“Nem todo bom fotógrafo se torna estudioso de fotografia e nem todo estudioso se destaca com seu próprio trabalho fotográfico. Boris Kossoy é um caso à parte, pois as duas áreas combinaram com perfeição; é fotógrafo talentoso e um pesquisador respeitadíssimo no Brasil e no exterior. Depois de décadas publicando livros sobre a história da fotografia, lança seu segundo livro como fotógrafo, que reúne imagens e quase 40 anos.” (trecho de abertura da matéria da revista Fotografe Melhor, edição de gosto)
O livro que acaba de ser lançado é “Boris Kossoy – fotógrafo”, da editora Cosac Naify. Uma das imagens foi feita em 1955, quando ele tinha 14 anos, morando no centro de São Paulo, bairro Campos Elísio.
“A noiva” é uma foto feita na cidade de Franco da Rocha (SP), em 1970.
Rua em Leverkusen, Alemanha Ocidental, em 1983, ainda no tempo em que o país estava dividido.
“Realidade e ficções na trama fotográfica”, de Kossoy foi editado em 2000, pela editora Aeliê Editoral. A epígrafe do livro: ” É preciso encontrar novas terapias capazes de tirar os homens do efeito das fascinações e reensinar a eles a governar as iamgens e não supor que elas sirvam á captura de sua liberdade.” É de Goeoger Balander, no “Poder da cena”.
As fotos da coluna da esquerda
A primeira é da fundação do PT. A atriz Lélia Abramo (dir), o historiador Sérgio Buarque de Holanda, Olívio Dutra, Lula e jacó Bittar, Colégio Sion, 10 de fevereiro de 1980. Publicada pela “Folha de São Paulo”, em 21 de agosto de 2009. Abaixo, Che Guevera briga na Palestina contra a máquina de guerra de Israel com pedras. Do “Estadão”, em março deste ano. A força coletiva do Islã , também, do “Estadão” na mesma data. E, por último, do “Estadão”, em 24 de julho passado, 120 baleias mortas, todas da espécie Globicephala, pescadas com arpão. Foto do Porto de Tórshav, Dinamarca.
“Agora que os milhões de mulçumanos em todo o mudo começam a observar o mês sagrado do Ramadã, a tecnologia moderna intervém para ajudá-los nesses 30 dias de jejum. Os aplicativos para iPhone e IPad a partir de agora estão disponíveis para oferecer inspiração, apoio e informações práticas durante o Ramadã, cuja data de início é determinada pelo calendário lunar.
Foto de Elizabeth Dalziel/Associated Press. O texto é de Haroon Siddique, do The Guardian, tradução de Terezinha Martinho, publicado na edição dominical do Estadão. Nada disso é visto pela impressa do gauchismo babão, da mídia corporativa. Sim, tipo Zerolândia.
Segue o texto:” A Nokia também projetou o próprio aplicativo, atualizado, o Ramadan Applicatinon Site, que permite aos usuários navegar pelo Alcorão, obter horários das orações e encontrar a mesquita mais próxima entre outras coisas…. o programa tem um indicador eletrônico que muda de cor quando o ângulo correto de orar, de 58 graus nordeste, e encontrado, não importa onde a pessoa estiver.” Enquanto no Ocidente, um mundo de não religiosidade se expande, o islã cresce e com o auxílio da tecnologia reforça os laços entre irmãos.
Zerolândia, edição de hoje, 18.o8.2010, página 29 publica “Propaganda dirigida – a busca por atrair mercado islâmico”, de Nova York. Texto sobre o interesse das agências de publicidade no “filão islâmico”. Uma baboseira completa. Coisa da fábrica de xampus Unilerver.
jornalista trabalha com noções de comparação
“Estadão”, conservador, tradicionalmente de direita, quase nunca briga, pelo menos discaradamente, contra a notícia. Esta manchete é impossivel no gauchismo babão, da mídia corporativa. Sim, tipo Zero Hora.
milagres, tragédias e espetáculos
No gauchismo babão, da mídia corporativa prevalece o espetáculo. A importância do acidente, na Colômbia, é infinitamente menor no jornal “Estadão”, mesmo considerando o relato do sobrevivente gaúcho. Jornalistas trabalham – permanentemente – com noções de comparação. O Rio Grande do Sul tem um dos piores jornalismo do país.
sem criminalizar, sem fotocampana, sem cascata
Uma história como esta no gauchismo babão, da mídia corporativa (tipo Zero Hora) daria uma manchete exigindo novas ações do aparelho de Estado no combate ao crime organizado. O texto do “Estadão” é enxuto. Não existe nenhuma babação pelo trabalho do fotógrafo Epitacio Pessoa. Repórter e fotógrafo fizeram o óbvio. O simples exercício da profissão. No gauchismo babão daria um Prêmio ARI-GÓ, da Associação Riograndense de Imprensa.
Com um “olhar” comparativo seria possível apontar várias outras questões. Como estou sob meia censura prefiro o silêncio, completo. Censura é censura. E, também, pelo fato de que quero distância de tudo isso. O problema é que como professor não posso entrar em sala de aula e fazer de conta que não tenho nada a dizer sobre o gauchismo babão da mídia corporativa.
Brigitte Bardot
“Folha de São Paulo” de sábado. Legenda: “Ao saber de uma produção sobre sua cinebiografia, a símbolo sexual dos anos 60 Briguitte Bardot disse que não aceita o filme e que ninguém poderia interpretá-la; o diretor americano Kyle Newman pretendia escalar sua mulher para o papel, a atriz Jaime Kin (dir)”
fotos
A primeira é da fundação do PT. A atriz Lélia Abramo (dir), o historiador Sérgio Buarque de Holanda, Olívio Dutra, Lula e jacó Bittar, Colégio Sion, 10 de fevereiro de 1980. Publicada pela “Folha de São Paulo”, em 21 de agosto de 2009. Abaixo, Che Guevera briga na Palestina contra a máquina de guerra de Israel com pedras. Do “Estadão”, em março deste ano. A força coletiva do Islã , também, do “Estadão” na mesma data. E, por último, do “Estadão”, em 24 de julho passado, 120 baleias mortas, todas da espécie Globicephala, pescadas com arpão. Foto do Porto de Tórshav, Dinamarca.
Na prática cotidiana temos por fio condutor uma idéia de Vilém Flusser. Ele dizia ”os novos revolucionários são fotógrafos, filmadores, gente de vídeo, gente de softwarre, e técnicos, programadores, críticos e teóricos e outros que colaboram com os produtores de imagens. Toda esta gente procura injetar valores, ’politizar” as imagens, a fim de criar uma sociedade digna dos homens.”
Jovens palestinos enfrentam patrulhas de Israel com pedras. De Ammar Awad/Reuters, jornal Folha de São Paulo. Outra em que vemos um palestino enfrentando policiais de Israel com pedras. De Ahmad Guarabli/AFP, jornal Folha de São Paulo.
Palestino orando na frente de aparato policial de Israel. De Uri Kenz/Efe, no jornal Folha de São Paulo.
Não estamos afirmando que um jornal seja melhor do que o outro. A imprensa, do gauchismo reacionário , é a pior do país. Briga com a notícia. Estas imagens nunca serão vistas pelos gaúchos que compram apenas os jornais do Estado.
“cascatas e fotocampanas”, realidade criada pelo showrnalismo
Examinei um conjunto de cem fotos publicadas por Zerolândia (jornal Zero Hora). As que são compostas pela presença de pessoas, nitidamente, o showtógrafo “roubou” a foto. Pessoas de costas é o que mais encontramos. Não existe em nenhuma delas um mínimo indicativo de que tenha ocorrido algum tipo de “negociação” com a pessoa fotografada, como uma simples troca de olhares. Ou então é “boneco” de alguma autoridade policial. Ou da ação de policiais com o cuidado de não permitir a identificação. E estes quando são visíveis é para efeito de relações públicas. Ou de buraco. Ou de poste tombado. Ou de carro virado. Ou de algum bichinho faminto atacando outro bichinho. Zerolândia é imbatível. Como jornalista e professor de jornalismo tenho o direito e a obrigação de comentar as razões da ocorrência deste tipo de “empulhação fotográfica”. As críticas são de conteúdo político, ideológico e jornalístico. Nada no plano pessoal. Nesse espaço estou impedido por uma ação judicial. Mas, em sala de aula ou em outras atividades públicas, só serei impedido se mandado outra vez para a cadeia.
Cerca de 45 anos de militância política, 40 de exercício da profissão de jornalista e quase 20 como professor de jornalismo na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), em princípio, deveria me possibilitar ter o direito de fazer a crítica que entendo que é preciso fazer. Insisto, pela milésima vez, digo isso sem qualquer sentimento de arrogância. Já estou acostumado a pedir desculpas por pensar, criticamente.
Gostaria de ficar longe de tudo isso, mas não posso. Sou professor. Sou pago pela população para atuar na formação de jovens que sonham com a profissão de jornalista. Quero a alma dos que possuem o DNA da profissão. Estes terão a minha alma. Os que conviveram comigo, em sala de aula, sabem o quanto isso é verdadeiro.
O “instante decisivo”, de Henri Cartier-Bresson se fazia com uma Leica, de regulagem toda manual com uma lente de 50mm. Vilém Flusser dizia, entre outras tantas coisas importantes sobre o processo fotográfico, que as câmeras estão programadas para programar os fotógrafos para um determinado tipo de prática, programada. O “instante”, de Cartier-Bresson era, de alguma forma, “programado” e só possível com o equipamento que ele usava. A lente acima é de uma Leica de 1937. O fotojornalismo que este equipamento possibilitou é inteiramente diverso do que se faz na atualidade. Em uma velocidade infinitamente mais lenta. Por isso mesmo, a imagem abaixo é um “instante decisivo”, com a genialidade de Cartier-Bresson.
Falar em “instante decisivo” nos dias de hoje é piada. Com imensas teles, utilizadas em câmeras Nikon e Canon, máquinas que produzem 1000 quadros em milésimos de segundos, dispondo de inúmeros recursos de edição no próprio equipamento, além da possibilidade imediata de verificação do resultado, todos os fotógrafos produzem instantes decisivos. E, no entanto, paradoxalmente o atual fotojornalismo é de uma homogeneidade bem apropriada à indústria pesada de comunicação de massa. Imagens quase idênticas são distribuídas pelas agências, em parte como decorrência de câmeras, também, programadas para produção de imagens dentro de um determinado universo técnico; e por processos de edição que “produzem escolhas” políticas. Não podemos perder de vista que toda esta produção fotográfica é possível “de ser melhorada”, no computador, operando programas sofisticadíssimos.
Passar aos leitores a ideia de “um instante decisivo”, no jornalismo que se faz na atualidade, é espetáculo e uma desonestidade. Tudo que aqui escrevemos é resultante de leituras, reflexões, práticas profissionais e da experiência de alguns anos. André Rouillé, no livro “A fotografia – entre o documento e a arte contemporânea”, destaca que “durante o último quarto do século XX, as ligações do homem com o mundo alargaram-se consideravelmente, enquanto na fotografia se acelerava o declínio da imagem-ação e o fotorepórter transformava-se em contemplador, transformando-se em telespectador da ocasião, recorrendo às encenações (cascatas) e, até mesmo, incorporando-se à pura e mera cãmera de televigilância. O enorme sucesso do jornalismo de celebridade propõe uma outra versão: o paparazzo , ou o fotógrafo-voyeur. Embora o paparazzo pareça mais livre e móvel do que o repórter, ele é uma das formas de declínio da imagem-ação, da perda de contato com o mundo. O paparazzo introduziu na fotorreportagem a prática da tocaia (fotocampa): inspirado nos detetives, a tocaia imobiliza durante dias, até mesmo meses, o fotógrafo emboscado à espreita de uma “presa”. A fotografia de celebridades, além disso, rompeu radicalmente com o mundo, reduzindo-o ao mundinho das estrelas, e mascarando, sob um véu de lentejoulas, seus aspectos mais sombrios.”
O cara que escreveu isso é professor assistente na Universidade de Paris VIII, na Unidade de Formação e de Pesquisa em Arte, Estética e Filosofia. É quase a mesma coisa que estou dizendo como professor da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), sendo que tenho apontado que são estes os mecanismos que norteiam a “pratica da cascata” e da “fotocampana”, práticas que induzem às subjetividades reacionárias. Ou às práticas de uma cartografia que serve de matéria-prima para os aparelhos do Estado em suas atividades repressivas.
Mil desculpas. Sem nenhuma arrogância ou pretensão, mas quando leio um trecho como este escrito por Rouillé tenho absoluta convicção de que o que estamos dizendo tem sentido. Não é uma loucura de um porra-louca que por um descuido do sistema ingressou na academia. Tem muito Bundão apertando botão, produtores alienados de imagens alienadas, todos fornecedores de bens simbólicos igualmente alienadores. Sem falar nos sem caráter.
Por uma medida judicial estou impedido de comentar alguns fotos publicadas no jornal Zerolândia (jornal Zero Hora). E, se não posso comentar algumas, não comento nada. Censura é censura. Não existe meia censura. As indicações de leitura são “Valsa com Bashir – uma história da guerra do Líbano”, de Ari Folmann e David Polonsky, da L± “O caminho para Wigan Pier”, de George Orwell; ”A vitória de Orwell”, de Chistropher Hitchens; e “Vultos da República – os melhores pefis políticos”, org. de Humberto Werneck, todos da Companhia das Letras.