O bairro Bom Fim, em Porto Alegre, passa por mais uma radical mudança. Será, em breve, o novo Moinhos de Ventos. Da rua Santo Antônio até a Ramiro Barcelos existem pelos menos uns 15 grandes empreendimentos imobiliários. Ainda recentemente, na Osvaldo Aranha, entre a Fernandes Vieira e Felipe Camarão, em questão de três semanas foi levantada uma grande garagem em estrutura pré-moldada. Este é um registro que não será encontrado nos “jornalões” da mídia corporativa. Não estamos fazendo nenhum juízo de valor. Não é por obra do Divino Espírito Santo que, seguidamente, são anunciadas melhorias da infraestrutura do bairro. A empresa OPUS, por exemplo, “comprou” do município o Auditório Araújo Viana. Volta a discussão da construção de um grande estacionamento embaixo do campo de futebol do Parque da Redenção. E mais cedo ou mais tarde, quando o perfil do bairro estiver “melhor”, o PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação) deverá promover um plebiscito para que a “nova população” (destes prédios maravilhosos) autorize o gradeamento da Rendenção. Um dos mais altos índices de valorização dos imóveis, em Porto Alegre, ocorre nesse bairro, historicamente ocupado pela comunidade judaica. O jornal “Estado de São Paulo”, o “Estadão”, brigando menos com a notícia e com um menor grau de interferência dos interesses econômicos, já teria teria registrado esta e outras mudanças que ocorrem, lentamente, na cidade. O antigo “Jornal do Brasil” registrava as transformações da cidade do Rio de Janeiro com grandes matérias. A cidade real não existe nas páginas dos “jornalões” do gauchismo babaca. Só perfumaria ou secos e molhados.
Na vagabundagem, flanando pela cidade em Derivas diárias, somos capazes de apontar umas duas ou três pautas por dia. Sem esforço investigatório. Coisa simples para jornalista que se desgrude da Internet, do telefone e que consiga tirar sua bunda da cômoda cadeira da redação.
“Cartier-Bresson não estava presente na fundação da Magnum porque ele estava em trânsito havia quase três meses, na primavera e verão de 1947, fotografando por todos os Estados Unidos – sua primeira incursão pelo gênero de grande reportagem que se tornaria seu modo favorito de trabalhar.”
Dessau, Alemanha, abril de 1945
“Tanto Capa como Rodger já haviam trabalhado no Oriente, mas fazia sentido para Cartier-Bresson ser o representante da Magnum na Ásia. Sua mulher, uma dançarina e poeta cujo nome artístico era Ratna (ou Retna) Mohini era natural de Java e fora para Paris em 1936. Em Nova York, no ano de 1946, ela e Cartier-Bresson firam amigos de responsáveis elas negociações com as Nações Unidfas sobre a possível independência da Indonésia, e fizeram outros contados que também se mostrariam úteis na Índia. Ratna fazia apresentações, traduzia, realizava pesquisas, controlava inúmeros detalhes logísticos (e, embora mulçumana, sempre lembrava seu marido de colocar na mala seu exemplar do Bhagavad Gita, quando ia viajar). Bresson afirmou repetidas vezes que sem ela não haveria obtido tanto sucesso.” Xangai, 1959
Textos e fotos do maravilhoso livro “Henri Cartier-Bresson – o século moderno”, de Peter Galassi, tradução de Cid Knipel, Museu de Arte Moderna de Nova York, edição da Cosanaify.
Em agosto de 2004, a revista eletrônica Pontodevista publicou uma seqüência sobre a obra de Cartier-Bresson. Com o desenho original da época VISITE AQUI.
na coluna da esquerda as fotos – Cartier-Bresson
1. visita do general De Gaulle, Munique, 1962
2. Richard Avedon, Carmel Snow e Marie-Louise, Paris, 1951
3. Coroação do rei George VI, Londres, 1937
4. Manifestação estudantil, Paris, junho de 1968
Tenho uma edição em espanhol de “Operação Massacre”, de Rodolfo Walsh comprada na Argentina. Conheci a história deste jornalista no jornal Versus, década de 70/80, além de ser uma indicação de Marcos Faerman (Marcão) ; e que, segundo ele, era uma leitura obrigatória. O Omar Filho (velho Matico), editor do Via Política sabe toda a história de como o jornal Versus chegou a Rodolfo Walsh. Este Sabático (21.08.2010), caderno de cultura do jornal “Estadão” é uma preciosidade. Uma edição para jornalista colecionador de papel.
Nas ruas da cidade, em uma ocorrência policial, o jornalista que não é do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação/Zerolândia/Zero Hora) é ameaçado e chutado por gente à paisana que, por telefone celular, pede apoio de uma viatura. O jornalista tem que pertencer a alguma empresa da mídia corporativa. Caso contrário corre riscos. Só se movimentam com absoluta naturalidade os “jornalistas” confiáveis. Isso ocorreu nas proximidades do hotel (Porto Alegre), onde a nata da categoria discutia o diploma. Onde foi redigida a Carta de Porto Alegre. Depois de me indentificar como jornalista e professor da UFRGS passei a escutar do troglodita que solicitava “viatura de apoio”, linguagem policial, que ele estava super afim de dar umas porradas em jornalista professor. O ambulante preso só não foi linchando devido a nossa presença fotografando.
instante decisivo de Cartier-Bresson é instante decisivo
Do mesmo Sabático (21.08.2010) do jornal “Estadão”. Caderno de cultura com este nível, no jornalismo do gauchismo babaca, é coisa de um passado bem remoto. Talvez a gente tenha tido alguma coisa desse nível no tempo dos editores Marco Aurélio Garcia e Luis Pilla Vares, intelectuais de esquerda . Jornalistas sem diploma. Pode até ser que nos próximos dias tenhamos uma matéria “requentada” sobre Walsh e este livro editado pela Cosac Naify. E tudo isso acompanhado, logicamente, por um artigo assinado por algum editor das antigas, mas que tá super Bundão, admitindo como “instante decisivo” foto feita com Nikon digital que disparara 30 mil quadros em dois milésimos de segundo. A estas alturas da vida, com a idade e a experiência adquirida, estrada e alguns livros lidos, não existe nenhuma razão para não dizer o que penso. E sem a pretensão de ser o dono da verdade. Simples exercício de pensar. Nem quero convencer ninguém. Prazer por implodir com a hiprocrisia. Tarefa que me foi dada pela direção do Movimento de Libertação Vodu Revolucionário, onde sou um simples militante do riso. Sim, esta é a pedagogia do riso. Do achar graça de tanta empulhação.
“Catálogo da retrospectiva do fotógrafo francês no MoMA, de Nova York, traz revelações sobre sua vida pessoal que ajudam a esclarecer como se formou o sofisticado e original olhar do artista.”
“Henri Cartier-Bresson: O século moderno”, autor Peter Galassi, editora Cosac naify Henri Cartier-Bresson (1908/2004) o maior fotógrafo do século XX era marxista. Nenhuma novidade, mas nunca é demais este registro. Jornalismo, com o verdadeiro sentido de subversão, se faz flanando.
Vilém Flusser dizia: “toda informação se produz como síntese de informações precedentes, por diálogos que troca bits de informação para conseguir informação nova…. atualmente, a massa de informações disponíveis adquiriu dimensões astronômicas e não cabe mais em memórias individuais, por mais ‘geniais’ que sejam. Por mais ‘genial’ que seja, a memória individual não pode armazenar senão parcelas das informações disponíveis…. Ele é o palhaço Bengalinha e ela abraçada a ele é Helena. A terceira pessoa vinha passando. Não tive tempo para descobrir quem era. Bengalinha trabalha na rua Voluntários da Pátria, centro de Porto Alegre.
Perguntei qual a relação dos dois. Ela respondeu que nenhuma. Disse, apenas, que um dia ainda iria dar pra ele. E ele disse, também rindo muito, que um dia ainda iria comer ela. E riam muito E repetiam que um dia a coisa aconteceria. Perguntei se poderia publicar as fotos e contar a história. Responderam que sim. Mas que eu não esquecesse, disse ela, que ela um diria iria dar pra ele. Ele rindo disse que “um dia ainda como essa mulher”. Isso foi dito várias vezes. Muitas vezes. Foi muito bom conversar, fotografar e rir com a brincadeira dos dois. Esta é a alma encantada das ruas. A estas alturas olhava para tudo com a sensibilidade aguçada por leves vapores de vinho.
“O diálogo interno e solitário se tornou inoperante. Exigem-se grupos de memórias individuais assistidos por memórias artificiais (laboratórios, comitês, grupos de pesquisa e de realização) e, estes sim, produzem informação nova em quantidade e qualidade jamais sonhada no passado. De forma que o autor, o Grande Homem, não apenas se tornou redundante como estritamente impossível.” - ainda de Vilém Flusser
renato se apresentando
Renato da Silva realizava ontem (quinta-feira), na rua Voluntários da Pátria, centro de Porto Alegre, em meio aos sacos de lixo, uma apresentação para um grupo de pessoas sentadas na calçada, em frente a uma loja que já tinha fechado as portas. Ao se ver fotografado fez questão de dizer que não estava drogado, apenas umas pingas. E que vive nas ruas, da reciclagem do lixo, nos últimos sete anos. É da cidade de São Lourenço e tem 29 anos. Pediu para não ser atrapalhado em sua apresentação. Darcy Ribeiro entendia tudo da nossa alma, o povo brasileiro.
a formação de Bundões começa nas faculdades
É impossível que estudantes de jornalismo, circulando pelas ruas da cidade, na mais pura vagabundagem, não consigam em dois ou três dias produzirem 5o pequenas histórias e muitas imagens. E que este material editado, com bom gosto gráfico, não resulte em uma bela revista de exercício do jornalismo. O exercício da observação, da busca apaixonada. A alma das pessoas na alma das ruas.
Sim, é possível. É uma tragédia ver tantos jovens atropelados pelo velho criminoso, o Lead.