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VELHO CHICO


Oi Ungaretti! Tava vendo o teu blog e as postagens dessa semana, com algumas referências a fotojornalismo, e não posso deixar de te relatar um momento muito bonito que vivenciei quarta-feira. Se pudesse te contava pessoalmente, mas vai assim mesmo. Voltei ontem de viagem, fui segunda-feira a Juazeiro da Bahia cobrir o Encontro Nacional da Articulação do Semiárido, que levou gente de todos os estados com esse clima – agricultores, pescadores, educadores, só gente que lida diretamente com a terra e com lutas sociais. Na quarta, meu grupo foi fazer uma visita à comunidade tradicional de Ferrete, em Curaça, município vizinho a Juazeiro, que pode ser removida por causa da construção de duas barragens ali no Rio São Francisco. Lá pelas tantas fomos até a margem do rio, conhecer um pouco do local, e eu pedi a um integrante do MAB para me indicar alguns ribeirinhos com quem conversar. Então me apresentaram uma senhora que lavava roupas ali no rio mesmo. Ela estava muito envergonhada de falar com um jornalista, dava pra perceber, e escondia o rosto toda hora. Mas falamos, uma simpatia de pessoa. Enquanto isso, um fotógrafo tirava fotos dela ali, na sua atividade. Agradeci, dei tchau pra ela e fiquei ali por perto com o resto do pessoal. Antes de sairmos da margem do rio ela me chamou, bem discretamente com a mão, e perguntou se teria como ver a imagem que o Luca (fotógrafo do encontro) tirou dela. Com muito gosto ele mostrou a foto pra ela, e a gente brincou, perguntando se ela tinha gostado e tal, caso contrário ele tiraria outra. No mesmo momento chegou outra senhora para lavar roupa, e ficaram as duas ali brincando com a história das fotos. Foi um momento muito simples, mas me deixou muito emocionada estar com aquelas pessoas e principalmente com aquela senhora com quem conversei. Foi uma honra tão grande falar com ela com o barulho do Rio Sao Francisco que tu nem imagina. Foi muito bonito. Acho que eu nunca me senti tão jornalista como ali, e parece que passei a entender um monte de coisas também. Voltei muito renovada da viagem, parece que eu cresci uns dez anos com ela. Eu andava tão de saco cheio da burocracia e dos burocratas de sempre que foi uma inspiração sem tamanho. Em anexo te mando umas fotos do que descrevi acima. Abraços fraternos sempre, da ex-aluna.
 
As fotos são de Luca. Quando recebo um e-mail como este não só me emociono, mas me renovo para estar em sala de aula procurando por novos JORNALISTAS, subversivos. Esta é outra que não passou nem pela porta de uma empresa da mídia corporativa. Está na lista dos 30 melhores alunos que não trabalharam na RBS.Tem o DNA da profissão. 

1927/2010
   Tenho esta edição desde 1973. Armando Nogueira, poesia. Minha geração começava no jornalismo passando pelas editorias de esporte e polícia. Este livro foi mais uma descoberta proporcionada por Marcos Faerman, o Marcão. Poesia da bola com gomos pretos e brancos ou das pernas tortas de Mané Garrincha. Seus textos são pura emoção. Jornalismo esportivo já foi assim. No horizonte utópico de todos nós, na década de 70, jovens sonhadores com a prática do jornalismo, Armando Nogueira sempre foi referência. Seu comprometimento com os interesses da Globo e conivência com atos da ditadura já foi amplamento criticado.
        Obrigado por tantos devaneios, poéticos. Obrigado! 
         

1 Comentário »

  1. zé pedro — 30/03/2010 @ 08:35

    Muito bom lembrar, nesses tempos de miséria de jornalismo, a história e qualidade do que fazia A. Nogueira; mas tb é oportuno, por coerência, relacionar isso ao silêncio imposto a ele pela Globo, através da aposentadoria antecipada, como relata o vídeo Brasil, Muito Além do Cidadão Kane. A propósito (Documentaristas!), já não é hora de renovar esse material com outra produção?? É só uma provocação.


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