Liberdade programada
“Em aparelhos não ainda inteiramente automatizados, em aparelhos que exigem para o seu funcionamento intervenção humana, tal ’acidentalidade’ não é aparente. O fotógrafo profissional parece levar o seu aparelho a fazer imagens segundo a intenção deliberada para a qual o fotógrafo se decidiu. Análise mais atenta do processo fotográfico revelará, no entanto, que o gesto do fotógrafo se desenvolve por assim dizer no ‘interior’ do programa do seu aparelho. Pode fotografar apenas imagens que constam do programa do seu aparelho.”

“Por certo, o aparelho faz o que o fotógrafo quer que faça, mas o fotógrafo pode apenas querer o que o aparelho pode fazer. De maneira que não apenas o gesto mas a própria intenção do fotógrafo são programados. Todas as imagens que o fotógrafo produz são, em tese, futuráveis para quem calculou o programado aparelho. São imagens prováveis.”

Imagens produzidas em lomography com uma máquina Diana F+. Filme 120mm, superia X-TRA 400 da Fujifilm. “Escaneada” de um negativo 6×6. Foco em infinito. Abertura para dia nublado. Leve diminuição de contraste. Centro de Porto Alegre, em agosto de 2010. Em “lomo” percebemos a exata dimensão da “obviedade” pensada por Vilém Flusser.

“Em toda imagem técnica é possível descobrir-se tal colaboração e luta entre o programador e a liberdade informadora.” Textos de Vilém Flusses, selecionados do livro “O Universo das imagens técnicas – elogio da superficialidade”, editora Annablume.
Leitura obrigatória para quem fotografa e pensa. Apertador de botão não vai entender nada. “Fotocampana”, por exemplo, só é possível como prática fotográfica com modernos equipamentos. Com poderosas teles. E com uma mente policial, claro.





Observante. — 31/08/2010 @ 05:56
Interessante, para dizer pouco, a postura de uma professora durante um debate entre o presidente do Movimento dos Sem Mídia e o representante do Datafolha, descrita no blog cidadania. A conferir. http://www.blogcidadania.com.br/2010/08/diretor-do-datafolha-fala-ao-cidadania/
Jorge Barata — 4/09/2010 @ 18:28
Esse problema já começou com as câmeras fotográficas automáticas. Com as digitais virou falta de criatividade e exercício de memória. O automático faz tudo, e o fotografo nem se dá ao trabalho de ver o que a câmera vê.