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carta de saída de militantes do MST, MTD, Consulta Popular e Via Campesina

TERÇA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2011
Dentro dos limites de um documento como este, pretendemos esclarecer quais os motivos que nos levaram a tomar a decisão da saída, fazer uma análise do contexto histórico em que ocorre esta decisão e, com base nestes dois aspectos, fazer um diálogo franco com a militância. São tempos de aparente melhoria das condições de vida da classe trabalhadora no Brasil, pelo menos até a próxima crise. Mas será que está tudo tão bem assim? O resultado do desenvolvimento e crescimento econômico dos últimos anos são migalhas para os trabalhadores e lucros gigantescos para o capital: aumenta a concentração da terra, os trabalhadores se endividam, intensifica-se a precarização do trabalho e a flexibilização de direitos, garantidos pela violência do aparelho repressivo do Estado. Isto tem sido sustentado por um pacto de colaboração de classes, feito pelas organizações que representam os trabalhadores com o objetivo de contê-los.

 O processo histórico que nos produziu

Dois acontecimentos são fundamentais para analisarmos a situação das atuais organizações de esquerda no Brasil: o impacto da queda do muro de Berlim, tão determinante quanto foi a referência da Revolução Russa no século passado, e a reestruturação produtiva do capital. Nas décadas de 1950 e 60, a principal concepção da esquerda afirmava que para superar o capitalismo no país era fundamental completar o seu desenvolvimento. A ditadura militar interrompe estas lutas, que são retomadas nas décadas de 1970 e 80, diante de uma grande crise para a qual o regime militar não encontrou saída. Ressurgem greves, oposições sindicais e ocupações de terra num novo caráter, mas trazendo em boa medida heranças da estratégia do ciclo anterior.  A CUT e o PT surgem nesse período, questionando o capitalismo e colocando o socialismo no horizonte. Dentro da mesma estratégia, surge logo depois o MST, lutando contra a concentração de terras, pela Reforma Agrária e o Socialismo. Neste período, qualquer luta de caráter popular ou democrático se transformava numa luta contra a ordem, devido ao limite imposto pela ditadura militar. Baseada na análise de que o capitalismo no Brasil era dependente dos países centrais, tendo como inimigo principal o capital internacional, e uma burguesia comprometida com as oligarquias rurais, que não realizou as tarefas típicas de uma revolução burguesa clássica (“tarefas em atraso”), esse bloco histórico construiu uma estratégia: o Projeto Democrático e Popular. Os trabalhadores organizados e em luta deveriam realizar essas reformas, utilizando a via eleitoral como acúmulo de forças para chegar ao Socialismo. O PT se construiu como pólo aglutinador desse projeto, junto com outras organizações. As organizações de massa na cidade e no campo – CUT e MST – deveriam cumprir o papel de organizar e desenvolver estas lutas. Ao crescerem e se desenvolverem, organizações que tinham na sua origem uma postura combativa e táticas radicais (como PT, CUT e MST) vão obtendo vitórias importantes, sobretudo conquistando espaços institucionais, mas também sindicatos, terras, escolas, cooperativas de produção, cooperativas de crédito, convênios com governos, políticas públicas e compensatórias. À medida que cresceram essas organizações, a luta institucional e os espaços institucionais tornaram-se centrais. Neste cenário surge a Consulta Popular, criticando o PT por ter colocado a centralidade na luta institucional e eleitoral e cada vez menos nas lutas de massas. A CP se apresenta como alternativa na luta por uma Revolução Socialista. Surge também o MTD, a partir da Consulta Popular, inspirado no exemplo do MST, com a tarefa de ser uma ferramenta de luta e organização urbana.

 As contradições desse processo

Agora nossas organizações, cada uma a seu tempo e não sem contradições, estão dependentes do capital e seu Estado. As lutas de enfrentamento passaram a ameaçar as alianças políticas do pacto de classes, necessárias para manter os grandes aparelhos que conquistamos e construímos. O que em algum momento nos permitiu resistir e crescer, se desenvolveu de tal maneira que se descolou da necessidade das famílias e da luta, adquirindo vida própria. O que viabilizou a luta hoje se vê ameaçado por ela: o que antes impulsionava a luta passa a contê-la. O MST, até as eleições de 2002, caminhou desenvolvendo suas lutas e enfrentando grandes contradições relacionadas à hegemonia do agronegócio no campo. Nas últimas décadas, houve uma reformulação do papel do Brasil na divisão internacional do trabalho a partir da reestruturação produtiva do capital. O agronegócio promoveu no campo brasileiro mudanças estruturais, integrando latifúndio e indústria sob nova perspectiva de produtividade e o trabalho sob nova ótica de exploração. Este modelo inviabiliza a Reforma Agrária como possibilidade de organização produtiva dos trabalhadores para o campo brasileiro nos marcos do capital. Com a expansão e o fortalecimento do agronegócio, evidenciaram-se os vínculos dos governos do PT com os setores estratégicos da classe dominante. Alguns elementos confirmam esta análise: a desigualdade de investimentos entre agronegócio e reforma agrária, a aprovação das sementes transgênicas, a expansão da fronteira agrícola e com isso a legalização da grilagem nas terras de até 1500 hectares, a permanência dos atuais índices de produtividade e as recentes alterações no novo código florestal. Nesse sentido, enfrentar as forças do agronegócio seria uma crítica direta ao governo petista, colocando por terra a tese do “governo em disputa”. Essas transformações ocorridas no campo influenciaram nas formas de organização da vida material de nossa base, cada vez mais proletarizada, exigindo novas formas de organização e luta, que poderiam nos levar a outro patamar. Como opção de enfrentamento a esta realidade, o MST, contraditoriamente, segue idealizando o “camponês autônomo” e os “territórios livres”. Ao mesmo tempo, pactua com segmentos do proletariado rural, como CUT, Contag e Fetraf, com o objetivo de acumular forças contra o agronegócio. A questão que se coloca é: estas opções nos levarão a outro patamar de luta e organização para enfrentar o agronegócio, dado o grau de comprometimento destas organizações com a estratégia do Governo e do capital? O MTD, no último período, se reduziu a reivindicar políticas compensatórias, como as Frentes de Trabalho ou Pontos Populares de Trabalho, fechando os olhos para a nova realidade do aumento de empregos e suas contradições. Mesmo quando colocado o desafio da organização sindical, ela não foi implementada, para não ameaçar as atuais alianças políticas e a sobrevivência imediata, reduzindo a pauta à reivindicação de programas de governo para qualificação profissional. Ao abandonar as lutas de enfrentamento, embora sigamos fazendo mobilizações, nossas lutas passaram a servir para movimentar a massa dentro dos limites da ordem e para ampliar projetos assistencialistas dos governos, legitimando-os e fortalecendo-os. Agora o que as organizações necessitam é de administradores, técnicos e burocratas; e não de militantes que exponham as contradições e impulsionem a luta. Não é de hoje que existem críticas ao rumo que tomaram estas organizações, não só externas, mas sobretudo críticas elaboradas internamente. E este processo não ocorreu sem resistências por parte da base, militantes e alguns dirigentes. As ações de enfrentamento ao capital que marcaram o último período expressam esse conflito, por exemplo: as ações contra a Vale no Pará, a ação de destruição da Cooperativa de Crédito (Crenhor) no RS e as ações das mulheres no 8 de março em diferentes estados. Este último processo impulsionou um debate profundo sobre a relação entre o patriarcado e capitalismo, rompendo o limite da questão de gênero e da participação das mulheres nas organizações, e propondo o feminismo e o socialismo juntos como estratégia de emancipação da classe. Todas essas ações sofreram severas críticas internas e passaram a ser boicotadas política e financeiramente. Estamos há anos fazendo lutas dessa natureza e elaborando essa crítica nas mais diferentes instâncias dos movimentos, e como essas ações não tiveram força nem de provocar o debate da estratégia, quanto menos modificá-la, acabaram por legitimar o rumo das organizações.

Mudança de rumo ou continuidade do projeto estratégico?

A questão fundamental para nós não é só criticar a burocratização, institucionalização, o abandono das lutas de enfrentamento, a política de alianças, que aparecem como um problema nas organizações, mas sim identificar o processo que levou estas organizações políticas a assumirem essa postura. A crítica restrita ao resultado leva a refundar o mesmo processo, cometendo os mesmos erros. O problema em questão não é que houve uma traição da direção ou um abandono/rebaixamento do projeto político; um erro na escolha das táticas ou dos aliados. A questão fundamental é a contradição entre o objetivo e os caminhos escolhidos para atingir tais objetivos: propúnhamos o Socialismo como objetivo, mas o projeto estratégico que traçamos ou ajudamos a trilhar não nos leva a esse objetivo. Tal estratégia política não é nova na luta de classes: sua origem está na social-democracia européia de há mais de um século, adaptada às condições históricas do Brasil numa versão rebaixada, que foi reproduzida nas últimas décadas pelo PT e CUT e recentemente por MST/Via Campesina, MTD e CP. Atualmente, se apresenta na forma do Projeto Democrático Popular e Projeto Popular para o Brasil. A Consulta Popular foi sendo construída negando a experiência do PT: não só porque o PT se transformara em partido eleitoral, mas também pelas conseqüências que essa transformação causou em sua forma organizativa. No entanto, a Consulta Popular não nega o Programa Democrático Popular, sua crítica se limita ao “rebaixamento” do Programa. Para nós, este é um governo Democrático e Popular. Não da forma idealizada como querem alguns, mas com as concessões necessárias para uma ampla aliança. O PDP deu nisto. Nesse sentido, nossas organizações foram vitoriosas quanto ao que se propuseram. E nós contribuímos com este processo, no entanto hoje percebemos que esta estratégia não leva ao Socialismo, ao contrário, transforma as organizações da classe em colaboradoras da expansão e acumulação do capital. O que se apresenta como uma vitória para nossas organizações, na perspectiva da luta de classe, é uma derrota.

Considerações finais

Diante desta crítica, concluímos que não seria coerente que em nome da luta continuássemos em nossas organizações, implementando um projeto de conciliação de classes. Somos resultado deste processo histórico, nele constituímos nossa experiência de luta política e formação teórica, mesmo que em geral ativista e pragmática. A crítica no interior do pensamento socialista sempre cumpriu um papel revolucionário e por isto julgamos ser uma tarefa a produção de um pensamento crítico sobre este período de vida das nossas organizações e para isto a apropriação da teoria crítica marxista é urgente. Não podemos querer compreender profundamente nossas contradições dividindo as posições entre “reformistas e revolucionários”, entre “camponeses e urbanos” ou entre “socialistas já e socialistas nunca”, pois assim ajudamos a despolitizar o processo de reflexão. É preciso considerar que vem se conformando uma ampla aliança política, consolidando um consenso que envolve as principais centrais sindicais e partidos políticos, MST, MTD, Via Campesina, Consulta Popular, em torno de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, subordinado às linhas políticas do Governo, conformando assim uma esquerda pró-capital. O grau de comprometimento a que chegamos com o capital e o Estado nos levam a concluir que esse processo não tem volta. Esse alinhamento político não ocorre sem conseqüências: operam-se mudanças decisivas nas formas organizativas e no plano de lutas das organizações, na formação da consciência de seus militantes e na postura que a organização tomará no momento de ascenso. Neste momento, as “forças acumuladas” não atuarão na perspectiva de ruptura. Compreender esta conformação da esquerda não significa afirmar a tese sobre o fim da história, e dizer que não há o que fazer. Ao contrário, é preciso atuar na fragmentação da classe para retomar seu movimento na perspectiva de ruptura. Nos propomos a permanecer com a classe, buscando construir a luta contra o capital, seu Estado, o patriarcado, por uma sociedade sem classes. Compreendemos que não estão geradas as organizações do próximo período, assim como sabemos que não haverá nunca se não houver militantes com iniciativa e dispostos à construí-las. Os combates que travamos, o trabalho de base, os processos organizativos nos ensinaram muito e nos tornaram o que somos hoje, nos ensinaram a lutar. Seguiremos a partir dessa experiência, aprofundando a crítica e procurando ir além do que nos produziu.

 ”Aquele que conta ao povo falsas lendas revolucionárias, que o diverte com histórias sedutoras, é tão criminoso quanto o geógrafo que traça falsos mapas para os futuros navegadores” (Hippolyte Lissagaray – Comuna de Paris)

 “As Revoluções são impossíveis… até que se tornem inevitáveis.”

1. Ana Hanauer (MST e CP RS)
2. Bianca (MST RS)
3. Carmen Farias (MST SP)
4. Claudia Ávila (MST RS)
5. Claudia Camatti (MTD RS)
6. Claudio Weschenfelder (MPA SC)
7. Cleber (MTD RS)
8. Darlin (MTD RS)
9. Débora (MTD RS)
10. Eder (MST RS)
11. Ezequiel (MTD RS)
12. Fábio Henrique (MST SP)
13. Fernanda (MTD BSB)
14. Gilson (MST RS)}
15. Greice (MTD RS)
16. Irma (MST RS)
17. João Campos (MST SP)
18. João Nélio (MST SP)
19. Jesus (MST RJ)
20. Juarez (MST RS)
21. Jussara (MST SP)
22. Letícia (MTD RS)
23. Lucianinha (MST RS)
24. Luís (MPA SC)
25. Marcia Merisse (MST SP)
26. Marcionei (MTD RS)
27. Maria Irany (MST AL)
28. Maurício do Amaral (MST SP)
29. Michel (MTD DF)
30. Micheline (MST RS)
31. Mila (MST e CP SC)
32. Neiva (MST RS)
33. Nina (MST e CP RS)
34. Oscar (MST RS)
35. Paulinho (MST SP)
36. Pedroso (MST RS)
37. Pincel (MST RS)
38. Portela (MTD RS)
39. Raquel (MST RS)
40. Ricardo Camatti (MTD RS)
41. Salete (MTD RS)
42. Socorro Lima (MST CE)
43. Soraia Soriano (MST SP)
44. Tatiana Oliveira (MST SP)
45. Telma (MST SP)
46. Telmo Moreira (MST RS)
47. Thiago (MTD BSB)
48. Valdir Nascimento (MST SP)}
49. Vanderlei Moreira (MST CE)
50. Verinha (MST RS)}
51. Zé da Mata (MST SP)

 É importante ressaltar que alguns dos que assinam este documento já se afastaram ou foram expulsos das organizações que faziam parte em 2009 e 2010 sem poderem expor seus motivos, o fazem agora nesta carta.

É preciso uma “leitura” super atenta. Suponho que seja um documento resultante de uma aprofundada discussão entre militantes destes movimentos sociais. Gente mergulhada na atividade prática de militância, algo extremamente difícil nos tempos atuais e que, ao mesmo tempo, procura pensar a realidade na qual estão mergulhados. Estão, assim, propondo uma discussão política. Coisa que boa parte da esquerda perdeu o hábito.

largo vivo: uma Porto Alegre para as pessoas

No sentido inverso do que os administradores sonham para a cidade, o movimento “Largo vivo: uma Porto Alegre para as pessoas”, todas terças-feiras ocupa o Largo Glênio Peres, a partir das 18 horas, sendo que qualquer um  pode participar. O Largo fica liberado para estacionamento a partir desde horário, medida que devolve aos carros o espaço. Os integrantes, além da confraternização desenvolvem as mais variadas atividades.
 O tempo chuvoso desta terça não ajudou muito, mas não chegou  a tirar o ânimo dos participantes. As fotos são do início da concentração e a atração já era este músico com sua gaita de fole.

se isso não é pauta de cidade, não entendo porra nenhuma de jornalismo

Quem se responsabiliza ou deveria fiscalizar as condições de segurança dos trabalhadores que montam e desmontam estas estruturas que, periodicamente, são instaladas no Largo Glênio Peres, em uma das laterais do Mercado Público de POA?
Quem se responsabiliza e paga pelos os estragos causados pela colocação e retirada dos “pinos” que sustentam estas estruturas? Quem tapa as crateras abertas? Como que se exige da população cuidados com as calçadas e ninguém é responsável por esta situação?
Os showrnais estão de costas para a cidade real. Não existe mais pauteiro voltado para a alma encantada das ruas. As pautas estão – com raríssimas excessões  - voltadas para interesses “econômicos” de algum grupo da cidade. Fazer média com leitor que telefona apontando buraco ou poste torto é uma barbada. Tem showrnalista que já declarou que não circula pelo centro devido a insegurança.

de  costas para a cidade real, sempre

Terreno na esquina que vai da Independência até a Castro Alves, lateral da Fernandes Vieira. A garagem/estacionamento será substituída por mais um imenso prédio. Corre a informação, no bairro, de que será construído um hotel na área.
A vista lateral a partir da Fernandes Vieira. O Bom Fim está deixando de ser o Bom Fim, um bairro ocupado pela comunidade judaica. A mídia corporativa é cega. As grandes mudanças do panorama urbano da cidade não estão sendo registradas, bem como todo os grandes negócios que estão por trás de toda esta transformação.
 Não temos nada contra a modernização da cidade, desde que a partir de critérios não “destruidores da memória urbana” da cidade e de cada bairro. A ganância e o apetite das imobiliárias é motivo de comentários nas mesas dos café. Um velho judeu, morador no Bom Fim desde 1930, disse que os judeus não moram mais no bairro. Se isso não é pauta de cidade, não entendo porra nenhuma de jornalismo. E a “boa ideia” de pauta, no caso, é buscar o lado subversivo de tudo isso. Não um registro das “maravilhas futuras” com suas garagens subterrâneas, Opus, Pepsi e os cambau. E Rendenção cercada. Este é o pior jornalismo de cidade da história do jornalismo. É showrnalismo. Perfumaria, secos e molhados. É o que aí está!!!!!

jornalistas trabalham com noções de comparação, sempre

JORNALISTAS NÃO CONCORREM A QUALQUER CATEGORIA DO PRÊMIO ARI-GÓ, da Associação Riograndense de Imprensa (ARI)

De velhos jornalistas, quando pela primeira fez coloquei os pés em uma redação de jornal, Zero Hora na Sete de Setembro –  bem no centro de POA – escutei a afirmação de jornalistas trabalham sempre com noções de comparação. Marcão (Marcos Faerman) dizia isso. Seguidamente, realizo este exercício em sala de aula junto aos meus alunos.

Mais uma aula de JORNALISMO de Mino Carta, edição semanal de Carta Capital  de 22 de novembro de 2011. Os leitores têm sua preferências. Escolhem uma revista e, por isso mesmo, não “olham” comparativamente. Na semana que caiu Berlusconi,

jornalismo

Capas da The Economist, Carta Capital e Time.

perfumaria

Capas de Época, Veja e Istoé.

“… o jornalismo brasileiro, entre o imediato pós-guerra e o golpe de 64, foi bem melhor do que o atual, se não no conteúdo pelo menos na forma, e mesmo durante a ditadura algumas publicações souberam ter momentos de grande dignidade. Na convicção de que as tiragens fermentem ao baixar o nível de sorte a secundar a parvoíce do público, com o pronto respaldo da publicidade mais abundante, acabou por enredar-se em sua próprias artimanhas e os profissionais, salvo notáveis excessões, assumiram o estágio intelectual inicialmente atribuído aos seus leitores.”   – trecho do editoral de Mino Carta.

Se sou eu que digo isso é “porralouquice” do prof. ungaretti. Mas como é o Mino Carta ninguém teve “tempo para ler”. Daí o silêncio em sala de aula. Segue o ensino do showrnalismo. E a luta por um diploma que não muda porra nenhuma!

as fotos da coluna da esquerda

1. Andy Warhol, Nova York, 1977
2. Bob Marley em 1973
3. Norman Mailer, em 1970
4. Alexander Solzhenitsyn em fevereiro de 1974

é preciso ter sorte e estar antenado

O jornal Estadão com esta foto de autoria de Epitácio Pessoa levou um prêmio Esso de Fotojornalismo. Dei sorte de ter comprado a edição em que a foto fui publicada; e, na ocasião separei para mostrar em aula. Em contraposição,  poderia fazer algumas considerações sobre material publicado na página 202 de Zerolândia dominical (jornal Zero Hora/do PRBS/ edição 20.11.2011), mas estou impedido por uma ação na Justiça (na esfera cível), movida por um funcionário com 35 anos de firma; e, que determina uma multa diária de 150 reais caso mantenha disponível, na rede, críticas realizadas no passado ou venha disponibilizar novas agulhadas. Fui absolvido, no processo criminal, em todas as instâncias. Ação promovida pelo mesmo funcionário. Tanto as críticas, como o uso de apelidos (amplamente) conhecidos na categoria, não foram consideradas um ato criminoso. Olhando a página 202, da edição dominical, todos entenderão que a estas alturas o que importa mesmo é que nossos objetivos foram alcançados. Estou pensando em sugerir a ARI (Associação Riograndense de Imprensa) a criação de um Prêmio Ari-gó de melhor foto-buraco, uma categoria própria para ex-cascateiros aposentados. Prêmio, evidentemente, para afagar o ego da firma e não do “profissional” autor da matéria. Mesmo que eu me “foda”, na esfera cível, estou de sangue doce nessa parada. Para o JORNALISMO cascata é cascata. E, como JORNALISTA que, por circunstâncias da vida exerce  a atividade de professor, reafirmo que JORNALISMO é subversão. E o seu Maurício, evidentemente, nunca me disse isso. Assim, como não me foi dito pelo saudoso João Aveline (aprendi muito de jornalismo com ele), velho dirigente do Partidão (PCB), mas sempre me foi dito por integrantes do Movimento de Libertação Vodu Revolucionário. Sou ligado em transgressores. Esse papo de esquerda dividida que favorece a direita é papo de Partidão. A direta sempre está unida, pelo menos na maioria das vezes, pelo simples fato de que a direita é o autoritarismo que não permite qualquer diversidade ou singularidade.  Tem ex-trotskista que, hoje, é assessor de imprensa. O anarquISMO está morto. Viva a anarquia. Cada um para um lado. Só nos encontramos nos bacanais das revoltas. Nas barricadas e nos cabarés da vida! Revolução é sacrifício. Revolta é uma coisa lúdica.

e, assim, acho que dei minha contribuição diária para a desorganização do sistema. afinal, acreditem, são ideias expressas por um professor de jornalismo da UFRGS. deve valer alguma coisa. e se não tiver nenhum peso, também, não tem a mínima importância. tudo isso é uma puta diversão. este “olhar” é instintivo! Nasci torto. Sou gauche.