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Escrever é "confiar no caráter inesgotável do murmúrio." de André Breton. É minha contribuição por hoje.

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11 de setembro é o dia

Em 8 de setembro de 1973, no Chile, o clima é era de golpe. A direita e o exército chileno aceleram os preparativos. As forças populares que apóiam, amplamente, o governo imploram por armas. Todo este clima, o bombardeio do Palácio de La Moneda, o assassinato do presidente Salvador Allende e a brutal repressão que se segue, bem como a impossibilidade de resistência  é “A Batalha do Chile”, considerado um dos maiores documentários já feitos, do cineasta Patricio Gusmán.

Guzmán, segundo a revista americana “Cineaste” acaba de encantar o mundo com “Nostalgia da Luz”, apresentado no último Festival de Cannes, tendo sido considerado um filme extraordinário pelo” Le Monde” e pelo “L’ Humanité”. O documentário trata da observação das estrelas no deserto de Atacama, no Chile, mas para todos que assistiram é uma metáfora para falar do passado e do golpe no país. É no deserto de Atacama que a ditadura deu sumiço com os corpos de algumas centenas de opositores mortos. O filme será exibido no Festival do Rio de Janeiro que começa em 23 de setembro.

Folha de São Paulo – E porque o Chile se recusa a encarar o seu passado?

Gzsmán -” Isso é um mistério. Eu me pergunto a mesma coisa. O golpe foi um choque tão grande que produziu uma paralisia mental. No Chile as pessoas têm medo.  Até hoje, há pessoas incapazes de falar de política num local público. Há uma espécie de medo de ser ouvido. Todos os chilenos que estavam na Espanha foram fichados pela polícia franquista…. no Chile 40% dos torturadores e dos responsáveis militares de violação dos direitos humanos foram julgados. Mas falta 60%, é muito.”

apoiadores do “zé” disfarçados de “isentos”

Só vou dizer, por hoje,  que em nosso país a estrutura repressiva montada pela ditadura ficou intacta. Toturadores foram espalhados pelas delegacias. Militares para a reserva. E os serviços de inteligência continuam espionando. Há alguma dúvida? Esse papo de anistia como “esquecimento” é coisa da direita. Em 01 de abril de 1964, em nosso país, a direita civil, militares e agentes da CIA promoveram o golpe contra o governo legítimo de João Goulart que tinha, como Allende, amplo apoio popular. Este “esquecimento” é promovido pelos políticos com largo apoio da mídia corporativa. E pelos Jornalões e redes televisivas que cresceram no regime militar. E que nos tempos atuais, promovem e produzem bens simbólicos reacionários. E que não por acaso apóiam o  ”zé”, todos camuflados de  ”isentos”. E que quando perdem o controle da opinião pública ficam sonhando com estratégias golpistas. E que…

mês de setembro é dedicado a Salvador Allende

Em 11 de setembro de 1973, nossas esperanças de construção de uma sociedade socialista, chegando ao poder pelo voto, se foram com o golpe militar no Chile, e, o fuzilamento do presidente Salvador Allende. A brutalidade reacionária, que já era imensa, em toda a América Latina, definitivamente, se implantou com uma das mais gigantestas máquinas repressivas. Com tudo que já foi escrito sobre este período, ainda assim, não cometeríamos nenhum exagero ao dizermos que muito pouco sabemos dessa história. É imensa a lista de desaparecidos em toda a América. Grandes fortunas foram construídas, impérios da mídia corporativa foram implantados, e até hoje pagamos caro pela “modernização” imposta pelo Império. A história tem sido escrita pelos vencedores. Este pequeno registro se coloca na contra-mão. E, assim, lenta e história dos oprimidos. (wu)

Este é o texto de abertura de uma seqüência de páginas que dedicamos a Salvador Allende, em setembro de 2005, para a revista eletrônica Pontodevista.  Estaremos disponibilizando este material nos próximos dias com o desenho original da época.  AQUI Allende vive.

O  Primeiro Caracol Libertário

Cerca de 80 militantes anarquistas, dos movimentos sociais, integrantes de grupos teatrais, gente de capoeira  presentes na mística de abertura do Primeiro Caracol. A mística, uma espécie de solenidade, deu o tom de todo o encontro. A ideia de que a força das ideias e a ação coletiva são os elementos básicos para a construção de um mundo de absoluto respeito à liberdade. Gente jovem com um puta tesão pela vida.

A noção de solidariedade internacional é sempre um elemento muito presente em todas as manifestações e encontros anarquistas.

Este é dos muitos mecanismos de organização e resistência (e até de sobrevivência) de um número expressivo de militantes dos movimentos sociais.

Imagens da revolução espanhola são sempre uma referência para os movimentos anarquistas. Propositadamente não escolhemos imagens que facilitem a cartografia dos aparelhos repressivos.

porto alegre é funck

o nível de acesso no dia desta postagem foi um dos mais altos dos últimos tempos. Estamos preparando uma série de outras matérias na mesma linha. Como parte do processo de desmoralização dos jornalões da mídia corporativa, um howrnalismo que fica, sempre, de costas para a cidade real.

O funck, minha gente, é o futuro do movimento social

o bonde do tigrão vai anarquizar o bananão
Eu acho funk carioca o máximo.

Um bando de analfabetos funcionais miseráveis e sem o menor refinamento se junta, aprende a operar aparelhos até certo ponto sofisticados, apropria-se de peças da indústria cultural e avacalha com tudo, transformando-as em um batidão irresistível pontuado por letras que falam de suas próprias vidas. Cultura popular é isso aí. Mais do que isso, estes jovens criam um mercado próprio para sua música, inventam festas que reforçam os laços comunitários — muito embora isso em geral envolva tomar posição contra outras comunidades — e criam um sistema de distribuição de renda e ascensão social próprio das favelas. De acordo com reportagem da revista Carta Capital de 20 de abril, por Pedro Alexandre Sanches, não são raros os funkeiros que faturam mais de R$ 10 mil por mês. Além disso, sua música tem um sistema de distribuição independente de fato, passando longe das grandes gravadoras e até mesmo dos impostos cobrados pelo governo. Os intelectuais de plantão, quando poderiam enxergar no funk a manifestação de uma imensa criatividade que, bem canalizada, poderia gerar música popular de excelente qualidade, preferem desqualificar o estilo com base em padrões eruditos. É óbvio que o funk é ruim. Difícil é esperar de excluídos semi-analfabetos que façam música que siga alto padrão, com a qual nunca tiveram contato. Critica-se também a “mensagem” do funk. Mas ora, não se passou décadas exigindo uma cultura verdadeiramente popular no Brasil? Pois aí está ela. As letras falam da vida daquelas pessoas: assassinato e tráfico no horário comercial, sexo e drogas à noite para relaxar. Talvez algumas personalidades mais delicadas sintam nojo ao ver a falta de perspectivas daquela juventude exposta assim, nuazinha. Assim como se chocam ao escutar meninas pedindo para serem “atoladas no cuzinho” ou coisa que o valha. Acham que isso mostra a exploração sofrida pela mulher nas rudes vielas onde mora a escória. Estranho não passar pela cabeça da gente de bem que elas possam realmente gostar disso e, na verdade, estejam levando o feminismo a um ponto mais alto, mostrando que podem encarar o sexo de maneira tanto quanto ou ainda mais fisiológica do que os homens. O principal, no entanto, é que eles parecem estar se divertindo. E muito. No fundo, toda a grita contra o funk pode ser preconceito contra o fato de pobres estarem se divertindo. Da direita — porque, audácia! A ralé não tem o direito de se divertir! — ou da esquerda — porque eles deviam estar sofrendo com suas condições de vida subumanas e preparando a revolução, ou ao menos rendendo material para o Sebastião Salgado. Acho o funk carioca o máximo não tanto como estilo musical — embora admita curtir um pancadão bem pegado em certos momentos —; acho o máximo mais como instituição. O funk, minha gente, é o futuro do movimento social. (publicado em CMI Brasil, de Ariel Almeida e Marcelo Träsel)

palhão cultura não chapa

“O grego Heródoto (484-425 a.C.), referindo-se aos citas do norte do Mar Negro, nos legou em sua história o mais vívido  e explícito relato que existe sobre os efeito pscoativos da maconha na antiguidade. Segundo este relato, como parte e um ritual de purificação após enterrarem os mortos, os citas entravam em uma tenda no centro da qual colocavam um caldeirão de bronze contendo pedras aquecidas…

‘Os citas então jogavam as sementes de maconha nas pedras em brasas: as sementes queimam como incenso e produzem um vapor tão denso que nenhuma sauna grega poderia superar. Ao se deliciarem  com esse vapores, os citas uivavam como lobos’. ESSES VAPORES. Apesar da credibilidade de Heródoto, por muito tempo esse relato provocou ceticismo nos historiadores modernos. Até que, em 1929, 2500 anos depois de Heródoto, um fato extraordinário acnteceu na Sibéria central: durante suas escavações no vale de Pazyrk, o arqueólogo e antropólogo russo Sergei Rudenko encontrou uma grande tumba onde havia o corpo embalsamado de um homem e duas pequenas tendas. Sob cada uma delas havia um vaso de bronze contendo pedras e restos carbonizados de CANNABI.”

a maria é cultura

” a descoberta dos endocanabinóides, ou seja, moléculas análogas aos princípios ativos da maconha, mas produzidas pelo próprio cérebro, e a grande novidade por trás desta guinada científica.” A dica de leitura é “Maconha, cérebro e saúde”, de Renato  Malcher~Lopes e Sidatra Rideiro, Coleção Ciência de Bolso, da editora Vieira&Lent)

Uma coluna Colomy com o desenho antigo das páginas da Revista eletrônica Pontodevista, do período anterior ao processo de censura a que estamos submetidos.  AQUIAQUIAQUI.

uma semana de twitter

Fique marginal, bem à margem e em constantes Derivas. Totalmente sem rumo. A todos um dia tumultuado.Contribuam para o desarranjo do sistema com transgressões. Assim é só prazeres. O jornalista Bundão não se define. Não é nem esquerda e nem direita. Fica em cima do muro. Ele é o “isento”. Sempre rindo. É amigo de todos. “O espírito pertubado pelos vapores do álcool e não abatido por doses excessivas” com a prática do vinho e das bebidas mágicas é revelação. O mundo está cheio de robôs com Frankensteins inocentes. A incapacidade para produzir vida artificial é apenas provisória. Plano diabólico.  Ainda Flusser: o Diabo como dramaturgo é limitado. Como encenador, chega às raias da genialidade. Passei o dia pertubando o sistema. “A Idade Média, mais esclarecida que nós quanto ao Diabo, bem sabia por que queimava alquimistas.” – de Vilém Flusser

diabolicamente pensando

“… essa sabedoria ensina que o diabo recorre aos chamados ‘sete pecados capitais’ para seduzir e aniquilar nossas almas. É evidente que a Igreja, em sua propaganda antidiabólica, recorrer a monenclaturas um tanto tendenciosas ao denominar esses pecados. Chama -os de ‘soberba’, ‘avareza’, ‘luxúria’, ‘inveja’, ‘gula’, ‘ira’, e ‘tristeza ou preguiça’. No fundo são, no entanto, inócuos esses termos arcaicos, e facilmente substituíveis por termos neutros e modernos. (do livro “A história do Diabo”, de Vilém Flusser)

É o que proponho. SOBERBA é consciência de si mesmo. AVAREZA é economia. LUXÚRIA é instinto (ou afirmação da vida). GULA  é melhora do standard de vida. INVEJA é luta pela justiça social e liberdade política. IRA recusa a aceitar as limitações impostas à vontade humana, portanto, é dignidade. TRISTEZA ou PREGUIÇA é o estágio alcançado pela meditação calma da filosofia. São estes, portanto, os métodos, pelo que nos ensina a Igreja, aos quais o diabo recorre em sua tentativa de eliminar a influência divina. Este livro seguirá, obediente, a classificação dos pecados. Manterá até seus nomes tradicionais, movido pelo respeito por sua idade, Mas, dada a sua disposição inicial de evitar preconceitos, não considerará esses nomes como pejorativos. Tentará, portanto, este livro dar uma descrição da evolução das armas e dos instrumentos diabólicos nos sete campos dos sete pecados.” Outra leitura fundamental e “Ateísmo e revolta”, aqui. Um clássico da filosofia. Escrito pelo padre Jean Meslier, segundo alguns o verdadeiro precursor do materialismo.  Dizem até que o velho Marx teria lido o cara.