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Carta a Diego Rivera

“Por acaso vi uma certa carta, num certo casado, pertencente a um certo homem, vinda de uma certa dama da distante e maldita Alemanha. Acho que deve ser a dama que Willi Valentiner mandou para cá para se divertir e com ‘propósitos’ científicos , ‘artísticos’ e ‘arqueológicos’… que me deixou zangada e, para lhe dizer a verdade, enciumada… Por que tenho que ser tão teimosa e obstinada, a ponto de não compreender que as cartas, os problemas com as saias, as professoras… de inglês, as modelos ciganas, as ajudante de ‘boa vontade’, as discípulas interesssadas na ‘arte de pintar’ e as mulheres plenipotenciárias, mandadas de lugares distantes são simplesmente piadas…

e que, lá no fundo, você e eu, nos amamos muito? Mesmo que vivenciemos aventuras intemináveis, rachaduras nas portas, ‘referênciais’ a nossas mães e queixas intermináveis, acaso não estamos sempre sabendo que amamos um ao outro? Acho que o que está acontecendo é que sou meio estúpida e tola, porque todas essas coisas aconteceram e se repetiram nos sete anos que vivemos juntos. Toda essa raiva simplesmente me fez compreender melhor que eu o amo mais do que a minha própria pele, e que, embora você não me ame tanto assim , pelo menos me ama um pouquinho  - não é? Se isto não for verdade, sempre terei a esperança de que possa ser, e isto me basta…. Ame-me um pouco. Eu adoro você   Frieda.

mensagem urgente da REDE


Para evitar um erro operacional em uma ação já desencadeada, a REDE está solicitando a divulgação urgente desta mensagem para que a mesma possa se lida a tempo pelo Agrupamento Tático Operacional. Destruir é um essencial ato que exige alta criatividade.

semana preguiçosa, criativa e de transgressões

Foi uma boa semana. Todos os dias foram marcados por alguma transgressão contra o sistema. A favor da vida. Contra esta doença terrível que empurra, cegamente, todos para o trabalho. Nos momentos mais culturais me dediquei à leitura do “Direito à Preguiça”, de Paulo Lafargue. O livro começa com o discurso de Lenin nos funerais de Paul e Laura Lafargue, em três de dezembro de 1911. Este panfleto circulou pela primeira vez no jornal L’Égalité, em 1880. Lafargue era  de origem cubana. Casou com Laura Marx. Sim, filha do velho barbudo. Não leia o jornal Zero Hora. O verdadeiro deles é o falso. Participou ativamente da Comuna de Paris. Como diz   J.L. Borges reorganizar uma biblioteca é um maravilhoso exercício de crítica. Com o passar dos anos fico cada vez mais confuso. Cada vez tenho menos certezas. Meus dias são marcados por dúvidas.Estou sempre envolvido em intermináveis diálogos com espíritos mortos e vivos. Os fantasmas são divertidos. Possuem humor. Você é uma mulher fascinante. Estão  imunizados contra a epidemia do trabalho.

para esta sexta-feira, Walt Whitman

Cheio de vida, hoje, compacto, visível,
Eu, com quarenta anos de idade no ano oitenta e três dos Estados,
A ti, dentro de um século ou de muitos séculos,
A ti, que não nasceste, procuro.
Estás lendo-me. Agora o invisível sou eu,
Agora és tu, compacto visível, quem intui os versos e me procura,
Pensando em como seria feliz se eu pudesse ser teu companheiro
Sê feliz como se eu estivesse contigo
(não tenhas muita certeza de que não estou contigo)

Não procure entender ou descobrir a lógica de tudo isso

Quem busca sabedoria, que a busque onde se aloja; não tenho a pretensão de possuí-la. O que aí se encontra é produto de minha fantasia; não viso explicar ou elucidar as coisas que comento, mas tão somente mostrar-me como sou. Talvez venha a conhecer a fundo um dia, ou as tenha conhecido, se por acaso andei por onde elas se esclarecem. Mas já não as recordo. Embora seja capaz de tirar proveito do que aprendo, não o retenho na memória: daí não poder assegurar a exatidão de minhas citações. Que se veja nelas, apenas, o grau de meus conhecimentos atuais. Não se preste atenção à escolha das matérias que discuto, mas tão-somente à maneira como as trato. E, no que tomo de empréstimo aos outros, vejam unicamente se soube escolher algo capaz de realçar ou apoiar a idéia que desenvolvo, a qual, sim é sempre minha. Não me inspiro nas citações; valho-me delas para corroborar o que digo e não sei tão bem expressar, ou por insuficiência da língua ou fraqueza dos sentidos. Não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade das das citações. Se houvesse querido tivera reunido o dobro. Provêm todas, ou quase todas, dos autores antigos que hão de reconhecer embora não os mensione. Quanto às razões, às comparações e aos argumentos que transplanto para meu jardim, e confundo com os meus, omiti muitas vezes, voluntariamente, o nome dos autores, a fim de pôr um freio nas ousadias desses críticos apressados que se espojam nas obras de escritores vivos e escritas nas língua de todo munto, o que dá a quem queira o direito de as atacar e insinuar que planos e idéias sejam tão vulgares quando o estilo; e eu quero que dêem um piparote nas ventas de Plutarco pensando dar nas minhas, e que insultem Sêneca de passagem…

1 Comentário »

  1. Oivle — 28/07/2010 @ 18:48

    “Ponto de vista, ou uma vista além do ponto”
    Elanklever


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