JORNALISMO SUBVERSIVO
01 de fevereiro de 1978. Pela primeira Lula é capa de uma revista de circulação nacional. O editor é Mino Carta. A revista apresenta ao país, em sete páginas, o líder sindical; e, de alguma forma, aponta que o operário do ABC será uma pessoa importante na história futura do país. As declarações de Lula são de direita. Contra a atuação de partidos nos sindicatos e de estudante em portas de fábricas. E por aí afora. É surpreendente.
Carta Capital, 02 de dezembro de 2009. Revista dirigida por Mino Carta. Trinta e um anos depois temos “Personagem do Mundo”, Lula. Jornalismo como subversão. A capacidade de intuição. De inverter a lógica dominante. A percepção das diferenças onde aparentemente existem apenas semelhanças. Ou as semelhanças onde aparentemente existem apenas diferenças. A absoluta singularidade.
Na mesma edição temos a resenha do livro “Revoluções”, de Michel Löwy, da editora Boitempo, com destaque para a publicação, pela primeira vez, de um amplo material fotográfico. Como parte da resenha é destacado, também, a publicação do livro “Falando da Sociedade”, de Howard Becker, da editora Zahar. Cabe assinalar que Becker desenvolve a idéia de que “aos fotógrafos raramente é permitido especializar-se em um tema, ao contrário do que ocorre com o repórter da escrita, a balançar entre os esportes, a política ou os filmes. Como trabalha no calor do instante, o fotojornalista tende a revelar uma certa superficialidade, ora cruel, ora compassiva, com seu objeto “. A resenha destaca ainda: “segundo James Agee e Walter Evans, autores de ‘Elogiamos os Homens Ilustres’, editado pela Companhia das Letras, a discussão sobre a ética do fotógrafo”. Três indicações de leitura.
Estas são idéias pelas quais estamos brigando. Cada vez mais fico convencido de que não perdi o fio da meada. Estar sendo processado é um forte indicativo de que acertei o alvo, mesmo que seja com uma bolinha de gude.
Ser procurado por ex-alunos da década de 90 me deixou em paz. Devo ter significado alguma coisa. Emociona.
Paradoxos
Este mesmo número da revista Carta Capital publica um suplemento “Especial/Infraestrutura/Agronegócios” que abre com a matéria cujo título é “Uma vocação a ser cumprida” e, a seguir, “Os inimigos da produção”. Este último com um parágrafo inicial que é uma preciosidade:”O consumo de agrotóxicos e fertilizantes no Brasil é um dos que mais crescem no mundo. O aumento é justificado pela pobreza maior de nosso solo e pelo clima subtropical propício à dissiminação de pragas e doenças (…)”
Já nas página 36/37 temos a matéria “Os vencidos não se entregam” - sobre o MST - realizada no assentamento Rosa Luxemburgo. Desmonta com o “horror” (?) da destruição dos pés de laranja das terras da Cutrale. Terras ocupadas ilegalmente. Pela Crutale, é claro.
Jornalistas, como agentes da subversão, devem se movimentar, com independência, nesse universo de contradições.
ATENÇÃO
Esta era a postagem prevista para amanhã, segunda-feira, mas tendo em vista que poderemos ter dificuldades técnicas, antecipamos. Equipamentos estarão em revisão ao longo da semana. Em princípio, a idéia é voltarmos à periodicidade diária a partir do dia 07 de dezembro.

30/11/2009 às 21:27
Jornalismo, simplesmente; o que é mais óbvio, é escasso na imprensa grande atual. Showrnalismo? Notícia só como Negócio? Incompetência? Produto dos três, creio.