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"Kafka não tinha muito aptidão para viver, só vivia quando escrevia." de Maurice Blanchot.

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Nas horas vagas

Nas ruas fotografo
escuto histórias
bandoleiro em bares
frequentados pelo povão
em meio a devaneios
prostitutas de fellini
e vapores de vinho
(vagabundo)
pratico, leio e reflito
nas horas vagas dou aulas

o espírito diabólico, humano

“Definiremos portanto a Terra como o propósito da máquina celeste. O diabo criou os céus, para criar a terra. E criou a Terra, para criar a vida. E criou a vida, para criar a humanidade. E criou a humanidade, para criar o espírito humano, esse espírito que conhece o Bem e o mal, portanto o campo do pecado. Em outras palavras: a Terra é o palco do pecado. É ela a oficina na qual o diabo forja a sua arma para a conquista da realidade: o espírito humano. Essa obra forjada continua progredindo, e a arma ainda está longe de ser perfeita.

Há dezenas de milhares de anos o diabo afia e amola o espírito humano, para aperfeiçoá-lo. Os pecados capitais são os abrasivos. O produto acabado, o espírito humano perfeitamente diabólico, e um ideal por ora não alcançado. Mas essa perfeição diabólica é o propósito da Terra.” Em “Tratado de ateologia”, de Michel Onfray temos o ENSINAR O FATO ATEU, AQUI. Páginas com o desenho original da revista Pontodevista, antes das ações movidas, na Justiça, por um funcionário com 35 anos de RBS/jornal Zero Hora.

O rio de janeiro, a polícia e a propina

Escrevemos na postagem de ontem (segunda-feira) que as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) “ocuparam” alguns morros, no Rio de Janeiro, em função da perda de poder do tráfico, decorrente da queda no consumo de cocaína. O tráfico cedeu espaço por perda de poder de fogo e por ter menos grana para repassar como propina aos policiais. E estes para compensar intensificaram as atividades das milícias, compostas por policiais e ex-policiais, controladores da distribuição de gás, botijões de água mineral, gato da Net e até do transporte realizando por motos. Há um convívio pacífico entre Unidades e Milícias. Quando ocorre algum conflito é pela divisão do “achaque”. Destacamos ainda o episódio da morte do músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, ocasião em que policiais pediram uma propina de 10 mil reais para “resolver” a questão. Pois ainda ontem, no noticiário da noite de uma das redes televisivas, após uma sequência de 4 notícias da área policial, todas do Rio de Janeiro, o apresentador destacou que em três delas policiais solicitaram proprina. Existe uma lógica em tudo isso. Estamos reproduzindo a visão que nos foi passada por velhos jornalistas e fotógrafos, assim como comentários de jovens jornalistas, todos ex-alunos. Estamos juntando pontas de um processo em que a mídia corporativa “fragmenta a realidade” para nos impor uma “realidade construída” em função de seus interesses. O “verdadeiro” deles é sempre o falso. Estes interesses estão sempre na direção do fortalecimento dos aparelhos repressivos e da hegemonização de subjetividades reacionárias. Estão fazendo de tudo para que se imponha uma discussão sobre a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública. Mais uma estrutura de repressão. Uma nova fábrica de propinas. A “esquerda” eleitoral vai dizer não à criação de novos aparelhos repressivos?  Não. Introjeta o consenso.  Não é vanguarda de porra nenhuma.

Nunca tenho a pretensão de dono da verdade. Não se trata de uma observação formal. Mas é preciso que se quebre este avassalador consenso imposto pela mídia corporativa. Estamos fechados com o Diabo. Ele é altamente subversivo. OBSCURO MONOTEÍSMO, AQUI Do livro “Tratado de Ateologia”, de Michel Onfray.

Carta a Diego Rivera

“Por acaso vi uma certa carta, num certo casado, pertencente a um certo homem, vinda de uma certa dama da distante e maldita Alemanha. Acho que deve ser a dama que Willi Valentiner mandou para cá para se divertir e com ‘propósitos’ científicos , ‘artísticos’ e ‘arqueológicos’… que me deixou zangada e, para lhe dizer a verdade, enciumada… Por que tenho que ser tão teimosa e obstinada, a ponto de não compreender que as cartas, os problemas com as saias, as professoras… de inglês, as modelos ciganas, as ajudante de ‘boa vontade’, as discípulas interesssadas na ‘arte de pintar’ e as mulheres plenipotenciárias, mandadas de lugares distantes são simplesmente piadas…

e que, lá no fundo, você e eu, nos amamos muito? Mesmo que vivenciemos aventuras intemináveis, rachaduras nas portas, ‘referênciais’ a nossas mães e queixas intermináveis, acaso não estamos sempre sabendo que amamos um ao outro? Acho que o que está acontecendo é que sou meio estúpida e tola, porque todas essas coisas aconteceram e se repetiram nos sete anos que vivemos juntos. Toda essa raiva simplesmente me fez compreender melhor que eu o amo mais do que a minha própria pele, e que, embora você não me ame tanto assim , pelo menos me ama um pouquinho  - não é? Se isto não for verdade, sempre terei a esperança de que possa ser, e isto me basta…. Ame-me um pouco. Eu adoro você   Frieda.

mensagem urgente da REDE


Para evitar um erro operacional em uma ação já desencadeada, a REDE está solicitando a divulgação urgente desta mensagem para que a mesma possa se lida a tempo pelo Agrupamento Tático Operacional. Destruir é um essencial ato que exige alta criatividade.

semana preguiçosa, criativa e de transgressões

Foi uma boa semana. Todos os dias foram marcados por alguma transgressão contra o sistema. A favor da vida. Contra esta doença terrível que empurra, cegamente, todos para o trabalho. Nos momentos mais culturais me dediquei à leitura do “Direito à Preguiça”, de Paulo Lafargue. O livro começa com o discurso de Lenin nos funerais de Paul e Laura Lafargue, em três de dezembro de 1911. Este panfleto circulou pela primeira vez no jornal L’Égalité, em 1880. Lafargue era  de origem cubana. Casou com Laura Marx. Sim, filha do velho barbudo. Não leia o jornal Zero Hora. O verdadeiro deles é o falso. Participou ativamente da Comuna de Paris. Como diz   J.L. Borges reorganizar uma biblioteca é um maravilhoso exercício de crítica. Com o passar dos anos fico cada vez mais confuso. Cada vez tenho menos certezas. Meus dias são marcados por dúvidas.Estou sempre envolvido em intermináveis diálogos com espíritos mortos e vivos. Os fantasmas são divertidos. Possuem humor. Você é uma mulher fascinante. Estão  imunizados contra a epidemia do trabalho.

para esta sexta-feira, Walt Whitman

Cheio de vida, hoje, compacto, visível,
Eu, com quarenta anos de idade no ano oitenta e três dos Estados,
A ti, dentro de um século ou de muitos séculos,
A ti, que não nasceste, procuro.
Estás lendo-me. Agora o invisível sou eu,
Agora és tu, compacto visível, quem intui os versos e me procura,
Pensando em como seria feliz se eu pudesse ser teu companheiro
Sê feliz como se eu estivesse contigo
(não tenhas muita certeza de que não estou contigo)

Não procure entender ou descobrir a lógica de tudo isso

Quem busca sabedoria, que a busque onde se aloja; não tenho a pretensão de possuí-la. O que aí se encontra é produto de minha fantasia; não viso explicar ou elucidar as coisas que comento, mas tão somente mostrar-me como sou. Talvez venha a conhecer a fundo um dia, ou as tenha conhecido, se por acaso andei por onde elas se esclarecem. Mas já não as recordo. Embora seja capaz de tirar proveito do que aprendo, não o retenho na memória: daí não poder assegurar a exatidão de minhas citações. Que se veja nelas, apenas, o grau de meus conhecimentos atuais. Não se preste atenção à escolha das matérias que discuto, mas tão-somente à maneira como as trato. E, no que tomo de empréstimo aos outros, vejam unicamente se soube escolher algo capaz de realçar ou apoiar a idéia que desenvolvo, a qual, sim é sempre minha. Não me inspiro nas citações; valho-me delas para corroborar o que digo e não sei tão bem expressar, ou por insuficiência da língua ou fraqueza dos sentidos. Não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade das das citações. Se houvesse querido tivera reunido o dobro. Provêm todas, ou quase todas, dos autores antigos que hão de reconhecer embora não os mensione. Quanto às razões, às comparações e aos argumentos que transplanto para meu jardim, e confundo com os meus, omiti muitas vezes, voluntariamente, o nome dos autores, a fim de pôr um freio nas ousadias desses críticos apressados que se espojam nas obras de escritores vivos e escritas nas língua de todo munto, o que dá a quem queira o direito de as atacar e insinuar que planos e idéias sejam tão vulgares quando o estilo; e eu quero que dêem um piparote nas ventas de Plutarco pensando dar nas minhas, e que insultem Sêneca de passagem…

contos fulminantes

Em 1976, em plena ditadura militar, a editora Civilização Brasileira, com a direção de Ênio Silveira, publicava a revista “Ficção – histórias para prazer da leitura”. O representante da revista no Rio Grande do Sul era o Moacyr Scliar.

Este exemplar de n.6, junho de 1976, publicou textos de Afonso Arinos, Ary Quintella, Mário Quintana, entre outros autores nacionais, além de um conto de Anton Tchekov.

Este exemplar de abril de 1977, n.16, com Stanislaw Ponte Preta, Mário Quintana, Fernando Sabino entre outros era todo dedicado ao humor. Na página 56 temos um o texto “Campig”, do Fraga. Sim, José Guaraci Fraga que organizou junto com o Edgar Vasques algumas antologias do humor gaúcho. Foi editor de artes do Coojornal e do “Quadrão” publicado pela “Folha da Manhã”, jornal da Caldas Júnior.

cuento de anderson imbert

“Nataniel, escritor fracassado, decide suicidar-se. Carrega o revólver, coloca-o ao seu lado, na escrivinhaninha, e põe-sea redigir a carta de despedida. A carta se alarga, se ilumina, respira, vive. É a obra, a ansiada obra! Para poder publicá-la Nataniel não se suicida… Trata-se , agora, de encontrar o editor. É quando Nataniel descobre que não devia ter desistido do suicídio.”  de Glauco Mattoso, extraído de Contos Fulminantes – 1976.

Ave Leica

O caderno Mais, edição dominical da “Folha de São Paulo”, edição de 21.03.2008, publicou um texto de Cristiano Mascaro com o título “Ave Leica”. Na ocasição publicamos este artigo na íntegra. Reproduzimos, agora, para os novos leitores de Pontodevista com o desenho original das páginas. AQUI.

Ninguém jamais deveria trabalhar. O trabalho é a fonte de quase todos os sofrimentos no mundo. Praticamente qualquer mal que se possa mencionar vem do trabalho ou de se viver num mundo projetado para o trabalho. Para parar de sofrer, precisamos parar de trabalhar.