De férias, entre algumas DEVIVAS, fico transitando entre universos que durante o semestre, em sala de aula, acabo não tendo tempo para me dedicar como gostaria.
Este texto de Breton está pontuado por algumas imagens. Retratos de amigos, fotos da cidade de Paris e fac-símiles de obras surrealistas e cubistas. Para estudiosos da obra dele, o livro é uma “bomba” antiliterária, um fragmento da subjetividade do autor. Walter Benjamin dizia que tais imagens funcionavam como ilustrações de romances populares. Não sei onde li esta observação. É uma anotação feita em uma página do livro. ”Nadja” é uma edição de “luxo” da editora Cosac Naify. Fiz a primeira leitura em 2008.
“Eu sorria. Nada mais. De repente, porém, eu soube
Na profundeza do meu silênciao
Que ele me seguia. Como minha sombra, leve e sem culpa.
Na noite uma canção soluçou…
Os índios se estendiam, como serpentes, pelas vielas da cidade.
Uma harpa e uma Jarana eram a música, e as morenas sorridentes
eram felicidade.
Ao fundo, atrás do ‘Zocalo’, o rio cintilava
e escurecia, como
os momentos da minha vida.
Ele me seguia.
Acabei chorando, isolada no pórtico
da igreja paroquial,
protegida por meu xale de ‘bolita’, encharcado por minhas lágrimas”.
as fotos da coluna da esquerda são dos escritores Truman Capote com destaque para o livro “A sangue-frio”; Carlos Fuentes com destaque para “A morte de Artemio Cruz”; James Baldwin com “Numa terra estranha”; e por último Norman Mailer com destaque para toda a obra.
Atenção pessoal do ME (movimento estudantil) para o livro “1968 – O diálogo é a violência”, de Maria Ribeiro Valle, Editorial Unicamp.
A autora é professora no Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp e autora de outros livros relacionados ao tema . Passando os olhos no índice fiquei com água na boca. O livro começa com a morte do estudante Edson Luís; e, no últimos capítulo, temos a prisão de todos os líderes do ME no XXX congresso da UNE.
Por alguma razão nada clara ou precisa não tenho nenhuma simpatia por Nelson Notta. Os seus livros são interessantes na medida em que ele conta histórias interessantes. Como leio tudo que descubro sobre Glauber Rocha me chamou a atenção “A primavera do dragão -a juventude de Glauber Rocha”, livro dele editado pela Objetiva.
Na revista eletrônica Pontodevista, cujo material fui obrigado a retirar da rede em função de processos movidos por um funcionário com 35 anos de PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação), tínhamos uma sequência de páginas sobre Glauber. Transite a partir daqui nas páginas sobre Glauber com o desenho original.

Edward W. Said era considerado um dos mais importantes intelectuais palestino. Foi professor de iteratura na Universidade de Colúmbia, em Nova York. Morreu em 2003.
MEU ENCONTRO COM JEAN-PAUL SARTRE
“Outrora o mais festejado intelectual do mundo, Jean-Paul Sartre tinha, até bem pouco tempo atrás, quase desaparecido de vista. Ele já estava sendo atacado por sua ‘cegueira’, sobre os gulags soviéticos pouco depois de sua morte em 1980, e até mesmo seu existencialismo humanista foi ridicularizado por seu otimismo, voluntarismo e puro alcance energético. Toda a carreira de Sartre foi ofensiva, tanto para os chamados Nouveaux Philosophes, cujas medíocres realizações tinham apenas um fervoroso aanticomunismo para atrair alguma atenção, como para os pós-estruturalistas e pós-modernistas, que, com poucas exceções, tinham caído num taciturno narcisismo tecnológico, profundamente antagônico ao populismo da obra de Sartre e sua heróica atividade política. A imensa abrangência da obra de Sartre como romancista, ensaísta, dramaturgo, biógrafo, filósofo, intelecutal político, ativista enganjado, parecia mais repelir as pessoas do que atraí-las. Do mais citado maîtres penseurs franceses, ele se tornou, transcorridos cerca de vinte anos, no menos lido e menos analisado dentre eles. Suas posições corajosas sobre a Argélia…”
UM ACADÊMICO COMPROMETIDO: PIERRE BOURDIEU (1930/2002)
“… fiquei impressionado com seu jeito despretencioso, sua cordialidade e seu respeito por um novo amigo e aliado. Sempre sério, nunca foi solene. De maneira um tanto encantadora,raramente perdia uma chance de dizer algo engraçado ou desmistificador. Também nunca posava ou fazia ares de superioridade. Franqueza e sinceridade eram a marca registrada de sua presença intelectual, mesmo que fosse contundentemente irônico em seus ataques contra a impostura e a fraude. Tinha um conhecimento enciclopédico sobre os movimentos sociais, cujas correntes e transformações narrou. O que mais me impressionava, contudo, é como a complexidade e o detalhe nunca o derrotava ou o incapacitava. Pelo contrário, ao objetivar tanto um quanto o outro com inigualável maestria, era também capaz de transitar por uma visão teórica incomparavelmente elegante e estimulante. Isso, creio eu, é o que o tornou um grande professor e inspirador. Isso, e a total ausência de afetação.” (trecho de um ensaio publicado em fevereiro de 2002)

Este é dos melhores livros em termos de estudos comparativos. Edward W. Said era considerado uma das maiores autoridades no tema. Para o próprio entendimento do peso da cultura islâmica é uma leitura obrigatória. Nos livros do pensador palestino temos, além do rigor “acadêmico” um texto elegante.

indigência x inteligência
Muito+ Qual o impacto que teve o AI-5 nos meios de comunicação?
Mino Carta – O AI-5 é o golpe dentro do golpe. O AI-5 reforça e exaspera o golpe de 1964. Este é o golpe a 13 de dezembro de 1968. A grande imprensa é uma das vergonhas brasileiras. Ela defendeu o golpe de 64, e o golpe dentro do golpe, que foi o de 68. A grande imprensa, tirando o Estadão, nunca foi censurada. Nem a Folha, nem O Globo, o JB. O Estadão foi censurado porque era, simplesmente, uma dissidência entre os golpistas. Não que fosse adversário nem inimigo do golpe. Para o Estado estava muito bem o golpe. Sugiro a leitura atenta do editorial do Estado de São Paulo, em 17/11/68. Não existe nada pior em matéria de ferocidade, de maldade, de violência, de covardia… Sobretudo de covardia… O traço maior desta elite brasileira é a prepotência e a covardia, sem contar a ignorância e a presunção. E uma elite, inacreditavelmente, ridícula. Esse é um exemplo de como se faz um editorial. Não existe nada igual. Ninguém nunca conhecerá ao longo da vida, por mais longa que seja, algo similar. A grande imprensa não foi censurada. Achou ótimo o AI-5. Fechou com AI-5. Estava disposta a fazer qualquer negócio. O erro básico é chamá-la de “grande”, é uma imprensa pequena. É a pior imprensa do mundo. Não se pode confrontar um jornal brasileiro com um grande jornal do mundo. Não há condições. Porque é a indigência versus inteligência.
(Texto de uma entrevista com Mino Carta para MUITO+ , n.26)
As fotos da coluna da esquerda: 1- 1926/quatro homens andando sobre a ponte do Brooklyn a Nova Nova York; 2 – 1929/operários descansam depois do almoço em uma rua de Londres; 3 – 1929/operários trabalham em uma máquina de produção de macarrão na Itália; 4- 1927/mulheres trabalham na produção de alimentos no período da primeira guerra mundial.