Nem tudo pode ser fotografado. Em uma deriva há momentos em que viver é mais importante. O registro fica na memória. E nem sempre lembramos de fotografar. Essas imagens são apenas um breve roteiro dos lugares em que passamos. Outro dia, acordando com as galinhas, Feira na Praça São Salvador. Roda de Samba. Muito tranquilo. Ônibus 422. Praça da Bandeira. Avenida Presidente Vargas. Vila Mimosa. Longa caminhada pela Tijuca. Antiga Escola Técnica, agora CEFET. Ônibus 464 para Lapa. Bar do Adão. Ônibus 216: Santa Tereza, Curvelo, Largo dos Guimarães. A ponte Rio-NIterói lá atrás. Descendo o morro a pé.
Não tenho o que reclamar da vida. Durante a DERIVA carioca, sempre, estive cercado pela proteção e o carinho de muitos alunos. Gente da primeira linha do jornalismo. Muitas vezes fico constrangido diante de tanta atenção que me é dada. Ficam atentos até mesmo para as pequenas observações que faço. Lembram e citam frases ditas por mim em sala de aula. Digo um monte de irresponsabilidades. Não tenho compromisso com porra nenhuma. Só acredito no jornalismo como loucuras de um apaixonado. Com a idade quero, cada vez mais, perder a razão. Não tenho e não quero ter nenhuma preocupação com o ridículo de algumas situações. Ainda sou capaz de chorar, na mesa de um bar, ao escutar a história de uma prostituta completamente bêbada. Arrisco pedir uma sessão de fotos a uma menina de 22 anos pela qual fiquei encantado. Surpreso, escutei ela dizer sim. Os deuses, nesse dia, resolveram que eu merecia um belo presente. E que presente. Meu dia é cada vez mais ocupado por ousadias. Fico envergonhado quando converso com jovens bundões. Quero todas as coisas nos seus limites. Não há nenhuma razão para que a estas altura eu não tenha um puta encantamento pela vida. A Jamaica é um vasto território livre. A embriaguez provocada pelo vinho é mágica. E ainda consigo encantar as mulheres inteligentes. Foi aqui, na antiga Escola Nacional do Rio de Janeiro, em 1962, que comecei minha militância no Partidão (Partido Comunista Brasileiro). Foi daqui, junto com outros militantes de base do partido, que sai para participar do último comício do presidente João Goulart, na Central do Brasil, quando foram anunciadas as Reformas de Base, entre elas a Reforma Agrária. Fui para o comício carregando uma faixa com os dizeres:”estudantes secundaristas pedem a legalização do PC’. Lembranças da minha primeira greve como líder estudantil.
Sexta-feira é dia da Coluna Colomy. É também o dia de ninguém se ligar na Globo. Cala a boca bando de Bundões. Assista aos jogos da copa em outro canal qualquer.
o cânhamo e o islã
“Um uso ritual disseminado do cânhamo aparece em seguida no Oriente Médio após a ascensão do islã, que probia o uso de álcool mas não fazia qualquer mensão ao cânhamo e seus derivados. Na ausênsia de proibições culturais de seu uso, o consumo de haxixe tornou-se corriqueiro. Seus poderes espirituais eram apreciados particularmente pelos sufis. Segundo uma história aprócrifa, um líder religioso chamado Haider, que vivia nas montanhas de Rama por volta de 500 d.C., descobriu por acaso os poderes euforizantes da planta e os partilhou com seus seguidores. Um monge seu, Sheraz, dizia aos discípulos que Deus lhes concedera o ‘favor especial’ de uma planta que ‘irá dissipar as sombras que anuviam as almas e iluminar-lhes os espíritos’. Como é comum nas classes sacerdotais, Haider pedia a seus discípulos que escondessem as propriedades divinas da planta da gente comum. Se sorrisos beatíficos ou línguas soltas trairam o segredo, isso não foi registrado. Seja como for, logo os poetas sufis estavam exaltando as virtudes da ‘taça de Haider’, que dizem, tem “a frangrância do âmbar e centila como uma esmeralda verde”. (texto “O grande livro da Cannabis”, de Rown Robinson, Zahar Editor)
na Casa da Cachaça (Lapa)
ela pediu uma “claudionor”
Coisa de uma negra, mineira, que entende. Tomamos algumas conversando sobre as cachaças da região de Salinas. O dono da Casa me mostrou as melhores da Paraíba. Teor alcoólico mínimo de 47%. Depois de algumas convidei a “negrona” pra me mostrar alguns caminhos mais arriscados. Claro, ela topou. Existe uma velha Lapa, onde é raro se ver um gringo.
Num sábado pela manhã, bem cedinho. Feira da Praça XV (Centro). Ao lado das barcas para Niterói e Paquetá. Ao lado do Paço Imperial. Há coisas úteis, inúteis, interessantes, tranqueiras em geral e raridades. Queriam comprar martelo, carteira estudantil da década de 60… discos, rádios, câmeras fotográficas, óculos, livros. A pé até a Feira Rua do Lavradio (Lapa), passando pelo Arco do Teles, Travessa do Ouvidor, Rua do Ouvidor, sebos, Teatro João Caetano, Teatro Carlos Gomes. Um telefonema para BFAP (Banco de Financiamento das Atividades de Pirataria). A Al-qaed liberou mais recursos. Modelo, manequim, ator, professor, jornalista, bailarino, caminhante, derivante, cachaceiro e intelectual. Para fechar o dia: Lapa (Casa da Cachaça, Semente) e depois, pra encerrar a Lapa, uma canja de galinha no Garota do Flamengo.
Só mercadorias têm direitos no interior dos shopping centers. Um bando de ingênuos são atraídos por estes espaços “publicos” privatizados. A ideia é de que quanto menor o público, maior a ordem e o controle. Das ruas. O que na atualidade é chamado de Sindicato não passa de uma burocracia trabalhista. Precisamos encontrar novos caminhos na luta contra os processos de absorção de imagens da atual estrutura de narrativas totalizantes. Temos que aprender a utilizar os novos mecanismo (blog, twitter, facebook, etc) não com a lógica que o sistema determina. Cada intervenção deve ter a função de implodir com alguma coisa. Vilém Flusser dizia que “as questões que os novos engajados devem formular são, pois, necessariamente técnicas, por exemplo: como é possível se alterarem os feixes que irradiam imagens e dispersam a sociedade em indivíduos solitários e programados?” E não podemos perder de vista o fato que “nossas” imagens poderão ser utilizadas como instrumentos de cartografia. O guerrilheiro midiático passa muitas horas vagabundeando pelas ruas e muito pouco tempo na frente de telas. Só o necessário para promover atos de terrorismo poético. Trabalhem pela desorganização do sistema. Ser de “esquerda” reproduzindo a lógica do sistema (eu revolucionário produtor de revolução em cima do caminhão de som ou do palanque x massa de consumidores de revolução aí em baixo) é coisa de Bundão. O mundo dos acontecimentos acaba, assim, substituindo o mundo das coisas, segundo Roullié. Ele também diz que ” o novo real convoca novas imagens, novos dispositivos de imagens para novos modos de crença”.
Vandalize! Sim, seja um vândalo. Caos é uma criação contínua. Fique com o Zen da discórdia. Luta de classes existe, sim!!!!!!
A cidade toda enfeitada em ritmo de Copa do Mundo. Cinelândia. Amarelinho.
O Rio de Janeiro foi decorado pelas comunidades
como um polvo, gente gelatinosa
Um cadáver domina a sociedade – 0 cadáver do trabalho. Todos os poderes ao redor do globo uniram-se para a defesa desse domínio: o Papa e o Banco Mundial, sindicatos e empresários, ecologistas e socialistas, Todos eles só conhecem um lema: trabalho, trabalho, trabalho e trabalho! E mais trabalho. A confusão deve ser vista, sempre, como uma estética aceitável. O sexo fala de uma linguagem baseada em lubrificantes e lubrificações, um tipo diferente de saliva. Se manifeste como um vagabundo, clandestinamente. Os piratas foram os primeiros a montar uma rede de informações. Grande parte deles convertidos ao islã. Você esta esperando uma revolução? A minha começou muito tempo atrás. Viva a gang de Bonnot! Bandidos e anarquistas. A guerrilha midiática é um método de defesa da ingerência/presença da mídia no imaginário coletivo e em nossa vida. Pontodevista está sob censura. Ação de um tosco com 35 anos de RBS/jornal Zero Hora. Quando o adversário passa a ser inimigo de si mesmo, quando você golpeia sem se mover, então você sabe que a vitória está certa. Mesmo com uma “derrota” na Justiça. Muito raramente um showrnalista esquece sua realidade diária de produção de uma rápida “mATériA” pra manter um salário de merda, mas aumentando sempre a fátia do jornal junto ao deus mercado, além de manter um editor feliz, massageando seu ego. Irão todos para o céu. A mudança climática é a grande matéria do dia. Nem o Partidão (PCB), dos velhos tempos, montaria uma chapa sindical com tantos bundões. Só belezuras. A rede de conivências corporativas é o poder e têm múltiplos tentáculos. É como se fosse um polvo. Gente gelatinosa. Nossa grande atividade é viver na absoluta incorência. A embriaguez provocada pelo vinho é mágica. Escrevo com os estiletes da emoção. Da alma.
Idas e voltas a pé: Lapa, Glória, Catete, Flamengo. Quais os riscos? Todos. Mas o pior deles é não experimentar. Voltar para casa às duas e tomar uma média com um joelho vendo os travestis tomando suas sopas instantâneas. Em cada esquina uma kombi de cachorro quente e um grupo de pessoas cantando uns sambas antigos. Os clandestinos da noite. No Lamas, às três da manhã, um grupo falava no Brizola. WU se integrou ao grupo. O momento foi registrado.
Brizolistas em confraternização no Lamas
Ao escutar o nome do Brizola em uma mesa do Lamas, bar que sempre reúne um bom número de jornalista, acabei não resistindo. Fui até a mesa, disse que era de Porto Alegre. Que tinha acabado de chegar ao Rio. Imediamente fui convidado para a mesa. Brizolistas convictos lembravam do Estado administrado por ele. Fiquei emocionado. Nos retiramos às quatro da manhã quando o bar estava fechando. Sem garçons enchendo o saco. Mas com um VIVA Brizola. Destacaram, em alguns momentos da conversa, a posição firme contra o império global. Ver vídeo na coluna da esquerda.
Dilma solta o verbo
“A entrevista que a agora candidata oficial do PT Dilmar Rousseff concedeu a Carta Capital foi esclarecedora. As questões não foram em nenhum momento superficiais ou o ‘mais do mesmo’ que sempre se pergunta à candidata. Sua posição sobre a decisão do STF, de ratificar a Lei da Anistia, sempre foi questionada até por grande parte de seus apoiadores devido ao seu histórico de luta contra a ditadura. Como a revista sempre se mostrou contrária a essa decisão do STF que tanto nos envergonha, o questionamento sobre esse assunto foi um dos pontos altos da entrevista. Além disso, Dilma demonstrou novamente que preenche todos os requisitos para continuar e evoluir o que Lula construiu nos últimos oito anos”. (de Gbriel Tadeu Gonçalves Pinheiro, Belo Horizonte, MG) A foto de filiação em 18.03.2001 é de Wu. - Clique nas imagens.