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OS BONDES DA MÍDIA

                “ESSE JOGO INSENSATO DE ESCREVER.”
                                                         Mallarmé

       “Nunca é demais lembramos que “o conceito de cultura é profundamente reacionário. É uma maneira de separar atividades semióticas (atividades de orientação do mundo social e cósmico) em esferas, às quais os homens são remetidos. Tais atividades, assim isoladas, são padronizadas, instituídas potencial e realmente centralizadas para o modo de semiotização dominante – ou seja, simplesmente cortadas de suas realidades políticas.”  Guattari

       Daí a (des)politização de todas as manifestações. Padronizadas, são cuspidas de volta como mais um objeto de consumo, no universo do descartável. O showrnalismo publicitário é parte essencial do mecanismo de reprodução deste sistema. Chegamos, assim, às manchetes que vendem “Bondes, escola de bandidos” (linguagem para a periferia) e “Alianças amplificam a violência das gangues” (linguagem para a classe média). Na década de 60, quando íamos à matinê assistir “Amor, sublime amor” - em que havia brigas de guangues nas ruas de Nova York -, saímos do cinema dispostos a uma boa briga com a guangues do bairro mais próximo, ou do fim da linha do bonde Petrópolis. Primeiros indícios do poder da máquina de entretenimento montada pelos Estados Unidos. Máquina para a venda de rudimentares bens simbólicos. De ideologias. Os mais ousados íam para o confronto com um canivete de mola. E o sonho era ter uma calça Lee americana, desbotada. Alguns preferiam Leves. O poder da televisão, gigante ainda tímida, era pequeno mesmo com o fascínio pelo novo. Era impensável a Internet, assim como não existiam as máquinas de visão. Câmeras de todos os tipos. Uma polaroide custava muito caro. E, consequentemente, não havia o exibicionismo de hoje.
       O jornalismo atual é este museo de tragédias que alimenta a loucura pelo consumismo, em todas as suas variáveis. É o mecanismo, especializado, de construção destas manchetes criminosas e realimentadoras desse mesmo processo, ao infinito. É certo que logo teremos alguma grande campanha. Está sendo construída a subjetividade que possibilitará o enquadramento dos jovens que gostam de funk, usam bonés, correntes e bermudas longas. Nenhuma linha sobre a falta de lazer, escolas atrativas, condições de transporte e saúde, ausência de qualquer participação política com sentido de contestação e outros meios essenciais para a formação de um cidadão. Um país de desdentados.
        Esta é a democracia da exclusão. Por indução, fragmentação, inversão e ocultação, a mídia corporativa é o grande instrumento da cartografia que possibilita e indica aos aparelhos do Estado onde o sistema ficou “desregulado e doentio”, sugerindo a seguir, o remédio “corretivo”. Sempre de olho na próxima “tragédia”. No próximo “distúrbio”.   
        As redações estão no piloto automático. A hegemonia é dos jornalistas Bundões. Nenhuma reflexão sobre a relação entre a profissão e a realidade concreta. Todos, diplomados nas escolinhas de comunicologia, integrados à grande rede de conivências corporativas. Os Bondes da mídia são muitos. Na atualidade, destaque para o ”perigo Dilma”, “Dilma estatizante”, mas sem qualquer referência ao fato de que a carga tributária com FHC cresceu 6 pontos percentuais. Com Lula 4 pontos. E o PIB cresceu mais a partir do governo do operário metalúrgico. E não morro de amores por nenhum deles. Acredito que ainda conseguiremos mudar o mundo sem tomar o poder.
        O Bonde Mídia é terrível. Disfarça sua natureza visceralmente criminosa. 

A IMAGEM

Via papilsgras

######Este texto foi escrito em uma única sentada. Pertubado pelo poder das manchetes de dois jornais do gauchismo. No correr do dia devo fazer as correções e algum acréscimo.

###### Não sei muito bem o que escrever quando recebo algumas manifestações de extremo carinho. Fico emocionado. Leiam aqui. O texto é de Juliano Bruni. 

###### Ofereço a todos, como agradecimento, o texto da postagem de hoje, escrito a partir de uma breve reflexão sobre o poder de duas manchetes. Não posso fazer nada. Sou jornalista, penso criticamente.

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