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um encontro de gerações

Os jornalistas Flávio Tavares, Wladymir Ungaretti e a recém formada Jerusa Campani em almoço no novo Restaurante Naval, Mercado Público de Porto Alegre.  Jerusa apresentou na semana passada   seu TCC, cujo título é “Olhares sobre a mudança de identidade do jornalista nas últimas décadas”, tendo por base entrevistas com Flávio Tavares, Caco Barcelos e Rodrigo Lopes. Um encontro que durou muitas horas para comemorar o conceito A obtido por Jerusa na apresentação do trabalho de conclusão. A ideia de comparação do jornalismo exercido antes do golpe de 64 (Flávio Tavares), durante a ditadura militar (Caco Barcelos); e, por último o Rodrigo Lopes como uma expressão do showrnalismo dos tempos atuais.

Durante todo o tempo o relato de histórias e fatos do jornalismo em que nos alternávamos em lembranças e considerações sobre os mais variados aspectos do exercício da profissão, no passado e na atualidade. Flávio está concluindo mais um livro que será editado pela LP&M. Nesse momento ele contava que em 1955 tinha sido candidato a vereador (POA) pelo Partido Socialista e que, por perder o horário de encerramento da votação, acabou não votando nele mesmo. Falou muito sobre a figura do jornalista Cândido Norberto, deputado do PSB, e que segundo ele foi a voz mais bonita do  rádio gaúcho.
Nesse momento eu devia  estar contando alguma história. Não deixei, evidentemente, de agradecer a forma sempre atenciosa com que recebe os alunos indicados por mim  para algum trabalho. Disse a ele que proporcionar esta ponte entre  jornalistas da velha e das novas gerações têm sido uma das minhas preocupações.

histórias do cofre do adhemar

 Este é o livro que comentei na postagem de ontem. Achei meio oportunista por parte da editora Civilização Brasileira ter colocado uma foto da presidente Dilma, dos tempos de militância na Var-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares), na medida em que ela não teve nenhuma relação direta com a ação de expropriação do cofre do Adhemar.
 As notícias da época sobre a ação de expropriação realizada pela Var-Palmares e que resultou na posse de um cofre lotado de dólares. Na postagem anterior falo no militante com nome de guerra Bicho e que foi preso em POA. O nome dele era Gustavo Schiller e que segundo se comentava teria sido o militante que passou a informação da existência do cofre na mansão de Ana Capriglione.

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Na lateral do Mercado Público (POA), frente para a estação do metrô, Marlene, Nádia e Paula, literalmente, pousaram para a foto.

muitas histórias ainda serão contadas

 Está para chegar nas livrarias “O cofre do Dr. Rui”, autoria de Tom Cardoso, editora Civilização Brasileira. Conta a  história do roubo do cofre do Adhemar, o Adhemar de Barros, que foi governador de SP, apoiador do golpe de 1964 e autor da famosa frase “robo, mas faço”. O cofre com dólares  estava na casa da amante Ana Capriglione. A ação foi da VAR-Palmares. A informação da existência do cofre (não sei se do livro consta esta informação) foi passada por um sobrinho da amante, militante da VAR que acabou preso em POA e tinha o nome de guerra de “Bicho”. Cheguei a ter contato com ele representando o POC (Partido Operário Comunista). Não consigo lembrar seu nome verdadeiro. Foi barbaramente torturado e algum tempo depois de solto se matou. Tom Cardoso é o autor da bela biografia do jornalista Tarso de Castro, livro que recomendo aos meus alunos. Tom é filho do também jornalista Jary Cardoso que começou, na profissão. aqui no sul. Pelas mãos do Marcão (Marcos Faerman).

a imagem

Guindastes do cais do Guaíba, centro de POA, visão a partir de uma das laterais do Mercado Público.

o dia em que Henry Kissinger levou um corridão

“A visita de Eisenhower à inconclusa Brasília foi a antecipada glória de Juscelino: até os telefones provisórios da “Casa Branca em trânsito” funcionaram com perfeição. Mas Juscelino não mandou alterar a licitação. A ITT, então, encheu-se de brios e enviou ao Brasil o seu melhor negociador para tentar modificar os resultados e assumir; central telefônica. Obra de “interesse estratégico”, a rede de comunicações da nova capital fora confiada a um jovem oficial-engenheiro do Exército, a quem Juscelino dera plenos poderes. Assim, durante quase uma hora, no Rio, o major Dagoberto Rodrigues recebeu e ouviu o enviado da ITT. Num inglês com leve acento alemão, o negociador explicou que sua empresa oferecia rebaixar os preços a níveis inferiores aos dos concorrentes, mas o major Dagoberto argumentou que “mesmo assim” continuava a preferir os suecos, que se comprometiam com prazos mais curtos de entrega. Isso o fazia sentir-se seguro de que, antes ainda da inauguração, Brasília teria telefone e telex para falar com o país e o mundo. (Todos os técnicos argumentavam que a instalação da rede de microondas para a telefonia interurbana, demoraria de dois a quatro anos, e isso fazia as delícias dos opositores de Brasília. Sem condições de equiparar-se aos suecos nos prazos de entrega, o negociador apelou à habilidade maior: abriu um sorriso, disse que estava disposto a conceder tudo e, com um jeito suave de quem conhece o caminho do êxito, perguntou quanto teria de pagar, além do contrato, para obter o contrato. Quanto? Quanto?
— Please, can you repeat? — perguntou-lhe Dagoberto. E o negociador repetiu lentamente, com um sorriso tingido de cumplicidade. Era o suficiente. A deixa para o suborno estava no ar. Vestido à paisana, de casaco e gravata, mas com o ímpeto do campo de batalha, o major Dagoberto levantou-se e bradou em português mesmo, mas com tanta veemência e num gesto tão claro com o braço estendido que o visitante compreendeu: — Levante-se e saia. Fora! Ponha-se na rua agora mesmo e nunca mais volte aqui nem a qualquer repartição brasileira! O negociador da ITT chamava-se Henry Kissinger. E era ele em pessoa que tinha sido expulso do gabinete de um jovem oficial do Exército brasileiro conhecido como “nacionalista de esquerda”. Aquela era a primeira viagem ao Brasil do então desconhecido e anônimo Henry Kissinger. Naquele tempo remoto, ele ainda não era conselheiro de Política Externa do Presidente dos Estados Unidos nem o hiperpoderoso secretário de Estado, mas tudo valia como preparação para tornar-se a figura importante e fundamental de poucos anos depois. Talvez nesse momento em que teve de se inclinar às ordens de um oficial brasileiro que — mesmo sem farda — o expulsava do gabinete, tenha começado a nascer-lhe a idéia daquela frase que, anos depois, quando ele era o todo-poderoso negociador do governo Richard Nixon, soou em Washington como ensinamento e advertência: “Para onde se inclinar o Brasil, haverá de inclinar-se toda a América Latina.” Ironicamente, quatro anos e alguns meses depois, Dagoberto Rodrigues (já no posto de coronel) é que não pôde mais entrar em nenhuma reparação governamental no Brasil: expulso do Exército após o golpe militar de 1964, foi obrigado a exilar-se no Uruguai, onde passou mais de 15 anos Vivia tão honesta e modestamente no exílio que, durante muito tempo, nem sequer pôde ter telefone em casa”.

 

Kissinger, momentos antes de ser expulso do gabinete do major Dagoberto Rodrigues, no Rio, quando tentava ganhar na marra o sistema de telefonia de Brasília.