“BELLE DE JOUR” DO MERCADO PÚBLICO

Ela não é a “Belle de Jour” do cineasta Luis Buñuel. Não é Catharine Deneuve.

Ela é Vanessa. “Belle de Jour” do Mercado Público de Porto Alegre. Dos bares.
Trabalha em uma atividade que exige especialização. Passa no Mercado, antes de ir para casa, e bebe uma cerveja. E pede bem gelada. “Bela da Tarde” do Mercado Público.

Se movimenta com a absoluta desenvoltura. Sabe que é o centro das atenções. Retribui, conversando com todos na maior naturalidade.

Ela é a minha “Bela da Tarde”. Pelo olhar tem me autorizado fazer as fotos. Ela é a minha Catharine Deneuve.

Gostaria de ser um poeta
contar sobre a magia e alma
desta mulher que se expõe
e que guarda mistérios
(e aprender a escrever)
exercício de sensibilidade
prazeiroso “olhar” que
com atenção e paciência
capta esta sensualidade
(e aprender a fotografar)
e, assim, vou contando fragmentos do meu tempo. Minha história como jornalista. Como dizia John Reed “descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”. Garimpo as coisas belas da vida. Flanando e na deriva. Sonho conseguir ser um grande vagabundo. Ainda sou um aprendiz.
(ATENÇÃO - por problemas de ordem técnica é possível que nos próximos dias não consiga realizar as postagens diárias. Fotos com o enquadramento original e sem qualquer manipulação no computador.)
NOTA FINAL
Só retomaremos as postagens diárias na próxima segunda-feira, dia 23.11.2009. Equipamentos em revisão. Até lá, Wu.

16/11/2009 às 04:23
Capturar a vida em seu contexto REAL e detalhe SINTÉTICO exige envolvimento, para além de manipulações e estética. O olho certeiro e insubistituível do coração. Que vivam as “Belle de Jour”, marginais de todos Mercados do mundo; vagabundamente salvas das lentes enganadoras de caras e das tintas espetacularizadoras de capas.
16/11/2009 às 09:31
“Sonho conseguir ser um grande vagabundo”. Acho que conseguiu aí sintetizar o sonho de todos os jornalistas por vocação. Estes retratos da Bela da Tarde (re)encontram a poesia do cotidiano. Olhar afinado. Exercício diário de simplesmente estar presente. Profundamente presente. Dá-lhe!
16/11/2009 às 09:47
Como diria o Seu Jorge, “Maravilha de mulher…”
16/11/2009 às 22:49
“O jornalismo não está mais nas redações!”
Fica difícil dizer quem é o autor desta frase, nos últimos meses várias pessoas a repetiram. E é uma decisão que cada jornalista deve tomar, comparando se a liberdade editorial que tem, condiz com o que deseja fazer realmente. Todo jornalista tem um pouco de vagabundo, de rebelde, de anarquista, de sonhador, de putanheiro, apaixonado e de apostador.
Dale WU, apostaremos sempre na possibilidade de um jornalismo novo. O novo jornalismo já está velho, Tom Wolfe teve seu tempo, o jornalismo novo depende de nós. Acho que jornalismo não combina com redação, combina com rua, com quintal, com campo e matagal.
22/11/2009 às 15:43
O Jornalismo, digno do nome e da maiúscula, segue vivíssimo. Às vezes ele se esgueira nos grandes veículos, escapa subversivamente entre as páginas dos grandes jornais e os intervalos comerciais das emissoras de rádio e TV. Para quem ama o Jornalismo e a Vida, encontrar esses fragmentos é sempre uma renovação de esperança. Cabe a nós, Jornalistas de todas as idades, cores e credos, encontrá-los e incentivá-los. O que se auto-censura, o que diz que nem fará porque não vai ser publicado, esse já nasceu morto para o Jornalismo. Jornalismo, tanto quanto subversão, é confronto. Um confronto cheio de ternura, mas ainda assim intenso, ao qual temos que nos dedicar todos os dias.
Realmente, Ungaretti. Precisamos MESMO tomar um café quando eu estiver de novo em POA…