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pelo mundo

Ela é uma jornalista que está na Deriva. E faz algum tempo. Abandonou a profissão, mas não o olhar sensível e inteligente. Abraçou o mundo desde que nasceu. Talvez uma homenagem ao pai, um judeu de origem romena. Linda, louca desvairada, intensa e compulsiva em tudo que faz. Chega a ter desprezo pelo seu próprio talento. E de muitos risos. Defensora da pedagogia do riso. Uma ex-aluna muito especial. De Veneza.

“Como mônada autossuficiente, (a) viajante recusa o tempo social, coletivo e coercitivo, em favor de um tempo singular feito de durações subjetivas e de instantes festivos buscados e desejados. Associal, insociável, irrecuperável, (a) mônade ignora o tempo convencionado e se orienta pelo sol e as estrelas, pelas constelações e a trajetória do astro no céu; não tem relógio de pulso, mas um olho de animal apto em distinguir as auroras, o amanhecer, as tempestades que se formam e se disimpam, os crepúsculos, os eclipses, os cometas…


as cintilações estelares; sabe ler a matéria das nuvens e decifrar suas  promessas, interpreta o vento e conhece seus hábitos. O capricho governa seus projetos relacionados com os ritmos da natureza. Nada mais conta, exceto ele e seu uso do munto – por isso (ela) procede  dos banidos e dos recusados.

Quando põe o pé na estrada, (ela) obedece a uma força que, surgida do ventre, e do amâgo do inconsciente, lança-a no caminho, dando lhe impulso e abrindo-lhe o mundo como um grito caro, exótico e raro. Desde o primeiro passo realiza seu destino.

Nas trilhas e nas veredas, nas estepes e nos desertos, nas ruas das megalópoles ou na desolação dos pampas, sobre a onda profunda ou no ar atravessado por invisíveis correntes, (ela) sabe o invitável encontro com sua sobra – não tem escolha.”

### na última postagem da semana (exta-feira) pretendo abrir de onde foram tirados os textos sobre a arte de viajar.

é tudo uma grande mentira


ZH de hoje, página 42. É tudo uma grande mentira. Continuo sob censura e sujeito a uma multa diária de 150 reais caso comente algumas matérias de Zerolândia (jornal Zero Hora/RBS). Já desmontamos alguns textos do Carlos Wagner, realizando uma leitura de linha-por-linha. Ele é conhecido na categoria por Causowagner, apelido que não foi inventado em Pontodevista; como exemplo (re)publicamos AQUI o “Estatuto do desarmamento mentiroso da Vila Cruzeiro”. O desenho das páginas é do tempo da revista eletrônica Pontodevista, do período anterior às ações movidas por um funcionário com 35 anos de firma. Vale a pena realizar um esforço de leitura, pois possibilita um entendimento de como são montadas subjetividades reacionárias. Realizamos um desmonte  idêntico do livro “País bandido”, do mesmo autor. É na mesma linha da empulhação. Comenta-se na categoria que o texto dele tem que passar, sempre, por uma boa “copidescada”. O cara têm algumas dificuldades com as palavras. Essa informação é pública. Também achamos muito difícil escrever, mas nunca disputamos ou reivindicamos um prêmio ARI-GÓ, da Associação Riograndense de Imprensa. Ou qualquer outro prêmio. Até mesmo pelo fato de que quem ganha o prêmio não é o repórter, mas a empresa para a qual o carinha vende a alma. Volto a insistir que quero distância de tudo isso. Que meus objetivos já foram alcançados.  Volto a insistir que não tenho nenhuma intenção de centrar meu trabalho nesse tipo de crítica. Mas, volto a insistir, não vou abrir mão do direito de exercer a crítica quando achar necessário. Tenho 40 anos de exercício profissional, 45 de militância política (dois de cadeia), quase 20 como professor de jornalismo na UFRGS; em nenhum lugar por aonde passei fui considerado uma pessoa burra. Não estou dizendo que não cometa erros. Nunca me senti o rei da cocada. Ele se acha.

3 Comentários »

  1. Ronaldo — 30/09/2010 @ 10:24

    Os futuros jornalistas precisam começar a ter como referência os profissionais mais ocultos. O jornalismo real é cada vez menos o do certificado corporativo.

  2. dimas — 1/10/2010 @ 15:51

    por quanto tempo ficará sob censura?

  3. Carlos — 13/10/2010 @ 07:54

    O último jornal que tentou uma proposta de esquerda, aberto às sensibilidades, foi cooptado pelo dinheiro e pela direita. Se transformou ao ponto de dizer que papel é descartável, pelos outdoors na cidade.
    Quando é que a esquerda vai fazer boa comunicação de massa? Se isto é possível.


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