O diabo é a vanguarda
“Uma derrota definitiva do diabo (por inconcebível que seja) seria uma catastrofe cósmica irremediável. O mundo se dissolveria. Mas a nossa tradição nos ensina que o mundo foi criado por Deus. Começamos a perceber os motivos positivos do diabo. E os motivos divinos continuam obscuros. Já agora intuímos, o fato de que o diabo é-nos muito mais próximo que o Senhor, e que seguir o Diabo é muito mais cômodo e simples do que perseguir os obscuros caminhos divinos.”
Este é o livro. Uma leitura endiabrada. “A história do Diabo”, de Vilém Flusser editora Annablume pode virar a cabeça do leitor. Não sei mais o que marcar, o que assinalar como ideia importante. Diz ele ” definiremos portanto a Terra como o propósito da máquina celeste. O diabo criou os céus, para criar a terra. E criou a Terra, para criar a vida. E criou a vida, para criar a humanidade. E criou a humanidade, para criar o espírito humano, esse espírito que conhece o Bem e o Mal, portanto o campo do pecado. Em outras palavras: a Terra é o palco do pecado. É ela a oficina na qual o diabo forja sua arma para a conquista da realidade: o espírito humano. Essa obra forjada continua progredindo, e a arma ainda está longe de ser perfeita. Há dezenas de milhares de anos o diabo afia e amola o espírito humano, para aperfeiçoá-lo. Os pecados capitais são os abrasivos. O produto acabado, o espírito humano perfeitamente diábolico, é um ideal que por ora não alcançado. Mas essa perfeição diabólica é o propósito da Terra.”
Vilém Flusser
Este texto está sendo amplamente estudado pelas colunas guerrilheiras do Movimento de Libertação Vodu Revolucionário, organização filiada à Liga Internacionalista dos Exus Esquerditas, assim como pelos militantes urbanos do Centro de Estudos Comparados das Sacanagens da Mídia Coporativa. Só gente do primeiro time.
A IMAGEM
Clique na imagem. Da mesma série grafismos. Filme Tri-X Iso 400, nenhuma regulagem de velocidade ou abertura. Máquina actionsampler, de fabricação chinesa. Centro de Porto Alegre, Terminal de ônibus da Praça XV, proximidades do Mercado Público. Cada fotograma registra quatro quadros, com movimento no sentido anti-horário.
Na última audiência, do processo criminal que é movido contra mim pelo funcionário do PRBS, me foi perguntado os motivos pelos quais denominava Zerolândia de Zerolândia (jornal Zero Hora). Respondi que se Zerolândia denominava o MST de MSTlândia, o Hugo Chàvez de Chavelândia, os locais frequentados pelos os usuários de crack de Cracolândia nada me impede de chamá-los de Zerolândia. Zero Hora é uma Zerolândia. Representantes deles vão à Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) afirmam que o PRBS respeita os movimentos socias e ninguém diz nada. Ninguém faz uma pergunta jornalística. Por exemplo: um professor desta faculdade está sendo processado por um funcionário da firma. O que vocês podem dizer sobre isso? A resposta pouco importaria. Estes caras são super treinados para “dizer abobrinhas”. O Juiz, na audiência, perguntou que diferença eu faria entre o jornalismo feito por Caco Barcelos e o praticado por Tim Lopes, em seguida ao ter explicado que fotocampana não é fotojornalismo. Este depoimento está à disposição do público. Desconfio que para alguns setores possa ser uma boa pauta. Ou estou enganado? Os cartógrafos da firma, certamente, devem ter lido o depoimento. Eles monitoram nossos movimentos.
Sem nenhuma arrogância ou pretenção, assim como sem me considerar o dono da verdade, em um depoimento que durou quase três horas, dei uma grande aula de jornalismo. Incorporei uma entidade. Disse o que bem entendia. Um depoimento para a história. Disse inclusive, a outra parte não tinha alcance para entender, que independentemente de qualquer resultado, nas esferas da Justiça, eu continuarei sendo o o editor Wu com 40 anos de jornalismo, 45 de militância política e 20 como professor. E, sempre modestamente, posso dizer que em nenhum lugar onde desenvolvi alguma atividade fui considerado tosco, burro. Enquanto esta questão não ficar resolvida sempre estarei dizendo alguma coisa. Mesmo considerando que os meus objetivos já foram alcançados. Gostaria ficar bem distante de tudo isto.
Depois se fará o silêncio. É história.





Pati Benvenuti — 27/05/2010 @ 10:38
O que eu não daria pra ter visto esse depoimento, Unga. Certamente corresponderiam a vááááárias cadeiras. Ou mesmo semestres. Abração!!!
Cláudia Flores — 27/05/2010 @ 23:20
o grande problema que temos aí é que a geração que absorve absolutamente tudo que lhes é posto goela abaixo passivamente (a minha triste geração) nada mais é que um bolo fecal. em pleno crescimento. e existem coisas tão relevantes pra nós, coisas que precisávamos valorizar, preservar, compreender, questionar para o presente e para logo mais, mas as pessoas não vêem, estão muito ocupadas pensando em coisas tão pequenas.
mas eu ainda acredito que dá pra virar esse jogo.
Rock é Rock Mesmo — 28/05/2010 @ 10:49
O Diabo é o pai do Rock!
João Coimbra — 28/05/2010 @ 14:25
Foi uma oportunidade para uma esfera da alta hierarquia do sistema aprender o que é jornalismo e saber que ele está bem vivo! O que se vê na Zerolândia e por aí é o anti-jornalismo puro e simples. Dá-lhe WU!