caleidoscópio, boêmia e jornalismo marrom
Um caso raro. Boris Kossoy pensa e escreve sobre fotografia e fotografa. Faz as duas coisa com a máxima competência. Tem um texto crítico e elegante. E fotos maravilhosas. “Boris Kossoy – fotógrafo”, é um livro da Cosacnaify. Muito bom o capítulo “O caleidoscópio e a câmara”, do próprio Kossy, assim como a conversa com Paulo César Boni.

“Como foi seu encontro com fotografia?
Kossoy – Foi em razão de uma câmara que ganhei por volta de 1954 ou 1955, quando eu tinha treze ou quatorze anos. Uma câmara de fole que tenho até hoje. Fiz com ela minhas primeiras fotos. Ela está meio acabada… Não é possível ler nem o nome, nem a marca… Imagine que a velocidade ia até 1/125.”
Se tivesse a oportunidade de entrevistá- lo, entre outras tantas perguntas, teria a curiosidade de saber quantos prêmios ele coleciona. Claro que seria uma pergunta completamente imbecil diante de tantas coisas interessantes de se aprender com ele. Mas seria uma curiosidade com o espírito comparativo que todo jornalista deveria ter.

“A noiva” (da série Viagem ao fantástico). Franco da Rocha, SP, 1970

“Surpresa na estrada” (da série Viagem pelo fantástico). Periferia de SP, 1970
boêmia sob controle decreta sua própria morte
Porto Alegre é uma cidade reacionária. Com uma zona de boêmia (?) absolutamente controlada por diversos mecanismos repressivos. Tudo que existe de mais à extrema-direita em termos de ordenamento das pessoas. Michel Foucault escreveria uma tese. Nada de barulho. Bares fechados a partir das 22 hrs. Comparativamente com a Lapa a Cidade Baixa é uma piada. Está mais para local apropriado ao bundismo. Palco de exibição do aparato policial, com regulares operações de visibilidade; política de relações públicas, visual. Espetáculo para o showrnalismo. Outras áreas da cidade, com movimento quase idêntico, onde também não ocorre nada de grave, o policiamento é insigniticante. Os jornalões da mídia corporativa estão de costas, insisto, para a cidade real. E a hegemonização destas subjetividades de extrema-direita fica por conta do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações). De Zerolândia, do jornalismo da opinião isenta de Zero Hora. Sempre do mesmo lado, a extrema-direita. O número de traficantes presos dobrou desde 2006. A violência não diminuiu. Os setores mais arejados estão procurando diferenciar o usuário qualificado (o cara que compra uma paranga, tira uma bera prá fumar e vende o resto pros amigos) e o grande traficante. O maior número de prisões é de mulheres. O reacionarismo continua impedindo uma grande e aberta discussão sobre o tema. E assim, vão jogando mais e mais pessoas nas Prisões da Miséria. Jornalistas, com raríssimas excessões, estão literalmente de costas para o país real. São os maiores criminosos. Fazem de conta que não estão vendo nada. Esta grande rede de conivências corporativas começa nas faculdades de comunicologia.
Não gosto de marcar posição dizendo que é a minha opinião como jornalista que exerce a profissão nos últimos 40 anos, que tem uma história de militância política por 45 anos, sendo quase dois de cadeia; e, por último, com o exercício de quase 20 anos como professor de jornalismo da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS). Não reivindico a verdade. Apenas uma pequena parte. Com a idade cultivo dúvidas. Sou contra o diploma da hipocrisia. A grande reportagem de hoje é um release da Polícia Federal.





Fotolouco — 3/09/2010 @ 10:24
Memória, que tem a ver com isso que Kossoy se refere, é também uma das caréncias endêmicas dos fotógrafos atuais do showrnalismo.