A partir de amanhã, quarta-feira, dia 09.06.2010, estaremos reiniciando nossas atividades nesse espaço. E, logo a seguir, daremos continuidade às mudanças programadas para o novo desenho da página. A partir de segunda-feira estaremos editando o material produzindo em uma semana de DERIVA no Rio de Janeiro. Uma puta deriva pela Lapa, Feira de São Cristovão, Vila Mimosa, Praça XV, Bailes Funk na baixada, abertura do Festival do Cinema Francês, roda de chorinho e uma feijoada na Portela, entre outas coisas. Quase sempre acompanhado por ex-alunos. Não tenho o que reclamar da vida. Sou cercado por muito carinho. Todos incentivam o meu comportamento de irresponsabilidade e de integração à marginalidade. Aos que estão à margem. Nenhum dos meus melhores alunos, com raríssimas exceções e quando ocorreu foi por muito pouco tempo, trabalhou no PRBS.
“Quem se enganja politicamente na atualidade deve se haver não com as formas sagradas, mas com as novas técnicas. Seu engajamento deve ser o de injetar ‘valores’ nas formas emegentes. E, para fazê-lo, precisa analisar criticamente tais formas novas. As questões que os novos engajados devem formular são, pois, necessariamente técnicas, por exemplo: como é possível se alterarem os feixes que irradiam imagens e dispersam a sociedade em indíviduoas solitários e programados? Tais questões técnicas são atualmente as únicas questões políticas interessantes. Essas questões se resumem em uma única: será desejável a dispersão atual da socidade em indivíduos solitários, e, caso contrário, existem técnicas que permitam reunir os disperçados?”
Vilém Flusser
NOTA – De hoje, terça-feira, dia 01 de junho, até o próximo dia 08, também uma terça-feira, não estaremos realizando as postagens diárias. Não por quaisquer razões de ordem operacional. Vamos iniciar amanhã uma DERIVA a partir de lugares mais distantes, além da participação de um encontro da REDE na condição de convidado especial. Existe a expectativa em torno das presenças de Hakim Bey e de Luther Blissett. Devo conhecer militantes da nova geração do Movimento de Libertação Vodu Revolucionário. O encontro da REDE é bancado pelo BFAP (Banco de Financiamento das Atividades de Pirataria). Nas horas vagas estarei na Lapa, onde serão realizados os encontros etílicos. Da programação consta observações antropológicas em um baile funk. O principal objetivo é o de aumentar ao infinito comportamentos da mais absoluta irresponsabilidade. Vai ser uma atividade muito louca e que deverá resultar em boas postagens na volta. Até.
Estamos retomando a atividade diária em que, nas primeiras horas da manhã, realizamos uma postagem. Assim como acontece nos veículos da mídia corporativa, dos jornalões como diz Mino Carta, as reformulações gráficas e editoriais buscam uma maior atenção dos leitores, sendo que em nosso caso vamos tentar, também, uma radicalidade mais visceral em nossas críticas e observações. Nunca é demais lembrar que continuamos sob censura. Medida que impede o monitoramento de matérias e fotos publicadas em Zerolândia. Nesse período foi realizada uma audiência do processo na esfera criminal. Foi uma bela oportunidade para reafirmar tudo que temos expressado nos últimos dez anos sobre as práticas do jornalismo Bundão. O acesso a este depoimento é público.
O PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações), definitivamente, ocupou a Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS). Uma ocupação pacífica, sim. Como parte da rede de conivências corporativas. Parte do processo que “amarra” algumas das pontas da atual conjuntura: o fim do diploma (sou a favor/não muda nada), modernização da estrutura material da faculdade, implantação de um currículo de escola técnica, convênio para treinamento de mão-de-obra em veículos do Partido, tudo com o aval do Sindicato da categoria. Espírito crítico só como jogo de cena. O ensino público, todo, voltado para a formação da força de trabalho necessária à esfera dos interesses privados. Durante os últimos dez anos escrevi sobre esta tragédia. E, a estas alturas, só posso dizer que em 20 anos como professor (na Fabico), relaciono os 30 melhores alunos do período e verifico que nenhum deles trabalhou no PRBS. Com a exceção de no máximo meia dúzia e por muito pouco tempo. Os melhores dos 30 melhores – bem no topo da lista – estão os marginais, os que continuam à margem. Os que, eventualmente, trabalham em veículos da mídia corporativa, por uma questão de sobrevivência, estão clandestinos e, seguidamente, deprimidos. Clandestinidade imposta aos melhores alunos da atualidade.
Nessa retomada seria possível realizar vários outros registros. Alguns livros da máxima importância – para a formação de verdadeiros jornalistas – foram publicados. Destaco dois de Vilém Flusser, ambos publicados pela editora AnnaBlume. “A história do Diabo” é uma leitura surpreendente, mas absolutamente obrigatório é “A escrita – há futuro para a escrita?”. Li trechos de “A questão dos livros”, de Robert Darton, da Companhia das Letras e, também, de “Não contem com o fim do livro”, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, da Editora Record. Deste último, o capítulo “O que fazer de sua biblioteca depois de sua morte?” é uma preciosidade.
Ainda não concluímos todas as alterações planejadas para esta nova fase de Pontodevista. Assim como também ainda não dominamos todas as novas ferramentas e possibilidades técnicas. Pretendemos, gradativamente, trazer para o blog uma grande parte do material publicado na revista/site Pontodevista nos últimos oito anos, atualizando e contextualizando cada matéria. Assim como está previsto um melhor aproveitamento do material produzido nas Derivas cotidianas, mergulhos cada vez mais rotineiros e profundos na realidade.
Aproveitamos para reafirmar a nossa mais absoluta e crescente irresponsabilidade. Como temos dito JORNALISMO é subversão. O da mídia corporativa é perfumaria. É showrnalismo.
Ousar lutar, ousar vencer!