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Não perca de vista

A postagem de hoje, segunda-feira, será disponibilizada na primeira hora da tarde. Mas não perca de vista que cada um de nós vive em um mundo pessoal que consiste principalmente de destinações bem conhecidas – o local de trabalho, o mercado da esquina, o apartamento, a casa de amigos – com alguns elos entre elas (sentado em um carro, ficar de pé no metrô ou parada de ônibus, subir escadas) e poucas chances de encontrar algo inesperado se continuar preso desta maneira. Em cada esquina é possível descobrir pessoas e coisas novas.  Estive perdido nos últimos dias. Mas quero continuar aberto ao mundo. Vivo de paixões.

a propriedade é um roubo

O conceito de propriedade intelectual está entranhado na psicose coletiva ainda mais fundo que o conceito de propriedade material. Muitos pensadores já disseram que propriedade é um roubo ao falar de imóveis e outros capitais  físicos, mas poucos ousaram dizer o mesmo sobre suas própria ideias. Mesmo o mais notório dos pensadores radicais orgulhosamente proclamam  suas idéias como, acima de tudo, suas idéias.
Foto em lomographya com uma máquina Diana F+, filme 120mm. negativo “escaneado”, corte na parte inferior, nenhuma outra anotação mais técnica, assim como nenhuma manipulação digital. Centro de Porto Alegre, Alberto Bins em direção à Voluntários da Pátria e Av. Farrapos.

para refletir no dia de hoje

“Quem se enganja politicamente na atualidade deve ser haver não com as formas sagradas, mas com as novas técnicas. Seu enganjamento deve ser o de injetar ‘valores’ nas formas emergentes. E, para fazê-lo, precisa analisar criticamente tais formas novas. As questões que os novos enganjados devem formular são pois, necessariamente técnicas, por exemplo: como é possível se alterarem feixes que irradiam imagens e dispersam a sociedade em indivíduos solitários e programados? Tais questões técnicas se resumem em uma única: será desejável a  dispersão atual da sociedade em indivíduos solitários, e, caso contrário, existem técnicas que permitam reunir os dispersados?  A dispersão da sociedade, a dissipação de grupos em grãos, vai transformando a humanidade em massa aparentemente amorfa. “
(do livro “O universo das imagens técnicas – elogio da superficialidade”, de Vilém  Flussser, editora Annablume, pág.67)

ELES SÃO OS CARAS, aqui. Os botões que não “licam” a nada se deve ao fato de que são páginas retiradas do provedor em função do processo de censura a que estamos submetidos. Esta era uma seqüência de páginas recém editadas quando tiveram início as ações na Justiça.

mágico militante

Foto de Thomaz Farkas, do livro “Uma antologia pessoal”, editado pelo Instituto Moreira Salles, com o título Meninos espiando jogo de fora do estádio do Pacaembu, São Paulo, 1941. Farkas dizia “fotografia: para mim, é o melhor jeito de aproveitar a vida. Vejam só: é ver, descobrir paisagens, pessoas, caras, grupos, ruas, fachadas, praças – todos trabalhando, brincando, folgando, comendo, dançando. Tudo isso é nossa vida: experiências vividas, olhando – e vendo – sempre, e daí, fotografando sem fim com qualquer máquina, técnica ou filme, ou sem. Mas, olhando no visor ou no reflex, tudo é uma visão que não tem fim. Todo dia é diferente: todo olhar é outro e a gente percebe finalmente que o mundo é imenso! É  bom ser fotógrafo! Ou como diz o colega português, Fernando Lemos, um mágico militante.” (2010)

Esta é uma seqüência de páginas produzidas para uma aula na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS). O texto foi, posteriormente, publicado na revista eletrônica Pontodevista. Alguns botões podem não “lincar a nada” em função de páginas retiradas do provedor por determinação da Just iça. Mantivemos o desenho original das páginas, do período anterior aos processos movidos pelo funcionário do PRBS  e, também, da determinação de censura.  Leia a partir  daqui.  Anotações para uma aula subversiva.