raízes, de gary snyder em re-habitar
Remover e cavar
O macio solo de cinza
Cabos de enxada são curtos
O curso do sol é longo
Os dedos fundo na terra buscam
Raízes, arrancá-las; sentir por inteiro
Raízes são fortes.
Um pequeno pedaço da minha biblioteca é de livros de poesia. Não me considero um grande conhecedor. Gosto de ler poesia em voz alta, caminhando dentro de casa. Ainda sou capaz de decorar trechos inteiros. Como jornalista, professor de jornalismo, mas acima de tudo como um militante da anarquia me esforço por circular nas mais variadas esferas do conhecimento e das artes. Sou do tempo que o grande sonho era se tornar um intelectual. No Colégio Júlio de Castinhos (PO), no Julinho, as meninas interessantes liam “A Convidada” e o “Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir; nós líamos “Os caminhos para a liberdade”, de Sartre e algum texto de Marx. Intelectuais eram de esquerda ou, no mínimo, simpatizantes. Se tornar JORNALISTA era o sonho de vários de nós. Diploma era de qualquer outra coisa. É desse tempo o hábito de procurar conhecer alguma coisa de poesia, lendo Paulo Mendes Campos, Vinicius de Moraes, Plabo Neruda e Frederico Garcia Lorca e alguns outros que não recordo. É desse tempo a determinação de possuir uma máquina de escrever Remington e uma câmera fotográfica Leica. A máquina de escrever comprei com meu primeiro salário e a Leica (de 1937) alguns anos depois. Fotografo até hoje com ela, por prazer e divertimento. A velha Remington sempre está por perto. E, ainda hoje, encontro uma ou outra lauda perdida. Não escrevo com sentimento de nostalgia. Cada vez mais estou convencido que é da máxima atualidade dizer que jornalismo é subversão. O que aí está é perfumaria. Instante decisivo com Nikon digital que dispara 1000 quadros em milésimos de segundos é piada. Henri Cartier-Bresson está se revirando no túmulo. É preciso que a ARI (Associação Riograndense de Imprensa) e o Sindicato dos Jornalistas aumentem o número de prêmios ARI-GÓ, com um amplo apoio de toda a rede de conivências corporativas que, inclui obviamente, os cursinhos de comunicologia. Quero ficar longe de tudo isso. Estou à disposição do Movimento de Libertação Vodu Revolucionário, do Centro de Estudos Comparativos das Sacanagens da Mídia Corporativa, do Banco de Financiamento das Atividades de Pirataria (BFAP) e da Liga Internacionalista dos Exus Esquerdistas. Destruir é um ato de suprema criatividade. A partir de agora pretendo pensar qual será o ato de transgressão do dia.
(este texto, desarticulado e sem revisão, se fez de imediato após a leitura do poema. foi, literalmente, vomitado)





Observante. — 16/08/2010 @ 05:39
Preciosa vomitada. Precisamos, dia-a-dia, revitalizar e afirmar essa necessidade instransigente e inegociável de transgredir. Assim, só assim, é possível viver.
Fafá Souza — 14/10/2010 @ 12:33
estou perplexa com a minha falta de sorte, não saber do Ponto de Vista, antes, agora é correr a acompanhar e a repassar o site, twitter. Fico pensando será que eu sou anarquista e não sabia. Ainda tenho 40 anos para descobrir. abraço e boa recuperação, cuide-se na cirurgia.