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POR DENTRO DO MACONHEIRO


Sextas é dia de  coluna. Estamos reeditando o material publicado durante oito anos na revista eletrônica Pontodevista. Esta tinha por título “Por dentro do maconheiro”.
“Antes de 1900, já se contavam quase quatrocentos textos sobre a canabis. Em nosso século esta cifra chegou a duplicar e ultrapassou os quatro mil. Significativamente, metade dos títulos foi impressa após a descoberta do THC, na década de sessenta, quando de fato se iniciou a pesquisa sobre a maria. O tempo decorrido desde então é muito curto para haver certeza sobre as conseqüências físicas, psicológicas e sociais do uso. Basta pensar que foi necessário um prazo de três vezes maior para se atingirem resultados seguros quanto aos malifícios do tabaguismo – que, no entanto, nunca se cercou da nebulosa político-ideológica que recobre a maconhice. Até hoje alguns estudiosos continuam asfixiados por tal camisa-de-força e defedem meras conjuturas com afirmações categóricas. Outros projetam sobre gente resultados de experimentos com bichos, quando, em relação a qualquer coisa que se absorva, as diferentes espécies reagem de maneira particular, Sabe-se, por exemplo, que o THC acelara nossos batimentos cardíacos, mas os retarda na maioria dos animais”.  Veja AQUI  com o desenho origina da página.

****”Securenta” ou “fissurada”: é a pessoa que tá sempre a mil. Já chega ansiosa. Amassa um camarão (desmurruga) entre os dedos de uma mão enquanto que com a outra já segura a seda. Rapidamente já está fumando e passando o “beque”, mas fica atenta seguindo com os olhos.

****”Marola”: é o cara careta e que não fuma propriamente, mas acaba se chapando com a fumaceira. Se fumar enjoa, fica tonta, etc

****”Janque”: fuma muito e, em geral, não fica só na maconha. É radical e dá muita bandeira. É o “sujeira” da turma. Delira, ‘paga mico’ e dá vexame porque apronta sempre. Em geral ou é o mais novo ou  mais velho.  (do livro “Entre o cânhamo camponês e a cannabis maconheira”, de Luciana Job,  editora ArmazemDigital.

das minhas outras leituras

“Nos anos de 1926-1928, a Preparatória é um lugar de experimentação da juventude comunista. Em fevereiro de 1926, uma coleta é organizada (por Arcadio Guevara) entre os alunos da Preparatória para que um jovem revolucionário cubano possa pagar sua viagem de Honduras ao México. Esse rapaz é Julio Antonio Mella, adversário encarniçado do ditador Machado, orador inspirado, romântico, de extraordinária beleza. Imediatamente ele se integra ao movimento revolucionário mexicano, colabora em Machete (grande revista dos intelectuais da época) e se torna secretário- geral do Partido Comunista Mexicano. Tina Modotti, a jovem fotógrafa italiana, comunista, companheira do fotógrafo Edward Weston, e depois amante de Xaxier Guerrero, refugiada no México depois da expulsão dos Estados Unidos, encontra Julio Antonio Mella e se torna sua amante. A 10 de janeiro de 1929, Julio é assassinado na rua por um agente de Machado.”

Suas últimas palavras “morro pela revolução.”

(do livro “Diego e frida”, biografia escrita por J.M.G. Clézio, da editora Record)

minha homenagem a todos estes malucos geniais. Imaginem o que  Tina Modotti não virava a cabeça dos camaradas!

as fotos

as fotos da coluna da esquerda, alto da página, são do livro “Aperture Masters of Photography”, de Manuel Alvarez Bravo, editora Könemann, apresentação do escritor Octavio Paz. A primeira é “El trapo negro, 1986; a seguir, Leon Trotski, 1930/1940; logo uma de Diego Rivera, também dos anos 1930/1940; e, por último a de um operário assassinato durante uma greve em 1940, na cidade do México.

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