Enviado por luisnassif, dom, 05/09/2010 – 09:24
Qual a bala de prata, a reportagem que será apresentada no Jornal Nacional na quinta-feira que antecederá as eleições, visando virar o jogo eleitoral, sem tempo para a verdade ser restabelecida e divulgada? Ontem, no Sarau, conversei muito com um dos nossos convivas. Para decifrar o enigma, ele seguiu o seguinte roteiro: 1. Há tempos a velha mídia aboliu qualquer escrúpulo, qualquer limite. Então tem que ser o episódio mais ignóbil possível, aquele campeão, capaz de envergonhar a velha mídia por décadas mas fazê-la acreditar ser possível virar o jogo. Esse episódio terá que abordar fatos apenas tangenciados até agora, mas que tenham potencial de afetar a opinião 2. Nas pesquisas qualitativas junto ao eleitor médio, tem sobressaído a questão da militância de Dilma Rousseff na guerrilha. Aliás, por coincidência, conversei com a Bibi que me disse, algo escandalizada, que coleguinhas tinham falado que Dilma era “bandida” e “assassina”. Aqui em BH, a Sofia, neta do meu primo Oscar, disse que em sua escola – em Curitiba – as coleguinhas repetem a mesma história. As diversas pesquisas de Ibope e Datafolha devem ter chegado a essa conclusão, de que o grande tema de impacto poderá ser a militância de Dilma na guerrilha. A insistência da Folha com a ficha falsa de Dilma e, agora, com a ficha real, no Supremo Tribunal Militar, é demonstração clara desse seu objetivo. Assim como a insistência de Serra de atropelar qualquer lógica de marketing, para ficar martelando a suposta falta de limites da campanha de Dilma – em cima de um episódio que não convenceu sequer a Lúcia Hipólito. Aliás, o ataque perpetrado por Serra contra Lúcia – através do seu blogueiro – é demonstração cabal da importância que ele está dando à versão da falta de limites, mesmo em cima de um episódio que qualquer avaliação comezinha indicaria como esgotado. A quebra de sigilo é apenas uma peça do jogo, preparando a jogada final. A partir daí, meu interlocutor passou a imaginar como seria montada a cena. Provavelmente alguém seria apresentado como ex-companheiro de guerrilha, arrependido, que, em pleno Jornal Nacional, diria que Dilma participou da morte de fulano ou beltrano. Choraria na frente da câmera, como o José Serra chora. Aí a reportagem mostraria fotos da suposta vítima, entrevistaria seus pais e se criaria o impacto. No dia seguinte, sem horário gratuito não haveria maneiras de explicar a armação em meios de comunicação de massa. Será um desafio do jornalismo brasileiro saber quem serão os colunistas que endossarão essa ignomínia – se realmente vier a ocorrer -, quem serão aqueles que colocarão seu nome e reputação a serviço esse lixo. Essa loucura – que, tenho certeza, ocorrerá – será a pá de cal nesse tipo de militância de Serra e de falta de limites da mídia. Marcará a ferro e fogo todos os personagens que se envolverem nessa história. Incendiará a blogosfera. Todos os jornalistas que participarem desse jogo serão estigmatizados para sempre. Todas essas possibilidades são meras hipóteses que parte do pressuposto da falta de limites total da velha mídia. Mas a hipótese fecha plenamente. FOI TRANSCRITO DAQUI.
o seqüestro do empresário Abilio Diniz
Em 11 dezembro de 1989 o empresário Abilio Diniz foi seqüestrado. Sua libertação ocorre nos momentos que antecedem a disputa para presidente entre Collor e Lula. Nunca é demais lembrarmos que uma parte da mídia corporativa associou ao grupo de militantes do MIR chileno (Movimento de Esquerda Revolucionária) uma “certa” participação do PT. Pesquisando na Internet encontramos :
“Abílio Diniz foi libertado à véspera da primeira eleição direta para presidente da República após o regime militar, disputada por Collor e Lula . As investigações levaram a polícia a nomes de vários petistas em agendas dos criminosos – todos eles integrantes de organizações de esquerda que haviam optado pela luta armada na América Latina. Isso levou a polícia a vincular o caso ao PT, que tinha em seu quadro vários militantes da luta armada. Para complicar, os sequestradores foram apresentados à imprensa com camisetas da campanha de Lula, encontradas nas casas que haviam alugado.”
Esta ligação nunca ficou comprovada. Não existia. No clima da eleição causou o maior tumulto. “Jornalisticamente isenta”, a Rede Globo editou o debate entre Collor e Lula.

Um caso raro. Boris Kossoy pensa e escreve sobre fotografia e fotografa. Faz as duas coisa com a máxima competência. Tem um texto crítico e elegante. E fotos maravilhosas. “Boris Kossoy – fotógrafo”, é um livro da Cosacnaify. Muito bom o capítulo “O caleidoscópio e a câmara”, do próprio Kossy, assim como a conversa com Paulo César Boni.

“Como foi seu encontro com fotografia?
Kossoy – Foi em razão de uma câmara que ganhei por volta de 1954 ou 1955, quando eu tinha treze ou quatorze anos. Uma câmara de fole que tenho até hoje. Fiz com ela minhas primeiras fotos. Ela está meio acabada… Não é possível ler nem o nome, nem a marca… Imagine que a velocidade ia até 1/125.”
Se tivesse a oportunidade de entrevistá- lo, entre outras tantas perguntas, teria a curiosidade de saber quantos prêmios ele coleciona. Claro que seria uma pergunta completamente imbecil diante de tantas coisas interessantes de se aprender com ele. Mas seria uma curiosidade com o espírito comparativo que todo jornalista deveria ter.

“A noiva” (da série Viagem ao fantástico). Franco da Rocha, SP, 1970

“Surpresa na estrada” (da série Viagem pelo fantástico). Periferia de SP, 1970
boêmia sob controle decreta sua própria morte
Porto Alegre é uma cidade reacionária. Com uma zona de boêmia (?) absolutamente controlada por diversos mecanismos repressivos. Tudo que existe de mais à extrema-direita em termos de ordenamento das pessoas. Michel Foucault escreveria uma tese. Nada de barulho. Bares fechados a partir das 22 hrs. Comparativamente com a Lapa a Cidade Baixa é uma piada. Está mais para local apropriado ao bundismo. Palco de exibição do aparato policial, com regulares operações de visibilidade; política de relações públicas, visual. Espetáculo para o showrnalismo. Outras áreas da cidade, com movimento quase idêntico, onde também não ocorre nada de grave, o policiamento é insigniticante. Os jornalões da mídia corporativa estão de costas, insisto, para a cidade real. E a hegemonização destas subjetividades de extrema-direita fica por conta do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações). De Zerolândia, do jornalismo da opinião isenta de Zero Hora. Sempre do mesmo lado, a extrema-direita. O número de traficantes presos dobrou desde 2006. A violência não diminuiu. Os setores mais arejados estão procurando diferenciar o usuário qualificado (o cara que compra uma paranga, tira uma bera prá fumar e vende o resto pros amigos) e o grande traficante. O maior número de prisões é de mulheres. O reacionarismo continua impedindo uma grande e aberta discussão sobre o tema. E assim, vão jogando mais e mais pessoas nas Prisões da Miséria. Jornalistas, com raríssimas excessões, estão literalmente de costas para o país real. São os maiores criminosos. Fazem de conta que não estão vendo nada. Esta grande rede de conivências corporativas começa nas faculdades de comunicologia.
Não gosto de marcar posição dizendo que é a minha opinião como jornalista que exerce a profissão nos últimos 40 anos, que tem uma história de militância política por 45 anos, sendo quase dois de cadeia; e, por último, com o exercício de quase 20 anos como professor de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS). Não reivindico a verdade. Apenas uma pequena parte. Com a idade cultivo dúvidas. Sou contra o diploma da hipocrisia. A grande reportagem de hoje é um release da Polícia Federal.
o quilombo dos silva
está sob ameça, policial.
Bairro Três Figueiras, PO.
Na Deriva noturna fiz um circuito funck pela cidade. E foi muito bom. Em todos os lugares fui bem recebido e solicitado para fotografar. Mulheres incriveis, apavorando nas pistas. Negras, muitas negras.

Essa mulher foi a minha guia e proteção. Janaina é o nome dela. Super educada. Mesmo tendo tomado muitas cervejas nunca perdeu o controle do que estava rolando. Sempre ligada. Ela é Imperadores do Samba.


Não presenciei nenhuma confusão, atos de violência, pessoas consumindo drogas, mas só gente do povo se divertindo. Ela fez questão de fazer todas as poses possíveis.



Mais uma vez sou obrigado a dizer que a cidade real não está nas páginas dos “jornalões” da mídia corporativa. Existe um circuito funk em Porto Alegre. E não é na periferia da periferia. Passa por alguns bares do centro e termina, caso se queira, na Bom Jesus.



Estudante de comunicologia que não for Bundinha precisa conhecer esse lado noturno da cidade. A Cidade Baixa tá mais pra um coisa bundona . Espaço bem comportado e super vigiado. Transgressão musical, sensualidade em cada gesto, letras de músicas com o país real, nenhum bêbado incomodando, tudo mundo se paquerando, as pessoas rindo muito, preços possíveis, garçons que entregam o troco certo; é por esse outro caminho. Passei os últimos cinco dias em Derivas noturnas. Só na madrugada passada fiz umas 500 fotos. Tudo olho no olho e conversando com as pessoas. E LEIA MAIS AQUI.
jornalismo se faz na alma encantada das ruas, flanando
Estamos pensando em fazer algumas aulas de jornalismo em locais como estes que tenho andado. Não existe o mínimo espaço para o Lead. E quem topar pode levar de quebra uma vacina contra o bundismo. Esta profissão só é possível quando exercida com paixão. Lamento dizer, sem nenhuma arrogância, na minha idade ninguém faz o que eu faço. Sou jornalista, sempre.
assim,
estreitando
meus laços
com o povo
do meu país
O bairro Bom Fim, em Porto Alegre, passa por mais uma radical mudança. Será, em breve, o novo Moinhos de Ventos. Da rua Santo Antônio até a Ramiro Barcelos existem pelos menos uns 15 grandes empreendimentos imobiliários. Ainda recentemente, na Osvaldo Aranha, entre a Fernandes Vieira e Felipe Camarão, em questão de três semanas foi levantada uma grande garagem em estrutura pré-moldada.

Este é um registro que não será encontrado nos “jornalões” da mídia corporativa. Não estamos fazendo nenhum juízo de valor. Não é por obra do Divino Espírito Santo que, seguidamente, são anunciadas melhorias da infraestrutura do bairro. A empresa OPUS, por exemplo, “comprou” do município o Auditório Araújo Viana. Volta a discussão da construção de um grande estacionamento embaixo do campo de futebol do Parque da Redenção. E mais cedo ou mais tarde, quando o perfil do bairro estiver “melhor”, o PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação) deverá promover um plebiscito para que a “nova população” (destes prédios maravilhosos) autorize o gradeamento da Rendenção. Um dos mais altos índices de valorização dos imóveis, em Porto Alegre, ocorre nesse bairro, historicamente ocupado pela comunidade judaica. O jornal “Estado de São Paulo”, o “Estadão”, brigando menos com a notícia e com um menor grau de interferência dos interesses econômicos, já teria teria registrado esta e outras mudanças que ocorrem, lentamente, na cidade. O antigo “Jornal do Brasil” registrava as transformações da cidade do Rio de Janeiro com grandes matérias. A cidade real não existe nas páginas dos “jornalões” do gauchismo babaca. Só perfumaria ou secos e molhados.
Na vagabundagem, flanando pela cidade em Derivas diárias, somos capazes de apontar umas duas ou três pautas por dia. Sem esforço investigatório. Coisa simples para jornalista que se desgrude da Internet, do telefone e que consiga tirar sua bunda da cômoda cadeira da redação.
Você aí da redação é um Bundão, diplomado.