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o gaúcho do sequestro do embaixador elbrick

 

 

 

 

 

 

“Democracia, só a VERDADEIRA DEMOCRACIA, que não se conseguirá sem a liquidação do monopólio da terra, sem a derrota do imperialismo ianque e sem a substiuição do atual governo de traição nacional por um governo democrático, progressista e popular”.  (Carlos Marighella, Revista Problemas, janeiro de 1948, N.6). Encontrei esta preciosidade em um “sebo” de POA e mais uns quatro ou cinco exemplares. Os velhos comunistas colecionavam esta revista. Liam e discutiam os imensos artigos publicados. Sem entender nada acerca do materialismo dialético, mas me achando muito adulto, perdi algumas tardes lendo textos de Stalin. Quanto este exemplar foi publicado ainda não tinha nascido.

direto do baú

 

“Apesar de perseguidos pelos agentes do Cenimar, os guerrilheiros que estavam na casa do Rio Comprido conseguiram escapar. Entre eles Toledo, que completara 56 anos no dia 5 de setembro. Contudo a repressão veio com tudo para cima da ALN e do MR-8. No dia 9 de setembro, um dos guerrilheiros do MR-8, Cláudio, o mesmo que dirigira o Cadiliac, foi preso num apartamento do Leme, no Rio, após trocar tiros com a equipe do Cenimar. O militante encarregado de limpar a casa da Barão de Petrópolis após o sequestro descuidara-se e deixara um paletó de Cláudio na casa. A partir da etiqueta do alfaiate, o Cenimar chegou até o apartamento de Cláudio. Toledo, Virgílio e dois outros militantes da ALN conseguiram com muita dificuldade furar o cerco e chegar até São Paulo, onde o clima também estava carregado. As primeiras quedas da ALN começaram antes mesmo do seqüestro de Elbrick.”

 

(trecho do livro, pág 210. Cláudio do texto é Cláudio Torres, estudante da Faculdade de Economia da UFRGS e dirigente estudantil do DCE –Diretório Central dos Estudantes. Notem que a UFRGS nunca comemorou o fato de ter um ex-estudante diretamente ligado à história do sequestro do embaixador americano.)

 

 

 

 

 

a história do olho

 

“Fui criado sozinho e, até onde me lembro, vivia angustiado pelas coisas do sexo. Tinha quase dezesseis anos quando conheci uma garota da minnha idade, Simone, na praia de x. Nossas famílias descobriram um parentessco longínquo e nossas relações logo se precipitaram. Três dias depois de nosso primeiro encontro. Simone e eu estávamos a sós em sua casa de campo. Ela vestia um avental preto, e usava uma gola engomada. Comecei a me dar conta de que ela partilhava minha angústia, bem mais forte naquele dia em que ela parecia estar nua sob o avental. Suas meias de seda preta subiam acima do joelho. Eu ainda não tinha conseguido vê-la até o cu ( esse nome, que eu sempre empregava com Simone, era para mim o mais belo entre os nomes do sexo). Imaginava apenas que, levantando o avental, contemplaria a sua buda pelada. Havia no corredor um prato de leite para o gato.
- Os pratos foram feitos para a gente sentar – disse Simone.

Quer apostar que eu me sento no prato?

- Duvido que você se atreva – respondi ofegante.

Fazia calor. Simone colocou o prato num banquinho, instalou-se à minha frente e, sem desviar dos meus olhos, sentou-se e mergulhou a bunda no leite. Por um momento fiquei imóvel, tremendo, o sangue subindo à cabeça, enquanto ela olhava meu pau se erguer na calça. Deitei-me a seus pés. Ela não se mexia; pela primeira vez, vi sua ‘carne rosa e negra’  banhada em leite branco. Permanecemos imóveis por muito tempo, ambos ruborizados.

De repende, ela se levantou: o leite escorregou por suas coxas até as meias. Enxugou-se com um lenço, por cima de minha cabeça, com um pé no banquinho. Eu esfregava o pau, me remexando no assoalho.

Gozamos no mesmo instante, sem nos tocarmos. Porém quando sua mãe retornou, sentando-me numa poltrona baixa, aproveitei um momento em que a menina se aninhou nos braços maternos: sem ser visto, levantei o avental e enfiei a mão por entre suas coxas quentes.

Voltei para casa correndo , louco para bater uma punheta de novo. No dia seguinte, amanheci de olheiras. Simone me olhou de frente, escondeu a cabeça contra o meu ombro e disse: ‘ Não quero mais que você bata puheta sem mim.’

Assim começou entre nós uma relação amorosa tão íntima e tão urgente que raramente passamos uma semana sem nos ver. De certa forma, nunca falamos disso. Percebo que ela tem , na minha presença sentimentos semelhantes aos meus, difíceis de descrever. Lembro-me de um dia em que passeávamos de carro em alta velocidade. Atropelei um ciclista jovem e bela, cujo pescoço quase foi arrancado pelas rodas. Contemplamos a morta por um bom tempo. O horror e o desespero que exalavam aquelas carnes, em parte repugnantes , em parte delicadas, recordam os sentimentos…”

sobre minhas leituras de Bataille

(texto de junho de 2004) 

 

Nos últimos 15 anos tenho lido, sistematicamente, todos os textos de George Bataille (1897/1962), em seguida que são publicados. E, cada um destes textos, estabelece rupturas, verdadeiras brechas, pela forma surpreendente, desconsertante com que algumas das mais importantes questões de nosso tempo são abordadas. São textos viscerais. Não temos a pretensão de nos colocarmos entre os que se consideram grandes conhecedores do pensamento de Bataille. Ao contrário, a cada leitura, ou ainda, quando da publicação de um texto inédito ou de uma reedição, somos empurrados para uma nova (re) leitura; e, por isso mesmo, este é um autor do qual nunca conseguimos nos distanciar. A recente reedição de “História do Olho”, pela Cosac& Naify desencadeou, mais uma vez, este processo, sendo que acompanha – desta vez – os ensaios de Michel Leiris, Roland Barthes e Julio Cortázar. Com uma certa doze de paciência e sorte é possível garimpar alguns destes livros nos sebos. ” O ânus solar” é uma edição portuguesa , da Hiena Editora, de 1985, com uma tiragem de apenas 1000 exemplares. Desconheço a existência de uma edição brasileira. “A Experiência interior”, da editora Ática está esgotado, assim como quase todos os outros. “A Parte Madita”, precedida de ” A Noção de Despesa” é uma leitura obrigatória, ainda hoje. (wu)

 

 

 

Álbum da revista Pontodevista

Uma das editorias da antiga revista Pontodevista era de fotojornalismo. Com a instauração dos processos movidos por um funcionário da errriiiibécccciiiii – Partido Rede Brasil Sul de Comunicações -fomos obrigados a retirar tudo do ar pela impossibilidade de realização da “limpeza” determinada pela Justiça. Ganhamos o processo na esfera criminal, em todas as instâncias, mas ainda corre o cível, onde fica determinado uma multa diária de 150 reais diários caso realize críticas na linha adotada.  A partir daí passamos a trabalhar apenas com o Blogpontodevista. Colocamos “na lata do lixo” oito anos de nosso trabalho na revista destinada ao ensino de JORNALISMO. Visite a partir DAQUI o Álbum fotográfico da antiga revista Pontodevista. Páginas com o desenho original.

não diga: “estou com vontade de foder”

diga: “estou nervosa.”

Da revista eletrônica Pontodevista, antes do processo de censura resultante de uma ação movida por um funcionário com 35 anos de éééérrriibeéééccci – jornal Zero Hora: LEIA AQUI, da sessão erotismo, com o desenho original da época. No processo criminal, em todas as instâncias, não foi considerado crime nenhuma de nossas críticas, assim como o uso de apelidos amplamente conhecidos em toda a categoria.

Página 53 do livro “Tratado de ateologia”, de Michel Onfray, Martins Fontes.

Imagens

As imagens da coluna da esquerda são do arquivo do jornal Última Hora. A primeira delas é uma manifestação pela celebração do Dia Nacional de Pequim, em 01.10.1960;  a seguir, manifestação popular no funeral do presidente Getúlio Vargas, em agosto de 1954;  a “banda” os Mutantes, em dezembro de 1970; e, por último, uma cena do filme “Terra em Transe”. de Glauber Rocha com os atores Jardel Filho e Modesto de Souza, em 1967.