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Tua graça caminhava pelos meus pensamentos. Encantado sinto tua ausência em absoluta perplexidade.

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Liberdade programada

“Em aparelhos não ainda inteiramente automatizados, em aparelhos que exigem para o seu funcionamento intervenção humana, tal  ’acidentalidade’ não é aparente. O fotógrafo profissional parece levar o seu aparelho a fazer imagens segundo a intenção deliberada para a qual o fotógrafo se decidiu. Análise mais atenta do processo fotográfico revelará, no entanto, que o gesto do fotógrafo se desenvolve por assim dizer no ‘interior’ do programa do seu aparelho. Pode fotografar apenas imagens que constam do programa do seu aparelho.”

“Por certo, o aparelho faz o que o fotógrafo quer que faça, mas o fotógrafo pode apenas querer o que o aparelho pode fazer. De maneira que não apenas o gesto mas a própria intenção do fotógrafo são programados. Todas as imagens que o fotógrafo produz são, em tese, futuráveis para quem calculou o programado aparelho. São imagens prováveis.”

Imagens produzidas em lomography com uma máquina Diana F+. Filme 120mm, superia X-TRA 400 da Fujifilm. “Escaneada” de um negativo 6×6. Foco em infinito. Abertura para dia nublado. Leve diminuição de contraste. Centro de Porto Alegre, em agosto de 2010.  Em “lomo” percebemos a exata dimensão da “obviedade” pensada por Vilém Flusser.

“Em toda imagem técnica é possível descobrir-se tal colaboração e luta entre o programador e a liberdade informadora.” Textos de Vilém Flusses, selecionados do livro “O Universo das imagens técnicas – elogio da superficialidade”, editora Annablume.

Leitura obrigatória para quem fotografa e pensa. Apertador de botão não vai entender nada. “Fotocampana”, por exemplo, só é possível como prática fotográfica com modernos equipamentos. Com poderosas teles. E com uma mente policial, claro.

Lomographya e papos etílicos



na Casa da Cachaça (Lapa)
ela pediu uma “claudionor”




Coisa de uma negra, mineira, que entende. Tomamos algumas conversando sobre as cachaças da região de Salinas. O dono da Casa me mostrou as melhores da Paraíba. Teor alcoólico mínimo de 47%.  Depois de algumas convidei a “negrona” pra me mostrar alguns caminhos mais arriscados. Claro, ela topou. Existe uma velha Lapa, onde é raro se ver um gringo.

Num sábado pela manhã, bem cedinho. Feira da Praça XV (Centro). Ao lado das barcas para Niterói e Paquetá. Ao lado do Paço Imperial. Há coisas úteis, inúteis, interessantes, tranqueiras em geral e raridades. Queriam comprar martelo, carteira estudantil da década de 60… discos, rádios, câmeras fotográficas, óculos, livros. A pé até a Feira Rua do Lavradio (Lapa), passando pelo Arco do Teles, Travessa do Ouvidor, Rua do Ouvidor, sebos, Teatro João Caetano, Teatro Carlos Gomes. Um telefonema para BFAP (Banco de Financiamento das Atividades de Pirataria).   A Al-qaed liberou mais recursos. Modelo, manequim, ator, professor, jornalista, bailarino, caminhante, derivante, cachaceiro e intelectual. Para fechar o dia: Lapa (Casa da Cachaça, Semente) e depois, pra encerrar a Lapa, uma canja de galinha no Garota do Flamengo.







Só mercadorias têm direitos no interior dos shopping centers. Um bando de ingênuos são atraídos por estes espaços “publicos” privatizados. A ideia é de que quanto menor o público, maior a ordem e o controle. Das ruas. O que na atualidade é chamado de Sindicato não passa de uma burocracia trabalhista. Precisamos encontrar novos caminhos na luta contra os processos de absorção de imagens da atual estrutura de narrativas totalizantes.  Temos que aprender a utilizar os novos mecanismo (blog, twitter, facebook, etc) não com a lógica que o sistema determina. Cada intervenção deve ter a função de implodir com alguma coisa. Vilém Flusser dizia que “as questões que os novos engajados devem formular são, pois, necessariamente técnicas, por exemplo: como é possível se alterarem os feixes que irradiam imagens e dispersam a sociedade em indivíduos solitários e programados?” E não podemos perder de vista o fato que “nossas” imagens poderão ser utilizadas como instrumentos de cartografia.  O guerrilheiro midiático passa muitas horas vagabundeando pelas ruas e muito pouco tempo na frente de telas. Só o necessário para promover atos de terrorismo poético. Trabalhem pela desorganização do sistema. Ser de “esquerda” reproduzindo a lógica do sistema (eu revolucionário produtor de revolução em cima do caminhão de som ou do  palanque x massa de consumidores de revolução aí em baixo) é coisa de Bundão. O mundo dos acontecimentos acaba, assim, substituindo o mundo das coisas, segundo Roullié.  Ele também diz que ” o novo real convoca novas imagens, novos dispositivos de imagens para novos modos de crença”.

Vandalize! Sim, seja um vândalo. Caos é uma criação contínua. Fique com o Zen da discórdia. Luta de classes existe, sim!!!!!!

A cidade em lomography

Fotos do centro de PA em Lomography, proximidades do Mercado Público, máquina Diana F+, lente olho-de-peixe, filme 400Tx da Kodak, 120, formato 6×6, foco em infinito, abertura para dia nublado. Negativo “escaneado”, com leve diminuição do contraste. Imagens para imaginar. Registros com singularidade. “O real é infotografável”, segundo François Solages. Clique nas imagens.

Preitura de PA e um das pontas do Mercado Público. “A imagem fotográfica é espaço imaginário e efeito de um processo que liga o imaginário e o real, Talvez o receptor não possa rever tudo nem reviver tudo: é o específico da arte. Ele vê o caminho e as direções.” ( de Hervé Babot)

Chalé da Praça XV. “….conspirem (JORNALISTAS) contra a crescente indústria da anestesiação automática.”  Ou ainda: ” Os escritos não são código apropriado para a observação, para a contemplação. As imagens são mais apropriadas para isso.” (de Vilém Flusser)

Clique nas imagens. Mercado Público (PA). De Vilém Flusser: “Quanto mais conciso, melhor, pois tudo que é desnecessário é indesejável”.  A concisão é a palavra-estilete. A que perfura a alma por carregar emoção.

Me sinto velho, como se tivesse
Vivido muitas vidas.
E agora nunca poderei saber
se sou louco
ou se fiz que o determina
o meu carma
                           Gary Snyder

                                         ”…. a poluição é o lucro de alguém.”
                                                                                             Gary Snyder

São poucas informações?  (Wu)

EM SALA DE AULA

LOMOGRAPHY

Centro de PA, Av. Borges de Medeiros a partir do Mercado Público em direção à Rua da Praia. Máquina Diana F+, com filme 120m 400TX da Kodak, em pb, foco em infinito, abertura para dia meio nublado, “escaneado” de um negativo 6×6, sem nenhuma manipulação digital, corte na parte inferior.
       Acho que iniciei bem o semestre. Sinalizando o que estou pensando sobre várias questões. E com que grau de emoção, ainda, entro em sala de aula. Não como professor, mas como um simples JORNALISTA.