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o mesmo e um outro

Este foi escrito em janeiro deste ano. Inspirado e dedicado a uma mulher. Daqui uns tempos terei coragem para mostrar desenhos feitos para cada haikai, na técnica de sumiê, em papel de arroz e traços feitos com carvão de gergelin. Sem nenhum domínio técnico apurado. Tenho feito tentativas para que descubram o quanto sou muitos. Por algumas pessoas, em especial, e próximas. Não quero ser pauta de porra nenhuma. Nem tão pouco publicar ou expor. Sou, sempre, o mesmo e um outro. No momento, parcialmente, paralisado pela falta do escritório. Estou procurando a pasta com estes desenhos. Tenho, sempre, uma imensa dificuldade em escrever, fotografar, desenhar e de desenvolver atividades ditas “intelectuais”. Sempre fui um grande leitor e continuo sendo. Alterno com períodos de “ruminação” e de derivas rueiras. Desde os tempos em que, com nove anos, ganhei a coleção completa de Monteiro Lobato. E, no entanto, são as minhas atividades diárias e preferidas. As únicas que continuam me mobilizando. Talvez ainda venha ter alguma chance. Caminhando em uma nova direção. Minhas vontades continuam mobilizadas.

das procuras

Nenhum sentimento ruim a estas alturas. Nunca me esforcei tanto, como nos tempos atuais, para ser acima de tudo uma pessoa de bons sentimentos. E, por isso mesmo, sempre pronto para novos combates. Sou um incansável leitor de Musashi. Sempre um esforçado aprendiz. Tenho um caderno com uns 500 haikais, escritos em diferentes momentos da minha vida, mas só agora começo a arriscar, mostrando alguns deles. Revolvi, nos últimos dias, abrir algumas destas escrituras que denomino de futurizantes. O bem acima é antigo. E o outro é bem recente.

homenagem permanente a oscar niemeyer

Muitas vezes ficamos, noite adentro, a conversar com os amigos. Conversa fiada, que nos faz muito bem. E falamos de tudo. De política, de futebol, deste mundo perverso em que vivemos, dos nossos irmãos das favelas, dos meninos de rua a correrem pela madrugada, sem uma esperança sequer. Não raro falamos do futuro, do inesperado, que tudo domina, e muitas vezes contra nós. Até da figura sinistra de Bush nos ocupamos. E aí, nacionalistas, todos se levantam a falar da Amazônia tão ameaçada e da política externa de Lula, que só podemos aplaudir. No último encontro, observei que começava a me repetir (pessimista), a comentar sobre a fragilidade das coisas e das nossas pobres vidas. E, sem cair no niilismo, passando por Schopenhauer e pela leitura de ‘L’être et lê Néant’ (‘O Ser e o Nada’), que nunca esqueci, aceitava a pouca importância da vida e de tudo o mais.  MAIS SOBRE OSCAR NIEMEYER A PARTIR DAQUI. Seqüência de páginas com o desenho original da revista eletrônica Pontodevista.

qual o sentido?

Todos nós queremos ser famosos, ser vistos, congelados, preservados na mídia,  porque nós acabamos valorizando o que é visto mais do que o que é realmente vivido. De algumas forma nós entendemos tudo ao contrário e as imagens nos parecem mais reais do que as experiências. Para saber que nós realmente existimos, que nos realmente importamos, temos que ver nossos fantasmas preservados em fotografias, em programas de televisão e em fitas de vídeo, nos olhos do público. E quando você sai de férias, o que você vê. Muitos turistas com câmaras de vídeos colocadas em seus rostos, como se eles estivessem tentando chupar todo o mundo real para o mundo bidimensional das imagens, gastando o seu “tempo de folga” vendo o mundo através de uma pequena lente de vidro. É claro, transformar tudo que você pode sentir com os seus cinco sentidos em informação gravada que você só pode observar à distância, desligados, lhe oferece a ilusão de ter controle sobre sua vida: você pode rebobinar e assistir de novo, quantas vezes você quiser, até que tudo pareça ridículo. Mas que tipo de vida é essa?

Pontodevista continua sob censura

Se não posso comentar terminadas matérias não digo nada sobre nada. Estou submetido a uma multa diária de 150 reais caso aponte algumas falcatruas jornalísticas de Zerolândia (jornal Zero Hora). Fui absolvido, em primeira instância, no processo criminal que é movido por um funcionário com 35 anos de serviços prestados ao PRBS (Partido Brasil Sul de Comunicações).  O showrnalismo isento de Zerolândia está retomando, realimentando, reativando a subjetividade “vivemos a violência total”, de uma outra forma, até mesmo pelo fato de que mudou a conjuntura. Talvez não tenhamos mais, por exemplo, um ” Estatuto do desarmamento bandido da Vila Cruzeiro”, do Causo Wagner. Nunca se sabe. É arriscado este tipo de previsão.  Tanto é assim que tivemos as manchetes:”Vamos governar com a arma do diálogo’, em o4 de outubro; “Tarso descarta ruptura com projetos de Yeda”, em 07 de outubro; “Vitória inédita no primeiro turno”, jornal da eleição. Tudo muito “simpático” ao novo governo. Estou evitando a leitura de Zerolândia. Logo que encerrar minha atividade de professor de jornalismo cancelo a assinatura. Não ando mais monitorando essa falcatrua, mas é evidente que os caras atuam como um Partido, estabelecendo a cada momento a pauta, aliados e inimigos. Sempre em cumprimento aos interesses do que existe de mais reacionário e fascista na sociedade do gauchismo babaca.