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contos fulminantes

Em 1976, em plena ditadura militar, a editora Civilização Brasileira, com a direção de Ênio Silveira, publicava a revista “Ficção – histórias para prazer da leitura”. O representante da revista no Rio Grande do Sul era o Moacyr Scliar.

Este exemplar de n.6, junho de 1976, publicou textos de Afonso Arinos, Ary Quintella, Mário Quintana, entre outros autores nacionais, além de um conto de Anton Tchekov.

Este exemplar de abril de 1977, n.16, com Stanislaw Ponte Preta, Mário Quintana, Fernando Sabino entre outros era todo dedicado ao humor. Na página 56 temos um o texto “Campig”, do Fraga. Sim, José Guaraci Fraga que organizou junto com o Edgar Vasques algumas antologias do humor gaúcho. Foi editor de artes do Coojornal e do “Quadrão” publicado pela “Folha da Manhã”, jornal da Caldas Júnior.

cuento de anderson imbert

“Nataniel, escritor fracassado, decide suicidar-se. Carrega o revólver, coloca-o ao seu lado, na escrivinhaninha, e põe-sea redigir a carta de despedida. A carta se alarga, se ilumina, respira, vive. É a obra, a ansiada obra! Para poder publicá-la Nataniel não se suicida… Trata-se , agora, de encontrar o editor. É quando Nataniel descobre que não devia ter desistido do suicídio.”  de Glauco Mattoso, extraído de Contos Fulminantes – 1976.

Ave Leica

O caderno Mais, edição dominical da “Folha de São Paulo”, edição de 21.03.2008, publicou um texto de Cristiano Mascaro com o título “Ave Leica”. Na ocasição publicamos este artigo na íntegra. Reproduzimos, agora, para os novos leitores de Pontodevista com o desenho original das páginas. AQUI.

Ninguém jamais deveria trabalhar. O trabalho é a fonte de quase todos os sofrimentos no mundo. Praticamente qualquer mal que se possa mencionar vem do trabalho ou de se viver num mundo projetado para o trabalho. Para parar de sofrer, precisamos parar de trabalhar.

A Life e o ensaio fotográfico

É de Henry Luce a expressão “ensaio fotográfico”. É o que está registrado na história do jornalismo. Quando do lançamento da Life (do período 1936/2000) Luce dizia que a revista tinha por objetivo “ver a vida, ver o mundo.” Life chegou a ter tiragens de até 8 milhões de exemplares.

Capa de maio de 1966 com Cassius Clay. Em 1999 recebi um telefonema de um livreiro (PO) perguntando se havia interesse, da minha parte, na compra de um número razoável de exemplares da revista Life. Todas em bom estado de conservação. Cerca de 2 reais cada uma. Não pensei duas vezes. E pelo número de exemplares perguntei se era possível parcelar em duas vezes. Ele respondeu que tudo bem. Peguei um táxi e trouxe mais uma montanha de revistas para casa. Estas capas são desta coleção adquirida em 1999.

Capa de abril de 1966 com Charlie Chaplin e Sophia Loren. Nunca tive nos meus planos ser um professor. Continuo sendo um jornalista que por diversas injunções da vida exerce a atividade de professor de jornalismo na UFRGS. Ingressei na academia por um descuido do sistema. Sou um privilegiado. É certo de que sem esta “sorte” seria um marginal. Minha educação não me possibilitaria ter como alternativa vender à prestação minha alma. Construí, muito antes de me tornar um professor, um grande acervo. Sou do tempo que jornalista colecionava papel. Tinha fascínio por papel. Não existia um universo de telas. Este acervo possibilita a que o Blogpontodevista transite por um universo ilimitado de temas e ideias, sempre em expansão e sem qualquer orientação editorial. Até agora usamos uma parcela muito pequena de todo o material de que dispomos Nosso compromisso é com o prazer. Com as práticas que possam contribuir para a implosão do sistema. Terrorismo poético.

só em edições especiais

Em 18 de março de 2000, o jornal Folha de São Paulo,  caderno 2, página 12 publicou uma nota com o título ‘Life’ só circulará com edições especiais’ e como linha complentar “famosa publicação norte-americana deixará de circular mensalmente em maio.” Ilustra a reprodução da capa de 1963 com a morte de Kennedy a a foto de Einsenstaedt, em 14 de agosto de 1945 com o famoso beijo do marinheiro em uma rua de Nova York.

anotações para uma aula subversiva, aqui.

estas anotações foram escritas em 28.08.2009 algumas horas antes de uma aula na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), tendo como tema o fotojornalismo.  Disponibilizamos estas notas para os novos leitores do Blogpontodevista. Aproveitamos, também, para um especial agradecimento aos que estão nos lendo em Brasília. Temos uma média de cem fiéis leitores na capital.

DAS MULHERES FASCINANTES

“São 10 horas da manhã, quinta-feira. meu quarto é independente dos outros e eu desarrumo ele à vontade. Meu quarto dá para o mar. O mediterrâneo é azul, azul. (Clarisse Lispector, carta a Lúcio Cardoso, Nápoles, setembro de 1944)

Abaixo uma foto de Clarisse com Maury na cidade de Berna. Ela em seus passeios tinha, também, a companhia de Bluma Wainer, esposa de jornalista Samuel Wainer, fundador do jornal Última Hora.

O livro “Clarice Fotobriografia”, de Nádia bartella Gortlib, editora Edusp/ImprensaOficial é para ser lido sempre. E olhado.

Clarice e Maury na ponte Rialto, em Veneza, passeando de gôndola.

Em 1954 passou as férias no Brasil e foi entrevistada pela revista “A Cigarra”. Este foto é de novembro deste ano. “Clarice passa a colaborar com a revista Manchete em sessão intulada ‘Diálogos Possíveis com Clarice Lispector’, que manterá até maio de 1968 a outubro de 1969. Entrevista entre outros, Chico Buarque de Holanda, cantor, poeta e futuro romancista, em matéria publicada no n.856 da revista, datada de 14 de sentembro de 1968.”

é de gustave flaubert a ideia

“seja metódico e organizado em sua sua vida como um burguês, para poder ser violento e original em sua obra.”

a arte da entrevista


Quando do lançamento deste livro (2007) com textos de Clarice Lispector, os jornais do centro do país destacaram com “Uma repórter chamada Clarice – chega às livrarias na próxima semana Entrevistas,volume que reúne 42 conversas da escritora , 19 inéditas…; em 2008 é lançado “Clarice – Fotobiografia” . O primeiro é um livro que reúne pequenas entrevistas realizadas entre maio ded 1968 e outubro de 1969, na seção “Diálogos possíveis com Clarice Lispector”, na revista Manchete. Vale alguns semestres de qualquer cursinho de comunicologia. Leitura obrigatória para quem tem o DNA de jornalista e não pensa no diploma. É interessante observar que uma revista como a Manchete, desprezada pelo “bom jornalismo” da epóca, tinha Clarice entrevistando Antônio Callado, Bibi Ferreira, Carybé, Chico Buarque, Elis Regina, Emerson Fittipaldi, Érico Veríssimo, João Saldanha, Jorge Amado, Nélida Piñon, Nelson Rodrigues, Vincíus de Moraes, Zagallo entre outras. Nos antigamente se diria só o “filé” do jornalismo de entrevistas.

para ler nas horas vagas, uma dica AQUI


POR DENTRO DO MACONHEIRO


Sextas é dia de  coluna. Estamos reeditando o material publicado durante oito anos na revista eletrônica Pontodevista. Esta tinha por título “Por dentro do maconheiro”.
“Antes de 1900, já se contavam quase quatrocentos textos sobre a canabis. Em nosso século esta cifra chegou a duplicar e ultrapassou os quatro mil. Significativamente, metade dos títulos foi impressa após a descoberta do THC, na década de sessenta, quando de fato se iniciou a pesquisa sobre a maria. O tempo decorrido desde então é muito curto para haver certeza sobre as conseqüências físicas, psicológicas e sociais do uso. Basta pensar que foi necessário um prazo de três vezes maior para se atingirem resultados seguros quanto aos malifícios do tabaguismo – que, no entanto, nunca se cercou da nebulosa político-ideológica que recobre a maconhice. Até hoje alguns estudiosos continuam asfixiados por tal camisa-de-força e defedem meras conjuturas com afirmações categóricas. Outros projetam sobre gente resultados de experimentos com bichos, quando, em relação a qualquer coisa que se absorva, as diferentes espécies reagem de maneira particular, Sabe-se, por exemplo, que o THC acelara nossos batimentos cardíacos, mas os retarda na maioria dos animais”.  Veja AQUI  com o desenho origina da página.

****”Securenta” ou “fissurada”: é a pessoa que tá sempre a mil. Já chega ansiosa. Amassa um camarão (desmurruga) entre os dedos de uma mão enquanto que com a outra já segura a seda. Rapidamente já está fumando e passando o “beque”, mas fica atenta seguindo com os olhos.

****”Marola”: é o cara careta e que não fuma propriamente, mas acaba se chapando com a fumaceira. Se fumar enjoa, fica tonta, etc

****”Janque”: fuma muito e, em geral, não fica só na maconha. É radical e dá muita bandeira. É o “sujeira” da turma. Delira, ‘paga mico’ e dá vexame porque apronta sempre. Em geral ou é o mais novo ou  mais velho.  (do livro “Entre o cânhamo camponês e a cannabis maconheira”, de Luciana Job,  editora ArmazemDigital.

das minhas outras leituras

“Nos anos de 1926-1928, a Preparatória é um lugar de experimentação da juventude comunista. Em fevereiro de 1926, uma coleta é organizada (por Arcadio Guevara) entre os alunos da Preparatória para que um jovem revolucionário cubano possa pagar sua viagem de Honduras ao México. Esse rapaz é Julio Antonio Mella, adversário encarniçado do ditador Machado, orador inspirado, romântico, de extraordinária beleza. Imediatamente ele se integra ao movimento revolucionário mexicano, colabora em Machete (grande revista dos intelectuais da época) e se torna secretário- geral do Partido Comunista Mexicano. Tina Modotti, a jovem fotógrafa italiana, comunista, companheira do fotógrafo Edward Weston, e depois amante de Xaxier Guerrero, refugiada no México depois da expulsão dos Estados Unidos, encontra Julio Antonio Mella e se torna sua amante. A 10 de janeiro de 1929, Julio é assassinado na rua por um agente de Machado.”

Suas últimas palavras “morro pela revolução.”

(do livro “Diego e frida”, biografia escrita por J.M.G. Clézio, da editora Record)

minha homenagem a todos estes malucos geniais. Imaginem o que  Tina Modotti não virava a cabeça dos camaradas!

as fotos

as fotos da coluna da esquerda, alto da página, são do livro “Aperture Masters of Photography”, de Manuel Alvarez Bravo, editora Könemann, apresentação do escritor Octavio Paz. A primeira é “El trapo negro, 1986; a seguir, Leon Trotski, 1930/1940; logo uma de Diego Rivera, também dos anos 1930/1940; e, por último a de um operário assassinato durante uma greve em 1940, na cidade do México.