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sábado de sol em lomographia

sábado (09.06.2011) de muito sol de um inverno bem frio

Este grupo se reuniu, na Redenção, para a prática de fotografar com as câmeras de Lomographya. Cada um com sua Diana F+ ou com sua Holga se preparava para a “excursão”, com orientação do Flávio (abaixado), da Escola de Fotografia do Projeto Contato.
Com uma câmera Diana F+ a fotógrafa já se divertia mesmo antes de começar a atividade do grupo.  Em um outro encontro, após a revelação dos filmes, cada um vai mostrar o resultado da  prazerosa brincadeira de fotografar em lomo. Já estou de férias, nos espaços virtuais, mas não podia perder esta oportunidade. Não lembro quem dizia que a cada avanço tecnológico ( câmara digitais sofisticadíssimas) sempre ocorre uma revalorização dos aparelhos mais antigos. Ou coisa parecida. Fotografar em Lomo é um exemplo. Virou moda. A estas alturas são tantas referências e leituras que, propositadamente, vou embaralhando tudo. Pode ser  até que esta seja uma conclusão “minha”.

em lomography

Largo Glênio Peres, centro de Porto Alegre, maio de 2011.
A partir de um café, lateral do prédio da prefeitura, Largo Glênio Peres.
Também do mesmo Largo, mas em direção ao Chalé da Praça XV
Sinaleira da Felipe Camarão, em direção à Av Osvaldo Aranha, lateral do Pronto Socorro, bairro Bom Fim (POA).  Em uma máquina Lomography, filme 35mm,  BW400CN. Olhar imagens no sentido horário. Negativos escaneados, sem qualquer manipulação ou corte. Nada foi alterado em termos de luminosidade.  A câmera é uma Actiopnsampler.

diante do avanço das imagens digitais

“A fotografia na contemporaneidade, em muitos aspectos, não pode mais ser associada aos princípios de sua origem: como grafia de luz (do grego phos e grafia) frente aos recursos digitais que possibilitam, e até mesmo popularizam, as experiências fotográficas. As luzes e suas grafias, neste contexto digital, podem ser criadas, trabalhadas, modificadas. A incidência da luz sobre as superfícies sempre produziu diferentes olhares e isto não é nenhuma novidade. A luminosidade cria contornos, produz  eixos de visibilidade e recria, com auxílio dos recursos da técnica e da arte, os mundo e as realidades cotidianas. A luminosidade padrão, ligada à luz branca e fluorescente, é característica de um modo de vida ligado à modernidade e instaura, de certa forma, um modo de ver também marcado pela padronização, deixando em segundo plano o jogo de sombras e efeitos. O olhar, assim , orienta-se para a possibilidade de ver em ‘quantidade’, deixando os detalhes dos jogos da luz e de suas incidências sobre as superfícies, aos olhares da arte e de suas criações.” ( do texto Sobre Psicologia e fotografia, de Jaqueline Tittoni)

Tenho tentado – não sei   se com sucesso e uma certa clareza – associar minha prática fotográfica, talvez muito rudimentar em seus aspectos técnicos,  com a leitura e reflexão sobre o maior número possível de questões  relacionadas à produção e difusão das imagens. Como já assinalei, a partir de um texto de Montaingne: “Quem busca sabedoria, que a busque onde se aloja; não tenho a pretensão de possuí-la. O que aí se encontra é produto de minha fantasia; não viso explicar ou elucidar as coisas que comento, mas tão somente mostrar-me como sou…”  Ou é de   Montesquieu?  (o texto completo está na postagem do dia 18.05.2011)

Um outro olhar

Lomography

Duas imagens do centro de Porto Alegre em Lomography com a máquina Diana F+, sem nenhuma anotação dos dados técnicos. Imagens “escaneadas”  de negativos 6×6, pequeno corte na parte inferior, sem nenhuma manipulação digital. Escapei com vida de um grave acidente de moto com apenas os ligamentos do cotovelo esquerdo rompidos. Estava com equipamentos de proteção da melhor qualidade possível. Devo retomar as atividades em 20 dias. Fiquei hospitalizado por duas semanas. Pretendo manter as postagens diárias utilizando material fotográfico de arquivo e no final do dia algumas postagens no twitter.

Liberdade programada

“Em aparelhos não ainda inteiramente automatizados, em aparelhos que exigem para o seu funcionamento intervenção humana, tal  ’acidentalidade’ não é aparente. O fotógrafo profissional parece levar o seu aparelho a fazer imagens segundo a intenção deliberada para a qual o fotógrafo se decidiu. Análise mais atenta do processo fotográfico revelará, no entanto, que o gesto do fotógrafo se desenvolve por assim dizer no ‘interior’ do programa do seu aparelho. Pode fotografar apenas imagens que constam do programa do seu aparelho.”

“Por certo, o aparelho faz o que o fotógrafo quer que faça, mas o fotógrafo pode apenas querer o que o aparelho pode fazer. De maneira que não apenas o gesto mas a própria intenção do fotógrafo são programados. Todas as imagens que o fotógrafo produz são, em tese, futuráveis para quem calculou o programado aparelho. São imagens prováveis.”

Imagens produzidas em lomography com uma máquina Diana F+. Filme 120mm, superia X-TRA 400 da Fujifilm. “Escaneada” de um negativo 6×6. Foco em infinito. Abertura para dia nublado. Leve diminuição de contraste. Centro de Porto Alegre, em agosto de 2010.  Em “lomo” percebemos a exata dimensão da “obviedade” pensada por Vilém Flusser.

“Em toda imagem técnica é possível descobrir-se tal colaboração e luta entre o programador e a liberdade informadora.” Textos de Vilém Flusses, selecionados do livro “O Universo das imagens técnicas – elogio da superficialidade”, editora Annablume.

Leitura obrigatória para quem fotografa e pensa. Apertador de botão não vai entender nada. “Fotocampana”, por exemplo, só é possível como prática fotográfica com modernos equipamentos. Com poderosas teles. E com uma mente policial, claro.