
Todo este material é da edição de quinta-feira, 19 de maio, do jornal Estadão.
Estão arrasando o país. Enquanto isso, as quadrilhas discutem o tal do código da destruição.
Caderno Paladar, na mesma edição do jornal “O Estado de São Paulo” publica uma matéria sobre a riqueza da floresta em termos de frutas, muitas das quais uma grande parte do pais nunca provou.
É esta biodiversidade que está sendo destruída. Um patrimônio da humanidade, dos seres humanos e tudo sendo arrasado para venda de madeira, criação de gado de corte para exportação e monocultura de alguma praga de laboratório. Este é o padrão de manipulação por fragmentação. A matéria do desmatamento na amazônia tinha que estar no caderno Paladar sobre as frutas da região. Ou uma matéria sobre a riqueza das frutas amazônicas na mesma matéria sobre o desmatamento. Não puderam evitar a publicação da notícia no dia do caderno.
a feira da biodiversidade no Largo Glênio Peres (PO)

Um público atento à apresentação de bonecos do Teatro Divina Comédia.

A rádio pela Internet, direto do Largo, transmitiu todas as atividades do dia.
A banca dos anarquistas com a distribuição de materiais de propaganda.
A apresentação do grupo teatral Levanta Favela. Não deixe de ler UTOPIAS de HERÉTicos E mALDITos.

Status foi a grande revista da década de 70. Não existiam dezenas de publicações para o público masculino com ensaios fotográficos. Só as importadas. O primeiro número chegou às bancas em agosto de 1974. Em plena ditadura do “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A história da revista e as dificuldades com os censores está contada nesse número de (re)lançamento. Um pouco da história da imprensa. Alguns ensaios fotográficos fizeram história: Sandra Bréa, Silvia Krystel, Dina Staf, Elke Maravilha, entre outros. Nada parecido com os atuais ensaios. O destaque, no entanto, eram as grandes entrevistas. Em agosto de 1974 as chamadas de capa eram para uma matéria exclusiva: Status e Playboy e o livro Anti Nixon, além de um texto inédito de Scott Fitzgerald. Tenho, em algum canto da minha biblioteca, uma coleção quase completa da antiga Status. Este número de (re)lançamento tem um belo ensaio fotográfico com Fernanda Tavares, mas no velho estilo. Seguindo a tendência atual, os textos são curtíssimos, em geral. Uma matéria exclusiva com “os bastidores do wikileaks – contados pelo braço-direito de Julian Assange no Brasil”. Muitos e sofisticados anúncios, assim como uma edição de luxo. Coisa para a altíssima classe média do país. Andando pelos sebos da cidade (PA) você poderá encontrar alguns exemplares da antiga Status. Não deixe de comprar e de conferir o jornalismo que já se fez nesse país. E em plena ditadura. Não é saudosismo. A perfumaria, o mercado da venda de secos e molhados, faz do jornalismo atual um ditatorial instrumento de hegemonização de subjetividades reacionárias. Pierre Bordieu já dizia que variedades tem uma função ideológica. A de desviar a atenção do principal. Em 07.07.2010, realizamos uma postagem com o título “o entrevistador sabia o que perguntar”, a partir de um exemplar da velha revista Status. LEiA mAiS. Destacamos o verdadeiro Paulo Francis em entrevista realizada por Alberto Dines. Puro file.
é Montesquieu
“Quem busca sabedoria, que a busque onde se aloja; não tenho a pretensão de possuí-la. O que aí se encontra é produto de minha fantasia; não viso explicar ou elucidar as coisas que comento, mas tão somente mostrar-me como sou. Talvez venha a conhecer a fundo um dia, ou as tenha conhecido, se por acaso andei por onde elas se esclarecem. Mas já não as recordo. Embora seja capaz de tirar proveito do que aprendo, não o retenho na memória: daí não poder assegurar a exatidão de minhas citações. Que se veja nelas, apenas, o grau de meus conhecimentos atuais. Não se preste atenção à escolha das matérias que discuto, mas tão-somente à maneira como as trato. E, no que tomo de empréstimo aos outros, vejam unicamente se soube escolher algo capaz de realçar ou apoiar a idéia que desenvolvo, a qual, sim é sempre minha. Não me inspiro nas citações; valho-me delas para corroborar o que digo e não sei tão bem expressar, ou por insuficiência da língua ou fraqueza dos sentidos. Não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade das citações. Se houvesse querido tivera reunido o dobro. Provêm todas, ou quase todas, dos autores antigos que hão de reconhecer embora não os mensione. Quanto às razões, às comparações e aos argumentos que transplanto para meu jardim, e confundo com os meus, omiti muitas vezes, voluntariamente, o nome dos autores, a fim de pôr um freio nas ousadias desses críticos apressados que se espojam nas obras de escritores vivos e escritas nas língua de todo mundo, o que dá a quem queira o direito de as atacar e insinuar que planos e idéias sejam tão vulgares quando o estilo; e eu quero que dêem um piparote nas ventas de Plutarco pensando dar nas minhas, e que insultem Sêneca de passagem…”
e a dica de leitura é

“John Flory não esconde sua impaciência para com a vida de madeireiro da Birmânia – atual Mianmar – dos anos 1920, quando o remoto país asiático era uma colônia britânica tratada a ferro e fogo pelos império sediado em Londres. No clube de brancos racistas e bêbados que freqüentava, na pequena vila de Kyauktada, às margens da floresta tropica, Flory é considerado um bolchevique por ser amigos dos ‘negros’, isto é, os nativos do lugar, entre outros asiáticos que ali se estabeleceram. Segundos alguns críticos, o personagem John Flory é dos mais bem elaborados por George Orwell. Este é o primeiro romance dele. Geoge Orwell (1903-50) é o pseudônimo de Eri Arthur Blair. Esta é a nossa dica de leitura nesse momento. Acaba de chegar nas pequenas livrarias e é uma edição da Companhia das Letras.