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CARNAVAL DE RESISTÊNCIA

 
Esta é a segunda postagem do dia. Iniciativas como Maria do Bairro, Banda DK, Rua do Perdão, Baixada da Borges, nos dias que antecedem o carnaval, são manifestações de resistência dos autênticos foliões. Porto Alegre é a única cidade que tirou a folia do centro. O carnaval, assim, morreu. Ficou como espetáculo em um gueto. A folia nas cidades de Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e de Recife são no centro, na área de confluência da população. Sou do tempo do carnaval na Borges de Medeiros, João Pessoa, Perimetral com desdobramentos na Santana e Vicente da Fontoura. Indentificávamos a escola do cara  ou da negrona, dentro do ônibus, pela fantasia. No amanhecer pessoas dormiam nas praças. Muitos só voltavam para a periferia (esta expressão não existia) na quarta-feira. Em tempos da pista de eventos, é tudo muito organizado, limpo e altamente policiado. Porto Alegre é um túmulo nos dias da folia. Acabou a alegria anárquica, espontânea e de grande participação popular.
       A resistência está nessas pequenas manifestações que resgatam a grande alegria e confraternização desse povo mestiço. Os cronistas bundões, da mídia corporativa, não reproduzem observações como “a negrada” com seu carnaval, finalmente, foi confinada no gueto do Porto Seco. Ou fica mais fácil controlar essa ”negrada”, da periferia, além de sujar menos a cidade.  E coisas “quetais”. Até mesmo a Muamba deixou de ser uma grande manifestação popular. Da mais absoluta espontaneidade.
       Sou do tempo da Cabana do Turquinho. Passeávamos na Voluntários da Pátria pra olhar as putas. Os que arriscavam iam de Bezentacil e comprimidos de tetrex. Do tempo que os Embaixadores do Rítmo ensaiavam no campo do Bagé, no bairro Petrópolis. E do bilhar atrás do cinema Ritz. Do tempo que maconha era “dolar”, bem servido dava dois baseados. “Marginal”, da pesada, botava nos “canos” afetamina. As “garrafas” vinham da Argentina. Do tempo que jornalista Bundão não tinha a mínima chance.

  Na folia da Maria do Bairro, da rua Sofia Veloso, ela, pela animação contagiava e foi destaque.

 
Os jornalistas Wladymir, Jeanice e o carnavalesco maior da cidade, o Pernambuco. Todas as manifestações carnavalescas, de maior autenticidade, contam com o trabalho desse folião e sua capacidade de aglutinar as pessoas. Pernambuco anunciou a volta da Banda DK para sábado de carnaval. Imaginem banda DK na rua do Perdão!


Os jornalistas Jeanice e Emílio Chagas. Duas grandes figuras, históricas, do movimento negro de PA. Sempre estiveram envolvidos com manifestações da cultura popular. Emílio Chagas, no início da década de 70, era um dos mais brilhantes redatores da antiga Rádio Continental. Jeanice era  a musa inspiradora de muitos jornalistas. Até hoje uma estudante compulsiva. Uma repórter de mão cheia. Emílio trabalha, hoje, com produção cultural e conhece tudo de cidade.

## jornalista e professor (UFRGS) Wladymir Ungaretti responde a três ações, na Justiça, movidas por funcionário com 35 de PRBS (Partido Brasil Sul de Comunicações). Um ano com material de crítica retirado da rede sob ameaça de pagar 150 reais diários em caso de descomprimento da determinação. A rede de conivências corporativas não diz nada. Silêncio perfeitamente compreensível. 

3 Comentários »

  1. natusch — 8/02/2010 @ 22:00

    Na verdade, e sendo bem honesto, nunca gostei de carnaval. Sempre detestei, inclusive. Mas, parando para pensar, talvez eu tenha essa reação porque nunca cheguei a conhecer o carnaval de verdade – não esse que virou show de TV, não esse que joga o povo para bem longe do cidadão de bem, não esse que transforma a folia em campeonato e a festa popular em lucro particular. Lendo o texto e vendo as fotos, fiquei muito curioso com essas manifestações tipo a da Sofia Veloso, que eu confesso que nunca prestigiei. Talvez seja o caso de dar uma experimentada…

  2. Esfriando os tamborins – ou, breves devaneios pré-carnavalescos « Natusch. Igor Natusch. — 11/02/2010 @ 00:07

    [...] Mas aí eu vejo um post tipo esse do blog do Ungaretti (de onde peguei a foto emprestada, aliás) e fico pensando se, de repente, não sou eu que sou rabugento demais e não dou uma chance pro carnaval de verdade – não esse carnaval pateta da televisão, não essa bobagem escrota de transformar folia em campeonato, e sim um carnaval mais autêntico, mais romântico, menos desencanado e menos desvirtuado. Uma coisa popular de verdade, não um pretexto para fazer merda sem controle ou para ganhar dinheiro com turismo e propagandas na TV. Não que eu ache que ia amar de paixão participar de um bloco de rua, ou que eu ia curtir horrores os carnavais dos anos 40 ou 50 – como eu disse, eu sou uma pessoa que não nasceu para festejar como se não houvesse amanhã, e isso não muda nem com coma alcoólico nem com lança-perfume nem com nada disso. Mas talvez eu fosse, sei lá, mais simpático a essa manifestação popular, vai saber?… [...]

  3. joao — 23/11/2013 @ 14:12

    amigo

    agora tem o bloco da laje tambem resgatando os blocos de carnaval de rua!!!


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