissolveria. Mas a nossa tradição nos ensina que o mundo foi criado por Deus. Começamos a perceber os motivos positivos do diabo. E os motivos divinos continuam obscuros. Já agora intuímos o fato de que o diabo é-nos mais próximo que o senhor, e que seguir o diabo é muito mais cômodo e simples do que perseguir os obscuros caminhos divinos.” de Vilém Flusser.

As três descansavam em um banco da avenida Borges de Medeiros, centro de Porto Alegre, proximidades da Rua da Praia. Segundo elas, aproveitando um dia sem chuva. Clique nas imagens.

Ele é o Alemão do Pão. Faz a distribuição entre as “carrocinhas” da área central da cidade.

Esta é uma das “carrocinhas” de maior movimento. Fica na Borges, calçada da antiga loja Guaspari, próximo do ponto de táxi.

Largo Glênio Peres, próximo do Chale da Praça XV, sentada na sombra. Ela viu que estava sendo fotografada.

A imagem de uma pessoa muito velha com grande dificuldade para caminhar. Passou a subjetividade de abandono.

Seu Walter vende lanches no centro nos últimos 11 anos. Tem uma freguesia certa entre os motoristas dos pontos de táxis. É o Walter do Lanche.

Passou uma boa parte da tarde como observador no Largo Glênio Peres.

Não são poucos os que param para ler a capas das revistas nas bancas do centro.
Uma coisa é certa. Os jornalões da mídia corporativa estão de costas para a cidade real. O fotoshowrnalismo deles é cenografia. É muito fácil fotografar conversando com as pessoas, dizendo a elas as razões dos registros realizados. O Alemão do Pão ou o seu Walter do Lanche, assim como as três amigas, todos, estão dispostos a conversar e contar alguma coisa de suas respectivas histórias. Jornalismo se faz, fundamentalmente, flanando pela alma encantada das ruas. Precisamos resgatar esta ideia. Fiz fotos com a digital, com uma Pentax SP 1000 toda mecãnica, com o velho pb tri-x 400 e com uma Diana F+ com filme pb 120mm, 400TX da Kodak. Fotos para serem (re)vistas em 2050. Faço estes registros desde a década de 70 quando comprei a Pentax na antiga casa Cambial; com os primeiros salários da velha rádio Continental.