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mágico militante

Conheci  alguns velhos JORNALISTAS que tinham por hábito a leitura, um rápido passar de olhos, da página de obituário dos jornais. Prática que, evidentemente, era obrigatório para velhos pauteiros. Publiquei no último dia 22 uma foto de Thomaz Farkas, escaneada do livro “Thomas Farkas – uma antologia pessoal”, editado pelo Instituto Moeira Salles. Única página que me chamou a atenção, na edição de sábado, em Zerolândia, foi a do Obtuário, com uma nota sobre a morte de Farkas, fundador da revista novidades Fotopica e uma das figuras de destaque do Cine Clube Bandeirantes. O resto do showrnal, o velho e tradicional lixão.
Tenho uma modesta biblioteca sobre fotografia e com alguns livros que são sínteses da obra de alguns grandes fotógrafos. Logo que li uma pequena matéria sobre Farkas no jornal “Estadão”, encomendei o livro editado pelo Instituo Moreira Salles.
Foi deste livro que escolhemos uma foto para publicação no Blog, no último dia 22 com o título “mágico militante” . E que agora repetimos como uma homenagem a este grande fotógrafo.
De Thomaz Farkas
Dizia ele sobre fotografar: “é ver, descobrir paisagens, pessoas, caras, grupos, ruas, fachadas, praças – todos trabalhando, brincando, folgando, comendo, dançando. Tudo isso é nossa vida: experiências vividas, olhando – e vendo – sempre, e daí, fotografando sem fim com qualquer máquina, técnica ou filme, ou sem. Mas, olhando no visor ou no reflex, tudo é uma visão que não tem fim. Todo dia é diferente: todo olhar é outro e a gente percebe finalmente que o mundo é imenso! É  bom ser fotógrafo! Ou como diz o colega português, Fernando Lemos, um mágico militante.” (2010)

Meninos espiando jogo de fora do estádio do Pacaembu, São Paulo, 1941 é o título desta foto de Farkas. Estamos repetindo o título “mágico militante”.

1 Comentário »

  1. André de Oliveira — 28/03/2011 @ 13:05

    E aí, Velho!

    Te escrevo de Juruti Velho [fronteira do Pará com o Amazonas, na bacia hidrográvida do Amazonas], no telecentro de um assentamento de reforma agrária de pequenos extrativistas que estão sofrendo sérios impactos com a instalação da mina de bauxita da Alcoa. Acabo de chegar de uma travessia incrível pelo Lago Juruti – 1h20 numa pequena canoa com motor [o pô-pô-pô, como eles chamam por aqui]. Imagens incríveis – todas elas engajadas pela defesa dos povos tradicionais que tanto sofrem com a industrialização de nossa natureza.

    Li a notícia da morte do Farkas e me lembrei, aqui no meio da Floresta, de todas as aulas que foram seus filmes para mim. Da vontade de rodar o Brasil fazendo o memso tipo de registro documental. Como me tornar o que sou sem ter visto suas fotografias em Viramundo, do Geraldo Sarno; Memória do Cangaço, de Paulo Gil Soares, Subterrâneos do Futebol, de Maurice Capovilla; Visão de Juazeiro, de Eduardo Escorel; entre tantos outros: todos mestres do documentário brasileiro. Farkas não só fotografava como produzia os filmes, apostando nas idéias desses jovens diretores na época, que queriam conhecer seu povo e se reconhecer neste Brasil.

    Tudo bem por aqui. Cansado, mas satisfeito com o trabalho. Rodando a Amazônia com olhos e lentes de militante do JORNALISMO. Dia 2 estou por aí para nosso cafezinho.

    Bjão.

    André


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