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viagem em raios de luminosidade

Retornamos de Cocane. Um país de localização desconhecida, confundido às vezes com Cucana, famoso por sua comida requintada, que não é cozida, mas cresce como flores. Doces e chocolates nascem na borda das florestas, pombos assados voam pelo ar, vinho perfumado jorra de muitas fontes e bolinhos chovem do céu. O Palácio Real é feito inteiramente com açucar. Nesse país pessoas ficam brigadas, com alguma freqüência por dois ou três dias, fazem as pazes, e, a seguir, ficam uma noite e um dia só de amores,  intensos. Coisa de pessoas que namoram apaixonadamente. As ruas são calçadas com pastéis e as lojas fornecem objetos de graça. Nenhum caso de bulimia registrado. Diz-se que as casas de biscoitos de gengibre existentes em algumas florestas do mundo vem de lá. Os habitantes gozam de imortalidade porque desconhecem qualquer tipo de guerra. Quanto atingem 50 anos voltam a ter 10 anos de idade. Todos fumam uma erva de nome diamba. E acham graça de tudo. É muito legal lá.
Para se chegar em Cocane é preciso embarcar em um corredor de pura luminosidade.  A volta é bem simples. Quando menos nos damos conta conta, após fumar um charuto da erva deles, você se vê caminhando em algum ponto da cidade onde reside . Sempre fica uma dúvida se a viagem aconteceu ou não. Mas aí pouco importa. É um tudo uma grande curtição. Não tou em aí.

das viagens

Cada vez que vejo uma bicicleta lembro da debilidade mental do atropelamento de vários ciclistas na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Sem rumo, circulando pelo centro, aprendendo a utilizar o equipamento novo, talvez por essa única razão, fotografei a bicicleta de vários posições com uma lente leica   25mm 2.8, adaptada com um anel em uma Canon, sempre no manual.

Tenho pensado, seriamente, em percorrer Garamante de bicicleta, em uma verdadeira aventura fotográfica. Este país situado em um vale a leste das montanhas Rifei, do lado afgã dessa cadeia de montanhas. Os habitantes, também chamados garamantes, não devem ser confundidos com a tribo do mesmo nome que vive no deserto da Líbia, ao sul de Sirti.  Os garamentes das montanhas Rifei são um pequeno grupo de bárbaros que jamais foram conquistados por outras tribos, graças, sem dúvida, ao seu isolamento natural e à extrema dificuldade de chegar ao vale onde vivem. Os garamantes praticam a agricultura e a pecuária e obedecem a seis leis que regulam o governo, religião, vestuário, família, filosofia e hereditariedade. Todas as roupas, por exemplo, são totalmente uniformizadas, tanto para homens como para mulheres. A Zara, masculina e feminina, não conseguiu se instalar por lá. Os mentirosos são condenados à morte. Tenho medo de ser fuzilado nessa incursão ao país Garamente. Advertem-se a todos os viajantes de que não terão permissão para adorar mais de dois deuses de cada vez. Eles não conhecem uma bicicleta, mas ouviram vagas notícias sobre o atropelamento de ciclistas na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Dizem que as mulheres de lá são lindas.

nossa condição virtual e ações mais complexas

Assinalo que “trabalhamos apenas com coisas que não existem:linhas, planos, átomos, intervalos divisíveis  de tempo, espaços divisíveis. Como podem as explicações ser possíveis quanto primeiro transformamos tudo em uma imagem, nossa imagem!”

por ações mais complexas

“Sobre as revoltas na Itália: isso vem desde a publicação do “Sobre a miséria no meio estudantil” (1966), que começou em Estrasburgo e prosseguiu ao longo de 1967, com a formação do Les Enragés e do Mouvement du 22 Mars. Depois de 68, vários pós-estruturalistas passaram a questionar a eficiência dos métodos de subversão e sugeriram que “a falência dos eventos clamava por novas explicações para como a sociedade deveria ser organizada e subvertida”. A insistência desses, de que não há um sentido coeso por trás das ações, uma realidade por trás do discurso, uma unidade por trás dos fragmentos e de que, por mais revolucionária a ideologia, será “reificada” pelo sistema espetacular, renega a utopia vanguardista do fim da separação e da conquista da totalidade da vida. A importância de manifestações específicas dá voz a experiências particulares que, por se defenderem à parte de uma luta total, acabam indo contra si mesmas e um modo de vida que é total e atinge todos. Movimentos como o britânico Angry Brigade (AB) ou o italiano Red Brigade usaram ferramentas geniais contra o sistema justamente por serem incompreensíveis. O ITALIANO Gianfrancesco Sanguinetti perturbou o país com o texto “Verdadeiro relatório sobre a última chance de salvar o capitalismo na Itália”. O falso relatório foi enviado aos líderes do sistema –, com ideias oficiais misturadas às de Sanguinetti, que utilizou a linguagem dos ministros e informações não-divulgadas ao público. As coisas que ele sabia + a forma com que foi pronunciado foi estratégico demais pra levantar suspeitas. O potencial de subversão cresce juntamente com as formas de exercício e controle de poder. Os meios de comunicação e de disseminação de conhecimento, cultura e informação assumem uma maior sofisticação e significância pra manter a estrutura do sistema e as possibilidades de apropriação e de desvio destes meios aumentam. Cabe a nós acompanhar a complexidade das estruturas sociais e comunicativas de hoje com pensamentos e ações ainda mais complexas. É isso que venho tentando te dizer… Tudo isso já foi tentado. É preciso estar à frente, já dizia a avant-garde.” (texto é de Juliana Szabkluk)

Trabalhamos apenas com coisas que existem virtualmente:linhas, planos, corpos, átomos, intervalos divisíveis de tempo, espaços divisíveis. Como podem as explicações ser possíveis quando primeiro transformamos tudo em condição virtual, nossa condição virtual!

Não haverá vencedores no Rio de Janeiro

grande fraude midiática global. zerolândia se jogou de corpo e alma

Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar. Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida. Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa. As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à* Vila Cruzeiro*e ao *Complexo do Alemão*, zona norte do Rio de Janeiro. O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica
da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores. Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio *Complexo do Alemão*, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo. Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde *Canudos*. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática. Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas? É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve. Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza – onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna “guerra” entre o bem e o mal. Como o “inimigo” mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da “guerra”, enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual. É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas *UPPs* se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer. O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela. Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente – com as suas comunidades tornadas em praças de “guerra” - não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz. Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário.

MARCELO FREIXO,* professor de história, deputado estadual (PSOL-RJ), é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O tráfico se orienta pelas leis de mercado. É o capitalismo “ultra-selvagem”. A pergunta, entre tantas outras, é que grau de relações doentias tomou conta de uma parcela da população que cheira esta quantidade absurda de pó encontrada no Complexo do Alemão? Nunca é demais lembramos que o pó é uma droga do sistema: induz ao trabalho, provoca super atividade durante algum tempo, “broxa” tirando a libido e “potência” regeneradora do sexo. Tem esta função “broxante”  que tira a vontade de vida. Bem ao contrário dos efeitos da diamba, por exemplo. Ninguém fuma para trabalhar com a visão de ficar rico e poderoso. O trabalho vira curtição. Todo mundo sabe que executivos, publicitários e outras atividades mantededoras do sistema funcionam “bem” com o combustível do pó. Comunicólogos sabem do que estamos falando. Ou não? Pela regras de mercado deve aumentar o preço da cocaína e o grau de clandestinidade para a compra, em todo o país, com uma redução pouco significativa no consumo. Este comentário não é resultante de uma visão a partir de algum ponto localizado à direita. É simplesmente uma visão sem nenhuma carga preconceituosa ou criminalizadora.
Não podíamos deixar passar a oportunidade do comentário destas duas fotos publicadas na edição de ontem (29.11.2010), no jornal Folha de São Paulo. Ao ver esta foto como jornalista, imediatamente, pensei em algumas práticas do jornal Zerolândia.  De cara, literalmente, fui conferir o crédito. De saída imaginei uma foto divulgação, um release. É da agência O Dia, “produzida” como espetáculo. Um bom exercício comparativo será leitura das quatro revistas semanais do próximo fim de semana.