Leica x Rolleiflex
Foi dura a batalha dos instantâneos contra as fotos pousadas. Texto de Luiz Edgar de Andrade, publicado pela revista Imprensa em dezembro de 1990.

Esta é uma edição de setembro de 1961, comprada no Brique da Redenção (PO). Vamos publicar trechos do texto da revista Imprensa.
instantâneos contra as fotos pousadas
“Quando cheguei a O Cruzeiro, em 1956, vindo do Ceará, a revista ainda tirava 750 mil exemplares por semana e exercia uma influência no país só comparável à que Rede Globo teve nos anos 80. Minha primeira reportagem foi sobre uma menina de nove anos…. a revista estava em guerra era a luta da Leica contra a Rolleiflex. De um lado, os fotógrafos que usavam flasch, mesmo no sol e faziam fotos posada, tipo cartão postal, com negativo 6×6. De outro lado, os fotógrafos do instantâneo jornalístico, adeptos da luz natural, com filme 35 milímetros. Os antigos, na linha de Jean Manzon, eram liderados por Ed Keffel, um alemão que chegou ao Rio, via Porto Alegre. Do time moderno, faziam parte Luciano Carneiro, José Medeiros, João Martins, Henri Ballot e Gheorghe Torok… estavam em choque duas concepções de jornalismo: a reportagem-verdade, em que o repórter se limita a testemunhar o real, e a reportagem produzida, em que o repórter interfere, produzindo o fato. Davi Nasser e Jean Manzon inauguraram, no Brasil, o jornalismo produzido… o almoxarifado, por muito tempo, teve ordem para não fornecer filme 35 milímetros. No laboratório só havia carretel de revelação para filme 120… em julho de 1959, Flávio Damm foi demitido. No mês seguinte, Armando Nogueira (1927/2010) e eu. Em menos de um ano. houve, dezessete demissões. O passaralho são não pegou Luciano Carneiro, que morreu em acidente aéreo. Um avião da FAB bateu no avião da Vasp em que Luciano vinha de Brasília para o Rio, no Natal de 1959. Depois de mandar todo mundo embora, Leão Godim anunciou que, com Davi Nasser sozinho e a rotativa Hoe, O Cruzeiro voltaria a tirar 750 mil exemplares por semana. Nunca mais conseguiu.”
Quando comecei na profissão (40 anos de exercício interrompidos por quase dois de cadeia) escutava o nome de Davi Nasser associado ao que se denominava de jornalismo marrom, assim como à expressão “cascateiro”. De um jornalismo de extrema direita. Aliás, tudo indica que jornalismo de direita e práticas “cascateiras” estão sempre em associação. Ficou famosa, como exemplo de “cascata”, a reportagem de um disco voador que teria pousado em uma praia do Rio de Janeiro. Não lembro o nome do fotógrafo com o qual ele sempre trabalhava na produção destas ”matérias”. Não era o Jean Manzon. Também ficou para a história deste tipo de jornalismo uma reportagem sobre a presença, no hotel Copacabana Palace, de uma suposta mulher de Chiang Kai-shek , líder da China Nacionalista. Uma “reportagem” basicamente fotográfica. Fotos de um vulto feminino, em uma janela do hotel, vestindo roupas de corte chinês. Estas “cascatas” estão contadas no livro “Cobras criadas”, de Luiz Makluf Carvalho, da editora Senac. Nasser morreu em dezembro de 1980. Em setembro de 1954, na edição do suicídio do presidente Getúlio Vargas, a revista O Cruzeiro teve uma tiragem muito acima de 750 mil exemplares. Em 1964, pouco tempo antes do golpe militar, no saguão do Aeroporto do Galeão, o deputado Leonel Brizola com dois socos levou Nasser à lona. Episódio amplamente comemorado pelas forças políticas que apoiavam João Goulart. (Wu)
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Eugenio 13 , OFS — 29/06/2010 @ 10:53
Paz e bem !
Provavelmente
comprastes a edição do Cruzeiro
com o Azambuja.