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escrevem mal, só pensam merda

estão à serviço do pior jornalismo do país

“Não existe isso que se chama escrever bem. Existe é pensar bem. Escrever é pensar. Quem pensa mal, escreve mal. Não há habilidade retórica que consiga disfarçar um pensamento fraco ou medíocre. Tem gente que domina bem os recursos de estilo, manipula vasto vocabulário, constrói bem suas frases e sabe dar às palavras o justo peso. Mas tem pensamento fraco, ralo ou sem cor. Não existe estilo de linguagem. Existe é estilo do pensamento. Paulo Francis, por exemplo. Francis escreve aos trancos e barrancos, períodos entrecortados, desequilibrados, cheios de curto-circuitos. A beleza e o fascínio de escrever de Francis está na força de seu pensamento, não no uso de certos números retóricos ou alguns ritmos codificados pela tradição literária. O caso, também, me parece, de Décio Pignatari. Não cheguem para um escritor dizendo você está escrevendo cada vez melhor. Digam você está pensando cada vez melhor.” (de Paulo Leminski)

estou usando este texto da Leminski para dizer o que penso dos colunistas de Zerolândia (jornal Zero Hora).

Quando alguém vem com este papo, viu a coluna do fulano? O cara escreve bem. Lembro, imediatamente, deste texto. E, a seguir, de algumas ideias expostas  em colunas anteriores. E concluo: não escreve bem porra nenhuma. O texto de futebol, por exemplo, do David Coimbra é sempre o mesmo. Ele escreve mal. Pensa mal e escreve mal. Tem um certo domínio técnico de como fazer uma coluna. Faltam idéias e coração. Vale para quase todo o time de colunistas zerolândicos. É só comparar com alguns do centro do país. E não estou dizendo que tal jornal seja melhor que o outro. Assim como, também, não estou afirmando que este mal não tenha se generalizado pela mídia corporativa.

Na área da fotografia predomina a seguinte ideia: “Não é que vocês vão estar mentindo, mas devem montar as fotografias para que as pessoas vejam melhor o que vocês querem dizer.” Esta é a orientação que está sendo transmitida aos novos fotógrafos pelos editores.  No piloto automático todos fotografam no automático com raríssimas excessões. É, em grande parte, o  que está sendo passado nas disciplinas cada vez mais técnicas das faculdades de comunicologia. O que querem dizer? Quem quer dizer o quê?  Não é exagero. O quadro é trágico. Encontramos fotos, técnica e esteticamente, “perfeitas”, mas que não dizem nada quando não são cascatas. Principalmente de algum pobre e abandonado bichinho. Ou de ocorrências policiais. Áreas nobres do showrnalismo. O ensino público treinando, por um período de quatro anos, com investimentos públicos, a meninada que é testada na função de editor auxiliar ou auxiliar de redação. Não lembro a denominação correta. Trata-se de um boy super luxo que, demonstrando subserviência, pode ser promovido. Não tenho mais o que fazer nesse ambiente. Quero distância de tudo isso.

Sempre persegui pensar bem e por isso mesmo, pelos padrões deles, sempre “escrevi mal”. Sou um grande leitor. Toda vez que um aluno me diz que tem facilidade para escrever observo que o cara pensa mal. Quase sempre têm manifestações da mais absoluta superficialidade e, não por acaso, junto um traço de arrogância. Por sinal esta  é  a característica marcante dos colunistas Zerolândicos. Se acham intocáveis e acima de qualquer crítica. Observem o causo do repórter Causowagner, por exemplo. Ele escreve “bem”, tendo o seu texto bem copidescado. E, bem copidescado, é um bom texto pelos critérios da mídia corporativa. Mas, como pensa mal, pelos nossos critério (de Leminiski), escreve muito mal. Leiam a matéria “o estatuto do desarmamento bandido da vila cruzeiro” ou qualquer outro texto sobre o MST. Daí ser ganhador de vários prêmio Ari-gós. Pierre Bourdieu já dizia que perfumaria, secos e molhados, tem uma função ideológica. Desviar a atenção do principal. Não é demais, também, lembramos que os colunistas são sofisticados cães de guarda do sistema. Algum teórico já disse isso. Não é coisa do Ungaretti, professor de jornalismo da UFRGS, 20 anos exercendo esta função, 48 de militância política (quase dois na cadeira) e 38 de exercício do jornalismo.

continuo sob censura. não estou podendo expressar o que penso. estou contido.

Na edição de hoje de Zerolândia (jornal Zero Hora/PO/RS)  tem material que não posso comentar. Não existe meia censura. Se não posso comentar (pontualmente), não comento porra  nenhuma. Estou obrigado a ficar no atacado. No varejo posso ser multado.  Este texto é bem escrito. Procurei pensar bem. Pelo menos tentei. Este é um texto denso  e sem nenhum traço de arrogância. Tem alma, cor e não é ralo como assinalava Leminiski. É verdadeiro. Expressa opiniões resultantes da prática do pensar criticamente. Exercito, nas primeiras horas da manhã, todos os dias, o prazer lúdico de simplesmente pensar, livremente. Posso repetir isso em qualquer instância da Justiça, diante de quaisquer entidades “dita representativas” da categoria, em sala de aula e diante, também, de quaisquer showrnalistas, tanto jovens como da velha guarda. Embora evite ser ou me tornar interlocutor de Bundões. Esta semana tenho tido a sorte de sempre levantar com o pé esquerdo. Não cometi nenhum descuido, ando sempre pela esquerda, mesmo quando sou obrigado a ficar na mais absoluta retranca.

escrevem mal, só pensam merda

é só buscar o sentido e existe um sentido

” O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do universo.
Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência e as coisas e os eventos.
O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir.
Me recuso a viver num mundo sem sentido.
Estes anseios/ensaios são incursões conceptuais em busca do sentido.
Por isso é próprio da natureza o sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa busca que é a sua própria fundação.
Só buscar o sentido faz, realmente, sentido.
Tirando isso, não tem sentido.”         Paulo Leminiski, agosto de 1986

RECEBI ESTE COMENTÁRIO É exatamente esse o conselho da firma. “Não é que vocês vão estar mentindo, mas devem montar as fotografias para que as pessoas vejam melhor o que vocês querem dizer.” O que querem dizer? Quem quer dizer o quê?  PERFEITO, Rock. (ex-aluno reproduziu uma recomendação escutada em uma redação do Partido)

faz sentido sim e há em tudo isso uma relação

Existe em tudo isso uma lógica.  A indústria da segurança, em grande parte empregadora de agentes e ex-agentes dos aparelhos repressivos do Estado, agradece ao PRBS (Partido Rede Brasil de Comunicações) por trabalhar tão bem na implantação de subjetividades que reforçam a paranóia. Os “shoppins” também acham ótimo este resultado. A imagem é uma reprodução de uma página da edição do dia 16 de Zerolândia (jornal Zero Hora). Gostaria de comentar algumas páginas da edição de hoje, mas estou impedido em função de uma determinação da Justiça, além de estar sujeito as uma multa diária de 150 reais em caso de descumprimento. O comentário teria relação com esta nota.

não gosto de nenhum dos dados desta matéria


Jornal Folha de São Paulo, edição de sábado, dia 18.12.2010, página 10 com a cartola Poder. Não gosto de nenhum dos dados da matéria. Cinco grandes empresas que mantêm contrato com o governo foram as maiores doadoras. Esta dito na matéria que as empresas justificam ajuda à campanha por ação de mudar a lei sobre segurança privada que é da década de 80. Não me agrada isso.

faz ou não sentido?

Edição do dia 20.12.2010 (segunda-feira) de Zerolândia. Estão pautando o governo que irá governar pelo diálogo. Não esqueço o velho camarada Bisol, secretário de humanidades do governo Olívio Dutra dizendo: “com a RBS não há diálogo”. As construtoras e toda a indústria da segurança agradece este “levantamento”. “Precisamos” de um Estado campeão nacional de gente presa.

Estou impedido – e já não tenho tanto interesse – de mostrar como que esta porra funciona, no cotidiano do showrnal, no sentido de construção e reforço de uma mentalidade fascista.

“Só buscar o sentido faz, realmente, sentido.
Tirando isso, não tem sentido.     de Leminski

procuro não perder
nunca
o sentido poético
mesmo quando
distribuo porradas
nos showrnalistas
produtores
deste tipo consenso
FASCISTA.

quero exercer a crítica usando as palavras como estiletes, poéticos

like a rolling stone

“Como  você se sente?
Com o você se sente
Só com você mesma
Sem ter casa para onde ir
Como uma completa desconhecida
Como uma pedra que rola?”

“Todos se lembram de onde estavam quando ouviram que Kennedy fora assassinado.” Esta é a frase de abertura do primeiro capítulo do livro. Tenho nítida lembrança de que estava no prédio da UNE (União Nacional dos Estudantes) na praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, quando alguém entrou correndo na sala da UNETI (União Nacional dos Estudantes Técnicos Industriais) dizendo mataram Kennedy. Estudava na Escola Técnica Nacional, bem próximo do Maracanã, e iniciava aí minha militância no PCB . Ficamos confusos. Já éramos todos cubanos e a imprensa sugeria de que o presidente tinha sido morto pela direita. Em seguida nossas preocupações se voltaram para a cena política nacional.
Tenho muitos discos de Bob Dylan. Acho que quase todos editados no Brasil. Encontrei este em uma loja de usados, desgarrado, em meio a vinis de outro tipo de música. No livro, o autor Greil Marcus, durante muito tempo editor de resenhas da revista Rolling Stone,  faz várias referências às apresentações de Dylan com esta jaqueta de couro de ovelha.

Está é a dica de leitura. “Like a Rolling Stone – Bob Dylan na encruzilhada”, de Greil Marcus, editora Companhia das Letras. Se estivesse em sala de aula, certamente, faria vários comentários aos meus alunos de jornalismo. E, aos mas interessados, destacaria algumas passagens da máxima importância para o entendimento da história política dos gringos.

“Quando eu morri, amor, quando eu morri
houve uma guerra nas alturas;
Tudo que acontece, acontece lá.
(Allen Ginberg, em “A Western Ballad”, 1948)

Não é um sermão que ofereço, nem pequenina caridade;
Quando eu dou, é a minha própria pessoa que dou.
A condição da Liberdade é o que se ama;
A preservação da Igualdade – isto serão os camaradas
(de Walt Whitman)

estarei eu em sintonia? acho que sim. a moto está quase pronta e meu braço quase recuperado.

Censura

Como parte das comemorações dos 75 anos de fundação da ARI (Associação Riograndense de Imprensa), entidade promotora do prêmio ARI-Gó, foi inaugurado, em sua sede, o Bar temático Liberdade de Imprensa. É uma piada. Continuo, em Pontodevista, impedido de comentar algumas páginas de Zerolândia (jornal Zero Hora) em função de ações movidas por um fotógrafo dos quadros do PRBS (Partido Rede Brasil de Comunicações). O cara é ganhador de um monte de prêmios ARI-gó. Na esfera  criminal, em primeira instância, fui absolvido. Mas estou sujeito a uma multa diária de 150 reais caso descumpra a determinação de não comentar materiais do autor das ações. Estou com todo o meu trabalho de sete anos, utilizado em sala de aula, no ensino de jornalismo na UFRGS, fora da rede em função de uma das ações.  Este pessoal da ARI é uma importante conexão da rede de conivências corporativas. Todos subservientes à grande mídia, a que nos impõem subjetividades reacionárias, criadora de um novo tipo de jornalista, o editor auxiliar que tem por função distribuir jornais e correspondência nas redações. Editor auxiliar é boy de luxo. Aluno que se submete a isso para ficar dentro deste tipo de redação é candidato a Bundão, quando ficar velho vai parar na ARI. Juro que quero distância de tudo isso. Mas, enquanto esta pendenga não estiver resolvida – e pouco importa se favorável ou não a mim – tendo em vista que meus objetivos já foram alcançados não deixarei de assinalar que estou sob censura. Continuarei, independente do resultado final, sendo o professor Ungaretti com 45 anos de militância política (quase dois de cadeia), 40 exercendo o jornalismo e quase 20 como professor de jornalismo da UFRGS. Tenho um currículo construído com a máxima dignidade, o que não significa que não tenha cometido alguns erros.

uma análise da atual conjuntura européia

A resposta à crise proposta pelos mercados (desregulamentação do mercado de trabalho, deflação salarial, desemprego estrutural, cortes orçamentários e privatizações) é cada vez mais voraz. A União Europeia necessita de outra estratégia. Estamos assistindo a uma verdadeira guerra dos mercados contra os Estados. O que estamos vendo é uma contrarrevolução social “thatchero-reaganiana”. A questão é saber se as sociedades europeias vão aceitar isso. A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político. O artigo é de Sami Nair.

Sami Nair

Depois da Grécia, a Irlanda. E depois, provavelmente, Portugal. Na sequência, não sabemos. O que é certo é que vários países estão ameaçados pelos mercados. A Espanha já está sob a alça da mira. Mas com o devido respeito pelos demais, o caso da Espanha é diferente. Trata-se da quarta economia da Europa (12% do PIB europeu) e é um peso pesado da política europeia. A dívida espanhola é três vezes superior à grega, seu déficit está, há dois anos, em torno de 10% do PIB, e o desemprego, que atinge todas as faixas de idade, está acima dos 20%. Se a Espanha recorrer ao fundo de resgate europeu, isso abriria também, de maneira inevitável, o caminho para ações especulativas contra Itália e França, o que significaria um giro decisivo para a Europa. O paradoxo é que a estratégia europeia de saída da crise mundial (desregulamentação do mercado de trabalho, deflação salarial, desemprego estrutural, cortes orçamentários e privatizações) mostra os mercados cada vez mais vorazes. Daqui em diante, eles querem tudo. Essa estratégia, fundamentalmente recessiva, provoca um aumento legítimo das reivindicações sociais e políticas e dá lugar a perguntas que começam a ser formuladas espontaneamente pelas opiniões públicas. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, expressa assim esse estado de ânimo: “Para Atenas, Madri ou Lisboa, se colocará seriamente a questão de saber se interessa continuar o plano de austeridade imposto pelo FMI e por Bruxelas, ou se, ao contrário, é melhor a voltar a serem donos de suas políticas monetárias” (Le Monde, 23-24 de maio de 2010). Ainda não chegamos a esse ponto, mas se não mudarmos as regras do jogo, a divisão da zona euro se tornará uma hipótese séria. Pois está claro que não poderemos resolver esta crise somente com medidas restritivas que atingem as populações mais expostas (classes médias e populares), e menos ainda com medidas técnicas vinculantes como as apoiadas por Alemanha e França para ativar o fundo de resgate. O presidente do Banco Central alemão, Axel Weber, deu a entender, durante uma visita recente a Paris, que os 750 bilhões de euros deveriam ser de todo modo aumentados se a Espanha recorresse ao fundo. Isso não deve ter agradado muito ao ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schäuble, que, em uma entrevista ao Der Spiegel (08/11/2010), informou: durante a fase crítica, prolongação da vida dos créditos; se isso não bastar, os investidores privados deverão aceitar uma depreciação de seus empréstimos em troca de garantias para o restante. Isso é o mesmo que agitar a capa vermelha diante dos investidores privados. Estes reagiram imediatamente, colocando a Irlanda de joelhos e cercando Portugal antes de assinalar os alvos na Bélgica e na Espanha. Quanto falta para que passem ao ataque? A margem de confiança que concedem aos diferentes países da zona euro já é insustentável: a Alemanha encontra compradores de seus bônus a uma média de 2,7%, enquanto que a Espanha os negocia no melhor dos casos em torno de 5% e Portugal a 6,7%. Os países endividados emprestam, pois, a taxas cada vez mais proibitivas e, se às vezes conseguem ganhar uns pontos, é só porque o Banco Central compra alguns bônus, coisa que não poderá durar muito tempo.A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político. Se as medidas técnicas adotadas não conseguirem resolver as dificuldades dos países europeus, veremos a divisão da zona do euro anunciada por Stiglitz? E qual será a forma dessa divisão? Uma zona reduzida a seis, sem a Espanha? Uma zona baseada no desacoplamento entre uma moeda única para o casal franco-alemão e alguns outros países, e uma moeda comum para o resto? Um retorno às moedas nacionais? E, neste caso, o que será do mercado único? Ouvimos todos os dias dirigentes políticos afirmarem que estas hipóteses são impensáveis: mas estamos seguros de que controlam os fluxos monetários? Não estão submetidos ao uníssono da Bolsa? Tudo pode ocorrer? Na verdade, está em jogo o futuro do projeto europeu. As regras de funcionamento do euro previstas pelo Tratado de Lisboa entram cada vez mais em contradição flagrante com as divergências de desenvolvimento dos diversos países da zona. Nenhum governo se atreve, aparentemente, a colocar em dúvida os dogmas que sustentam o Pacto de Estabilidade, ainda que, na prática, ninguém os respeite. Mas, se queremos salvar o euro, é preciso flexibilizar essas regras. E talvez mudá-las. É vital estabelecer, daqui em diante, uma coordenação forte das políticas econômicas europeias, ainda que a Alemanha, tutora do Banco Central, não queira ouvir falar de um “governo econômico”. Aqui está o coração da batalha para a sobrevivência da zona euro e não nas medidas coercitivas previstas pelo acordo adotado em 28 de outubro, em Bruxelas. Para relançar a Europa, essa coordenação deverá enfrentar pelo menos quatro grandes tarefas; 1) Uma proteção do espaço monetário europeu, regulando efetivamente, como foi previsto na reunião da UE de 18/05/10, os fundos de investimento alternativos e sobretudo os instrumentos ultraespeculativos (hedge funds, private equity, CDS). Isso supõe que se pode pedir explicações ao Reino Unido para que ponha fim à política desestabilizadora da City, principal praça especulativa mundial. 2) Uma mutualização das dívidas públicas europeias com a criação de “bônus europeus” para os países endividados que recorrerem ao fundo de resgate. Para evitar que aumente a desconfiança dos mercados, a Alemanha deve aceitar que a ativação do mecanismo de resgate seja, sob condições precisas, mecânico e não negociável a cada caso, como ocorre agora. 3) A realização de um empréstimo para financiar uma grande política pública europeia de crescimento, de criação de emprego e de pesquisa-inovação, o que supõe uma reforma dos estatutos do Banco Central. 4) Uma harmonização fiscal comum da zona do euro apoiada por um reforço dos fundos de coesão para os países em dificuldades. Estas medidas teriam um efeito de arrasto prodigioso. Elas fariam os investidores refletir e criariam um impacto psicológico salvador para mobilizar os povos europeus. Na verdade, a escolha é simples: ou bem a Europa sairá desta crise reforçada e capaz de enfrentar a nova geopolítica da economia mundial opondo aos mercados um interesse geral europeu, baseado em estratégias cooperativas entre as nações europeias, ou bem, atolada em seus egoísmos nacionais, terminará ardendo em cinzas moribundas.

(*) Sami Nair é professor convidado da Universidade Pablo de Olavide, Sevilha. Publicado originalmente no jornal El País (16/12/2010)

Tradução: Katarina Peixoto/Carta Maior