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especializados em esconder o jogo dizia Perseu Abramo

 

 

  padrão de manipulação por ocultação

” É o padrão que se reflere à ausênsia e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação, isto é, da programação ou da matéria particular daquilo que na imprensa geralmente se chama de pauta. A ocultação do real está intimamente ligada àquilo que freqüentemente se chama de fato jornalístico. A concepção predominante – mesmo quando não explícita – entre empresários e empregados de órgãos de comunicação sobre o tema a de que existem fatos jornalísticos e fatos não-jornalísticos e que, portanto, à imprensa cabe cobrir e expor os fatos jornalísticos e deixar de lado os não-jornalísticos. Evidentemente, essa concepção acabou por funcionar, na prática, como uma racionalização a posteriori do padrão de ocultação na manipulação do real. Ora, o mundo real não se divide em fatos jornalísticos e não-jornalísticos, pela primária razão de que a características jornalística, quaisquer que elas sejam, não reside no objeto de observação, e sim no sujeito observador e na relação que este estabelece com aquele. O “jornalístico” não é uma característica intrínseca do real em si, mas da relação do jornalista, ou melhor, o órgão do jornalismo, a imprensa, decide estabelecer com a realidade. Nesse sentido, todos os fatos, toda a realidade pode ser jornalística, e o que vai tornar jornalístico um fato independe das suas características reais intrínsecas, mas depende, sim, das características do órgão de imprensa, da sua visão de mundo, da sua linha editorial, do seu projeto, enfim, como se diz hoje. Por isso o padrão de ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato não é jornalístico, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência por meio da imprensa. O fato real foi eliminado da realidade, ele não existe. O fato real ausente deixa de ser real para se tornar, se transformar em imaginário. E o fato presente na produção jornalística, real ou ficcional, passa tomar o lugar do fato real e a compor, assim, uma realidade diferente da real, artificial criada pela imprensa.”

para procurar nos “sebos”

 

 

Roger Garaudy tem uma extensa obra publicada entre nós. Minha geração leu e discutiu, intensamente,  ”Perspectivas do Homem”, editado pela Civilização Brasileira, em 1968. Garaudy, ainda no PC francês, com este texto propunha uma abertura de diálogo entre marxistas, existencialistas e católicos, mas em especial com os últimos. Em seu livro de memórias, “Minha Jornada Solitária pelo Século” (um depoimento que emociona), edição Nova Fronteira, de 1966, ele revela um acordo firmado entre ele e Dom Hélder Câmara, no sentido de que cada um deles lutaria para um crescente diálogo entre comunistas e católicos. Garaudy, considerado nas décadas de 60/70 a direita do Partido Comunista Francês, conviveu com importantes personalidades do século XX. Esteve algumas vezes com Mao Tse-tung, trabalhou no primeiro plano educacional cubano, após a vistória de Fidel Castro; e, de uma forma ou outra, esteve em contato com quase todas as personalidades do século XX. Tem um livro curioso sobre a história da dança editado, também,  pela Nova Fronteira, com o título “Dançar a Vida”.  Este livro, de alguma forma, abre aos ocidentais suas descobertas sobre o islamismo. Ele acaba se convertendo ao islã. Batendo de frente com este livro em um “sebo” – livraria de usados – não vacile. É um texto importante. (wu)

jornalistas buscam uma formação enciclopédica. e só chegam lá com a idade.

 

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