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Escrever é "confiar no caráter inesgotável do murmúrio." de André Breton. É minha contribuição por hoje.

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Evandro apagou a luz

Não houve choro nem estardalhaço. Mas a pressão embalada em frases do tipo “Pensa bem, aqui você tem liberdade, melhor ficar” só serviram para alimentar a angústia. O sofrimento em decidir o futuro se manifestou de maneira devastadora no fotógrafo Evandro Teixeira, 73 anos. Uma dor de barriga o deixou nocauteado por uma semana. Só passou quando tomou a decisão mais difícil da carreira: pedir demissão do Jornal do Brasil depois de um “casamento feliz” de 47 anos. Desde que o empresário Nelson Tanure anunciou o fim da edição impressa do JB, sufocado em dívidas, uma pergunta martelava a cabeça de Evandro. “O que é que eu faço agora?” Nada contra a era digital – o JB tem agora apenas a versão online. Difícil era continuar vendo o jornal, que já foi um dos maiores do País, se esfarelando.

Mesmo para ele, testemunha da lenta agonia do Jornal do Brasil, os últimos dias na sede no Rio Comprido, na zona Norte, foram difíceis. Pairava na redação a ameaça de uma extensa lista de demissões que deixaria a equipe do jornal virtual reduzida a um quinto dos jornalistas da edição impressa. Na fotografia o corte foi radical. Dos 15 fotógrafos que lá trabalhavam, sobraram três. “Foi demitido até o Paulo Nicolella, um excelente fotógrafo que estava lá há 20 e tantos anos”, lamenta Evandro. Dos quatro encarregados de transmitir fotos, restou um. “Foi uma semana dramática. É difícil acabar com um casamento tão longo, mas estava na hora. Tomei coragem e fiz a carta da demissão”. Na sexta, dia 27, Evandro deixou a redação carregando a última caixa com livros e fotos. A maior parte do seu arquivo ele havia transferido para o apartamento na Gávea, onde mora com a mulher, a paisagista Marli. Sua saída surpreendeu quem ficou. Em quase cinco décadas a história de Evandro e a do Jornal do Brasil se misturaram. Um não vivia sem o outro. “Evandro desistiu do JB”, avisava um funcionário do jornal a quem procurava o fotógrafo na redação terça passada.

Ayrton Sena, Rio de Janeiro, 1989

Leila Diniz, 1971

Na verdade, Evandro insistiu por anos. Desde a primeira grande crise do jornal, nos anos 90, quando salários atrasavam e já não havia dinheiro para grandes investimentos em reportagens, Evandro resistiu às investidas. “Recebi convites até para trabalhar fora do Brasil.” Mas por que um fotógrafo que a empresa alemã Leica, fabricante de poderosas máquinas fotográficas, considerou um dos 45 mais importantes do mundo, ao lado de Cartier-Bresson, continuou num jornal em visível decadência? Por que um fotógrafo que é verbete na Enciclopédia Internacional de Fotografia, que tem fotos no acervo de museus como o Beauborg, em Paris, que expõe em Milão e Nova York, preferia publicar suas fotos num veículo sem prestígio?
O texto completo de Márcia Vieira , no jornal “Estadão” AQUI

faltam menos de 24 horas para o golpe no Chile

“Estava no Chile, no enterro de Pablo Neruda. Em setembro de 1973, logo depois de o golpe militar derrubar Salvador Allende, Evandro desembarcou em Santiago, enviado pelo Jornal do Brasil. No auge da ditadura, os jornais brasileiros foram proibidos pela censura de dar manchete à queda de Allende. O JB obedeceu. Sua primeira página não tinha títulos em letras garrafais. Mas um enorme texto contando todos os detalhes do golpe ocupava a primeira página.”  Da matéria sobre o fotógrafo Evandro Teixeira.

FALTAM MENOS DE 24 HORAS PARA O GOLPE NO CHILE. ALLENDE VIVE.

NOTA FINAL: toda uma geração de jornalistas, intelectuais militantes de esquerda – em sua maioria – ou no mínimo simpatizantes, diplomados em outra coisa qualquer ou não, tinham como leitura obrigatória os Cadernos de Jornalismo do JB. Freqüentei muito esta escola e com o máximo de prazer. Acho que tenho a coleção completa.

dos muitos olhares do meu cotidiano

Porto Alegre, agosto de 2010,  negativo de filme Trix-400 “escaneado”, máquina Pentax SP1000,  velocidade 125, abertura em 5.6, foco em infinito. Nenhuma manipulação digital. Mercado Público, Largo Glênio Peres, centro da cidade. A lente é uma 1:2/55.

Largo Glênio Peres

Também no Largo.  O cara passou horas ali sentado.

Mercado Público de Porto Alegre. Tentei a composição das três aberturas com os três moradores de rua ao centro. Não consegui pelo horário de movimento.

Parte interna e superior do mesmo Mercado. Procurei a geometria. Os grafismos .

Em que o ser humano Boris Kossoy acredita?
Estar sempre disposto a aprender. Privilegiar o humanismo. Compartilhar nossos conhecimentos com os jovens pesquisadores que estão começando. Cobrar o comportamento ético sempre.
Falamos do fotógrafo, pesquisador, teórico, autor de livros… E o Boris Kossoy professor?
Vejo o magistério como uma missão edificante e gratificante. Edificante no sentido de influir de algum movo na formação, carreira profissional ou acadêmica dos meus alunos ao longo do tempo. Gratificante  exatamente por ver o resultado de seu empenho. Constatar que aqueles jovens de antes ao hoje profissionais sérios e bem-sucedidos; de modo geral, têm se sobressaído como pesquisadores competentes, geradores de conhecimento. (do livro Boris Kossoy – fotógrafo”, da editora Cosacnaify)

Bons fotógrafos são pouco premiados

O título expressa a minha opinião. Livro de fotografia é muito caro. Nos “sebos”, livraria de usados, estes  também são vendidos quase que pelo preço de novos. O estado de conservação em geral bom. A procura é sempre grande. É preciso ser um “garimpeiro” dedicado para encontrar alguma coisa interessante. Já consegui várias preciosidades. Alguns Cartier-Bresson foram comprados nos sebos. Em uma dessas Derivas encontrei “Paisagens do Quotidiano – encontros de fotografia”, edição inglês/português,de 1988, do Museu Antropológico, de Coimbra, Portugal. O livro em formato pequeno impede uma boa reprodução de algumas das fotos que ocupam duas páginas. Foi adquirido – a primeira vez – em janeiro de 2000 em Lisboa.

A foto da capa é de Johannes Bakes. Ele nasceu em Essen, na Alemanha, em 1958. Vive e trabalha em Berlim como fotógrafo.

Foto Antônio Júlio Duarte. Nasceu em Lisboa, Portugal, em 1965. Também trabalha como fotógrafo.

Foto de Gabrielle Basilico. Nasceu em Milão, Itália, em 1944. Trabalha em Milão.

Foto de Hannah Strkey. Nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1971.  Vive e trabalha em Londres. Já teve alguns livros publicados.

Foto de Joseh Koudelka. Nasceu em Boskovice, Checoslováquia, em 1938. Vive e trabalha como fotógrafo em Paris, na França. Nenhum destes fotógrafos têm 50 prêmios.

O fotojornalismo atual, dos jornalões da mídia corporativa é muito pobre, sendo que o local (tipo ZH) chega ao nível da indigência. Tem editor mandando o fotógrafo “produzir” a melhor foto para aquilo que o jornal  ”quer dizer”.  Cenografia, cascata, fotocampana é o cardápio-show da alienação cotidiana.  É a minha opinião como professor de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) , com 4o anos de exercício da profissão. 45 de militância política e com um pequeno nível  leitura. Graças aos bons deuses nenhum prêmio. Fotografo o cotidiano de Porto Alegre desde 1972, após um período de quase dois anos na cadeia, quando retomo a atividade de jornalista.

estou na contramão

continuo gauche

vou morrer gauche

com uma velha Pentax e um tri-x 400

“Uma derrota definitiva do diabo (por inconcebível que seja) seria uma catástrofe cósmica irrediável. O mundo se dissolveria. Mas a nossa tradição nos ensina que o mundo foi criado por Deus. Começamos a perceber os motivos positivos do diabo. E os motivos divinos continuam obscuros. Já agora intuímos o fato de que o diabo é-nos mais próximo que o senhor, e que seguir o diabo é muito mais cômodo e simples do que perseguir os obscuros caminhos divinos.” de Vilém Flusser.

As três descansavam em um banco da avenida Borges de Medeiros, centro de Porto Alegre, proximidades da Rua da Praia. Segundo elas, aproveitando um dia sem chuva. Clique nas imagens.

Ele é o Alemão do Pão. Faz a distribuição entre as “carrocinhas” da área central da cidade.

Esta é uma das “carrocinhas” de maior movimento. Fica na Borges, calçada da antiga loja Guaspari, próximo do ponto de táxi.

Largo Glênio Peres, próximo do Chale da Praça XV, sentada na sombra. Ela viu que estava sendo fotografada.

A imagem de uma pessoa muito velha com grande dificuldade para caminhar. Passou a subjetividade de abandono.

Seu Walter vende lanches no centro nos últimos 11 anos. Tem uma freguesia certa entre os motoristas dos pontos de táxis.  É o Walter do Lanche.

Passou uma boa parte da tarde como observador no Largo Glênio Peres.

Não são poucos os que param para ler a capas das revistas nas bancas do centro.

Uma coisa é certa. Os jornalões da mídia corporativa estão de costas para a cidade real. O fotoshowrnalismo deles é cenografia.  É muito fácil fotografar conversando com as pessoas, dizendo a elas as razões dos registros realizados. O Alemão do Pão ou o seu Walter do Lanche, assim como as três amigas, todos, estão dispostos a conversar e contar alguma coisa de suas respectivas histórias. Jornalismo se faz, fundamentalmente, flanando pela alma encantada das ruas. Precisamos resgatar esta ideia. Fiz fotos com a digital, com uma Pentax SP 1000 toda mecãnica, com o velho pb tri-x 400 e com uma Diana F+ com filme pb 120mm, 400TX da Kodak. Fotos  para serem (re)vistas em 2050. Faço estes registros desde a década de 70 quando comprei a Pentax na antiga casa Cambial; com os primeiros salários da velha rádio Continental.