“Originalidade, também, não há. Nem poderia haver, depois que os homens fazem literatura, há mais de dois mil anos, em centenas de idiomas, em todos os quadrantes da terra. Imaginar que uma obra seja ‘original’, isto é, só deva suas virtudes a si mesma só pode ser fruto da ignorância. Os românticos, que inventaram o culto da ‘originalidade’ (origem das vanguardas) eram com efeito, ignorantes. Literatura é telepatia com todo um passado. As obras são variantes de todas as obras anteriores. Não é o indivíduo quem faz literatura, é a Humanidade. A etimologia é o modelo de uma verdadeira ciência da literatura. E o plágio, o mais importante dos recursos literários.” (de Paulo Leminiski)
Não temos nenhum poder de indicação, mas sugerimos os nomes de Carpinejar e do Eduardo Bueno (Peninha) como figuras a serem integradas ao Café TVCOM. Só brilho! Imaginem estas duas figurinhas acrescidas ao time atual, “Os originais”. Nós daríamos outra denominação, mas deixa prá lá. Gostaria de escrever textos polêmicos, bem pensados, mas estou sob censura.
“existe alguma coisa na palavra que não é matéria.” Leminiski
Eu diria que um pouco da minha alma está em cada palavra que escrevo. Sob censura, deixo nelas – nas palavras – o inconformismo que me é permitido. Me sinto preso, literalmente detido pelos limites que me foram impostos e que, concretamente, me impedem de expressar o que sou, minhas ideias. A censura imposta a Pontodevista é decorrente e síntese do comportamento fascista da RBS. Uma ação movida por um funcionário com 35 anos de firma, cuja mentalidade e comportamento, é a expressão do que foi introjetado das práticas deste partido, o PRBS. O autor nunca trabalhou em nenhum outro lugar. Não passou por nenhum teste. É uma cria da casa. A empresa foi sua escola, assim como sou resultante da formação que tenho tido ao longo da vida. Sou filho de um operário metalúrgico (comunista) e de uma mãe costureira. Quando pela primeira vez cheguei em casa com gibis de heróis norte americanos, além de tomar “um esporro”, tive as revistas rasgadas. No outro dia ganhei uma coleção completa do Monteiro Lobato. Lamento não poder escrever o que penso. Uma certa tristeza, mas não nego, um certo orgulho. Nas limitadas palavras desse momento, considerando a censura, tenho deixado uma pequena parte de minha alma. A parte que estão me permitido. Por isso mesmo carregadas de fragmentos de muitas verdades.
aqui, não acontece nada. ninguém foi para a cadeia
Na Argentina, a questão não está resolvida. A mídia corporativa de lá não conseguiu apagar a memória popular. Em nosso país, a escuridão do período da ditadura virou série televisiva globalizada e não documentário de denúncia. Os torturados e mandantes estão, todos, soltos e operando em outras áreas do aparelho repressivo. O JCristo , integrante do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), torturador da OBAN (Operação Bandeirantes) é um “pacato” delegado no interior de São Paulo, como mostrou a revista CartaCapital, inclusive com foto na capa. Este cara parou de bater? Deixou de ser truculento? Duvido.
nada disso vai para a história do jornalismo
Um dos destaques foi para “Os infiltrados”, de Carlos Wagner (o causo), Carlos Etchichury e Humberto Trezi e Nilson Marino. Uma reportagem produzida pelo primeiro time de Zerolândia e que não acrescentou, absolutamente, nada. Na ocasião apontamos a quantidade absurda de obviedades, algumas que até colocavam em dúvida a capacidade de entendimento da média dos leitores. Dizer que o camarada Olívio Dutra era vigiado desde o tempos da presidência do sindicato dos bancários é tirar todo mundo pra otário. Dizer que agentes da Brigada Militar ( os conhecidos P2) estiveram infiltrados no MST é o mesmo que não dizer nada. Não vou nem perder tempo em localizar as anotações da época. Tenho 48 anos de militância política, sendo que quase dois na cadeia, pertenci a duas organizações, mas em função da atuação no movimento estudantil tinha muitas ligações com toda a esquerda. Exerço o jornalismo nos últimos 38 anos e reafirmo que esta série não acrescentou absolutamente nada. Uma matéria “fria” que tenta limpar a barrra do PRBS pelos comprometimentos com o regime militar. Matéria sobre este tema, com caráter de jornalismo investigativo, teria sido levantar a história do “militante infiltrado” que circulou pela esquerda do nosso Estado, procurando contatos para passar o cabo Anselmo na fronteira, dias após a “fuga” da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro. ”Fuga” planejada, segundo informações da época, pela AP (Ação Popular) em ação conjunta com a POLOP (Política Operária). O cabo passou por aqui. Os showrnalistas não sabem disso. Foi para o Uruguai para fazer “contatos” com Brizola. Dizem que foi responsável pela queda de alguns militantes Tupamaros. E, a seguir, apareceu em Cuba ao lado de Marighella, na conferência da OLAS, o que sugeria, na ocasião, uma ligação com a ALN (Aliança Libertadora Nacional). Tempos depois foi do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), “coincidentemente” quando Lamarca era do 8. E o desfecho é em Pernambuco como militante da VPR (Vanguarda Revolucionária Popular). O cabo já era ou não um infiltrado? Era um infiltrado desde o levante dos marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio? O levante não teria sido uma provocação com a quebra da hierarquia militar? E, a seguir, uma das tantas justificativas para o golpe de 64. Ao contrário do que ocorre, por exemplo, na Argentina esta caixa preta não foi aberta pelos governos pós-ditadura em nosso país. Com caráter investigativo teria sido levantar a verdadeira história da “prisão” e “acordo” feito por Jover Telles, hoje morando na região das Minas de Butiá, direção nacional do PCB , um dos fundadores do PCBR, integrante do Comitê Central do PCdoB, responsável pela queda do aparelho do que ficou conhecido como o massacre da Lapa, quando caiu a reunião do comitê central desta organização e vários dirigentes foram mortos. Na esquerda ficou a suspeita de que o cara sempre foi um agente infiltrado. Estes “infiltrados” tinham em comum a facilidade de circulação por diversas organizações, sempre com o respaldo de um “militante de confiança’. Um insuspeito. Hoje se sabe, o infiltrado trabalhava com apoio de um outro agente. Trabalhavam em dupla. Nem isso foi dito na série “investigativa”. Sobre este tema, a mídia corporativa, em nosso país, tem sido “incapaz” de produzir uma grande matéria. Poderíamos acrescentar um bom número de pequenas histórias (não esclarecidas) e que se constituiriam em ponto de partida para uma investigação. Nos interrogatórios, os torturadores dispunham, de quase todos nós, uma soma impressionante de informações. Dados que não eram resultantes apenas de informações obtidas de outros companheiros torturados. “Os infiltrados” está por ser feita. É uma bela pauta para JORNALISTAS. Esta comunidade de inteligência continua intocável.
PRBS distingue os piores trabalhos