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Negras, forró e cachaças

Maracatu em São Cristóvão. A Feira Nordestina. Forró, Baião. Encontro com a “mardita”. Baião de Dois. Festa Junina com véspera de Copa do Mundo. Confusão sonora. Vários shows em diferentes pontos. Suor. Cheiro de comidas no ar. Danças. Misturas. Confraternização popular. Uma parte do nordeste em pleno Rio de Janeiro. Gente de todos os lados e de todos os tipos. Um brinde com o jornalista francês que o levou ao festival no Cine Odeon. A volta para casa, quase de manhã, foi num táxi “clandestino”… um senhor simpático, logo ao sentar adverte: “põe o sinto por causa da fiscalização!”. Junto, no transporte, uma senhora pernambucana poetiza. Ela recitou longos poemas – de cabeça – durante todo o caminho.

as “marditas” de todo os cantos do país

uma enciclopédia francesa de cinema

O jornalista francês Germain foi o único que conseguiu me levar a um programa cultural. Abertura do Festival de Cinema Francês, no Cine Oden, na Cinelândia. Formado em Cinema e Artes Visuais pela Universidade Paris VIII é um apaixonado por cinema. Vive no Rio, escrevendo e vendo tudo sobre o tema. Trabalha para alguns sites. Grande leitor de Émile Zola. É capaz de ficar horas falando sobre a obra deste escritor. Ofereci a ele várias cachaças. Se apaixonou pelo sol e por uma mulher brasileira. Uma gaúcha pertubada por excesso de energia, capaz de viver intensamente e nos limites.

No clube dos Diambistas

Interrompemos a série de postagens com textos e fotos enviadas do Rio de Janeiro. Sexta-feira é dia da coluna Colomy.

” A tendência para o uso da maconha em sociedade é também observada no Brasil. Transcrevemos de Iglesias os seguintes trechos por demais curiosos e ilustrativos a respeito do assunto. Aludindo a um denominado Clube dos Diambistas, conta: ‘os fumantes reúnem-se, de preferência, na casa do mais velho, ou do que, por qualquer circunstância, exerce influência sobre eles, formando uma espécie de clube, onde geralmente aos sábados celebram suas sessões. Colocam-se em torno da mesa e começam a sugar baforadas de fumaça da diamba. Fomos assistir a uma sessão num clube de diambistas, no vale do Mearim, próximo a Pedreiras, no Estado do Maranhão. Os fumadores estão em volta de uma mesa, outros deitados em suas redes. Às primeiras fumaçadas os olhos se injetam de sangue: os primeiros sintomas de pertubação mental se manifestam. Alguns ditos chistosos, umas gargalhadas, indicam que o pessoal começa a embriagar-se, e versos toscos e desconcertados saem por entre as baforadas de diamba: O diamba, sarabamba!/ Quando eu fumo a diamba/ Eu fico com a cabeça tonta/ E as pernas zamba”. (do livro “O barato da história”, de Elizabeta Remini, ed. Escrita)

Deriva carioca cansou equipe

Não gravamos os sons dos dias em que Ungaretti (WU) esteve aqui, mas seriam os mais humanos e autênticos possíveis. Sons ao ritmo do pulsar do coração e do sangue correndo nas veias, sem nenhum mecanismo artificial. Tudo era vida. Jornalismo só é o que de fato existe, não o que se quer vender. Jornalismo é o que há, não é a perfumaria. É o cheiro verdadeiro das gentes. Ruídos. Ao invés de escrever textos com muitos adjetivos, melhor colocar verbos. Os adjetivos são fechados. Os verbos estão em movimento e  podem ser conjugados a qualquer tempo e em qualquer pessoa. Do Eu ao Nós.  Houve uma tentativa de manter a ordem cronológica, só que nem todos os  relógios  acompanharam o ritmo e pararam de exaustão. Estar  três da manhã no Boteco do Gomes (LAPA) e  seis e meia no Aterro (Flamengo)  não  é para qualquer um.

Salgado Filho. Vestido de palestino. Um dia após o ataque israelense a uma frota de navios que levaria ajuda humanitária à Faixa de Gaza…Ao chegar ao Santos Dumont, logo na saída da sala de desembarque, uma surpresa: uma ex-aluna grita “Ungaretti!”.  Nenhum de nós acreditamos que já de início a estada de WU seria tão movimentada. A mesma ex-aluna, sem combinações, nem troca de telefones e endereços, estava, no dia seguinte, no Boteco do Gomes (Lapa). Outra supresa.

Do Santos Dumont para o Centro de Reabastecimento e Implosões. Com vista para os torpedos chegando…

Foi o tempo de largar a bagagem e sair. Sem descanso. Derivar na Lapa. O bairro boêmio do Rio de Janeiro. Transitar entre Carlito’s,  Circo Voador, Fundição Progresso, Mem de Sá, Arco Íris, Capela, Nova Capela, Bar do Adão, Boteco do Gomes, Antonio’s, Casa da Cachaça, Arcos da Lapa, Sala Cecília Meirelles, Rua do Riachuelo. Todas as vielas escuras e malditas da região. O underground do underground. Algumas imagens, muitas histórias e dezenas de observações, das mais imprevisíveis possíveis.


Parada para descanso às quatro da manhã. Às sete da manhã: uma média com queijo minas no pão francês. Ou um misto quente (conhecido por Farroupilha em Porto Alegre). O pessoal da noite não é o mesmo da manhã. São fisionomias e disposições diferentes. A cidade tem uma outra feição. E todas têm seu valor. Cafeterias antigas, botecos, praças. Caminhada pelo Aterro. Encontro emocionante com um velho fotógrafo de nu.  Falaram sobre imagens, o Rio nos anos 60, política, jornalismo.

Textos e fotos da equipe

Este encontro me emocionou. O fotógrafo J.M.Goes é uma grande figura. Cada palavra dele vale por muitas aulas. Eu sou um aprendiz. Confesso que dei um cansaço na equipe carioca. No terceiro dia alguns já se perguntavam quando haveria uma parada. Nos próximas postagens vamos mostrar outras etapas da DERIVA carioca. Todos os encontros foram intensos. Meu olhar comparativo – absolutamente essencial a todo jornalista – esteve mais do nunca aguçado. Estive ligado todo o tempo. No alojamento do Centro de Reabatecimento e  Implosões tomava um banho, trocava de roupa e planejava as próximas incursões. Fotografei muito pouco, mas fui fotografado durante todo o tempo.  Não me senti, em nenhum momento, ameaçado ou presencei atos de violência. Trabalhador ou desempregrado circulando na Vila Mimosa não é assaltado. Nem mesmo jornalista gaúcho carregando equipamentos. Circulando pela Lapa se tem uma breve noção do quanto Porto Alegre é uma cidade reacionária e submetida a uma gestão (não gosto desta palavra) repressiva.  A Cidade Baixa está sob a hegemonia de Bundões. O jogador Sócrates acertou.  A democracia corintiana antecede até mesmo o OP (Orçamento Participativo). Dos tempos em que se respirava um ar melhor. Não muito e nem sempre! (Wu)

Agora com vídeos e sons

Em continuidade às mudanças que começamos no início do mês teremos a partir de hoje uma coluna Imagens com fotos e vídeos. Não está  definida a frequência de renovação. No alto da página  nossa última intervenção no Twitter. E o Som do Dia. A ideia é de renovação do som uma vez por semana. Ou não.  Talvez  uma desorganização. Nos próximos dias deveremos introduzir outras novidades. A equipe do Rio de Janeiro já enviou o material da minha passagem por lá. Tão logo fique resolvida uma pequena dificuldade técnica iremos disponibilizar a matéria em uma sequência de postagens.  Abre o som Ventania e a imagem em lomo. Vamos inventar divertidas brincadeira. Rir pertuba a direita.

PARA IMAGINAR em lomography